• Futuros do café sobem com temores sobre tarifas dos EUA
• Café robusta lidera ganhos após alta de 9% na segunda-feira
• Correções voltam a pressionar mercado com avanço da oferta
• Importadores antecipam embarques diante de incerteza tarifária
• Negociações entre Brasil e EUA seguem lentas às vésperas do prazo
• Indonésia fecha acordo com os EUA para redução de tarifas
• Colheita de arábica avança para 71%; robusta praticamente finalizada
• Exportações caem em junho, mas receita cambial da safra atinge recorde
Apesar da semana volátil na bolsa de Nova Iorque, os futuros do café encerraram o período em alta, revertendo as perdas da semana anterior. O movimento segue refletindo as preocupações com os impactos da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros imposta pelo governo dos Estados Unidos. O contrato de setembro fechou cotado a US¢ 303,6/lb, com valorização de 6,0%.
O café robusta também registrou alta semanal, embora boa parte dos ganhos tenha ocorrido na forte valorização de 9% na segunda-feira (14), impulsionada pelos temores em relação às tarifas americanas, que podem afetar tanto o café brasileiro quanto outras origens. Nos dias seguintes, o mercado passou por correções, encerrando a semana com a tela de setembro/25 a USD 3.348/t, alta de 4,1%.
Nesta segunda-feira (21), os preços estenderam as correções iniciadas na sexta-feira, influenciados pelo sentimento de ampla oferta. O arábica recuou 3,8% no dia, enquanto o robusta caiu 4,8%. Apesar da maior disponibilidade de café no mercado aliviar a pressão sobre os preços, a disputa comercial com os EUA continua no radar. A aproximação do prazo final para a implementação das tarifas, sem avanços significativos nas negociações, pode reacender o movimento de alta.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

Nas últimas semanas, os importadores norte-americanos têm acelerado o desembarque de café brasileiro adquirido anteriormente, temendo a entrada em vigor das tarifas sem acordo entre os países. Contudo, há limitações logísticas que dificultam a antecipação dos embarques, o que deve manter o clima de apreensão. Há relatos de empresas redirecionando estoques localizados no Canadá e México para os EUA — originalmente destinados a consumo local.
Do lado da bolsa, espera-se que as tarifas tenham efeito altista. Já no mercado físico brasileiro, a possível queda dos embarques para os EUA — principal destino do café brasileiro — tende a pressionar os preços internos. As negociações continuam, com o Cecafé mantendo otimismo quanto ao avanço das conversas bilaterais. Ainda assim, nota-se desaceleração nos novos contratos, à medida que os exportadores evitam fechar novos negócios com os EUA diante do cenário incerto. A continuidade dessa postura deve persistir até que se encontrem alternativas claras.
Um fator que aumentou o pessimismo foi a carta enviada pelo presidente dos EUA Donald Trump ao ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, na qual o americano voltou a vincular a imposição da tarifa de 50% ao julgamento do brasileiro no judiciário. Com o avanço das investigações e medidas cautelares na última semana sobre o ex-presidente, existe um temor de que a Casa Branca também possa endurecer as negociações ou até efetivar a aplicação das tarifas em agosto.
Outros grandes produtores têm conseguido avanços comerciais com os EUA. A Indonésia, por exemplo, firmou um acordo com o governo Trump para reduzir tarifas de 32% para 19%. Ainda assim, o país busca isenções adicionais para produtos específicos, como óleo de palma bruto, cacau, borracha, café e níquel.
Progresso da colheita
No Brasil, a colheita avança para sua fase final. Segundo levantamento da StoneX, o café robusta já está praticamente finalizado, com 96% colhido até o final da última semana. O arábica avançou de 62,9% para 70,9%, elevando o total nacional para 81,1%. Entre as regiões, as Matas de Minas lideram, com 80%, enquanto o Cerrado está mais atrasado, com 62% da safra colhida.
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
Cecafé divulga exportações brasileiras em junho
O Cecafé divulgou os dados oficiais de exportações de junho, permitindo a consolidação dos números do ano-safra 2024/25. As exportações de café verde somaram 2,3 milhões de sacas, queda de 30% em relação a junho de 2024 e 18% abaixo da média dos últimos três anos. Destas, 1,8 milhão de sacas foram de arábica (–24%) e 476 mil de robusta (–42% em relação a junho/24, mas +19% frente à média histórica).
O ritmo mais fraco de junho dá continuidade à desaceleração observada nos últimos meses. A primeira metade da safra teve embarques intensos — 12,6% acima da temporada anterior e 29% acima da média de três anos — o que reduziu os estoques disponíveis para o segundo semestre, contribuindo para a sustentação dos preços.
Exportações brasileiras mensais de café arábica e robusta, respectivamente (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.

No total, a safra 2024/25 exportou 41,3 milhões de sacas de café verde, queda de 5,3% frente à temporada passada. Foram 34,8 milhões de sacas de arábica (–1,8%) e 6,6 milhões de robusta (–20,3%), ainda acima da média histórica. O café solúvel teve alta de 13,4%, somando 4,2 milhões de sacas.
Exportações de café por ano-safra (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
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Apesar da queda no volume total, a receita cambial foi recorde: US$ 14,7 bilhões, um aumento de 49,5% em relação à safra anterior. A média de preço foi de US$ 323/saca, ante US$ 207/saca em 2023/24. O resultado reforça a tese de que, mesmo com volume abaixo do esperado — especialmente no arábica — os preços sustentaram a rentabilidade, incentivando investimentos e boas práticas de manejo.

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Panorama climático
A previsão de avanço de frentes frias, combinada com um índice AAO (Oscilação Antártica) negativo, aumenta o risco de geadas nos próximos dias no Sul do Brasil. Ainda há incerteza sobre a propagação do frio até o Centro-Sul. O modelo GFS indica maior nebulosidade no Sul e na Zona da Mata de Minas, o que pode limitar perdas de temperatura noturna, mas é necessário atenção para o Cerrado, São Paulo e Paraná.
No Espírito Santo, a safra segue em bom ritmo. Contudo, a frutificação nas regiões onde já ocorreram floradas exige monitoramento, já que não há previsão de chuvas significativas nos próximos dias. Em Rondônia, há chance de precipitação após semanas de seca, o que pode beneficiar a recuperação da umidade do solo e o abastecimento para irrigação.
TABELA DE INDICADORES


