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Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Depois de valorização na última semana, café inicia em queda, pressionado por colheita no Brasil
 
Leonardo Rossetti
Apesar de iniciar semana em queda, tarifas continuam no radar nos agentes e com potencial altista para as cotações

•   Futuros do café sobem com temores sobre tarifas dos EUA
•   Café robusta lidera ganhos após alta de 9% na segunda-feira
•   Correções voltam a pressionar mercado com avanço da oferta
•   Importadores antecipam embarques diante de incerteza tarifária
•   Negociações entre Brasil e EUA seguem lentas às vésperas do prazo
•   Indonésia fecha acordo com os EUA para redução de tarifas
•   Colheita de arábica avança para 71%; robusta praticamente finalizada
•   Exportações caem em junho, mas receita cambial da safra atinge recorde

 

Apesar da semana volátil na bolsa de Nova Iorque, os futuros do café encerraram o período em alta, revertendo as perdas da semana anterior. O movimento segue refletindo as preocupações com os impactos da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros imposta pelo governo dos Estados Unidos. O contrato de setembro fechou cotado a US¢ 303,6/lb, com valorização de 6,0%.

O café robusta também registrou alta semanal, embora boa parte dos ganhos tenha ocorrido na forte valorização de 9% na segunda-feira (14), impulsionada pelos temores em relação às tarifas americanas, que podem afetar tanto o café brasileiro quanto outras origens. Nos dias seguintes, o mercado passou por correções, encerrando a semana com a tela de setembro/25 a USD 3.348/t, alta de 4,1%.

Nesta segunda-feira (21), os preços estenderam as correções iniciadas na sexta-feira, influenciados pelo sentimento de ampla oferta. O arábica recuou 3,8% no dia, enquanto o robusta caiu 4,8%. Apesar da maior disponibilidade de café no mercado aliviar a pressão sobre os preços, a disputa comercial com os EUA continua no radar. A aproximação do prazo final para a implementação das tarifas, sem avanços significativos nas negociações, pode reacender o movimento de alta.

Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

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Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX. 

Nas últimas semanas, os importadores norte-americanos têm acelerado o desembarque de café brasileiro adquirido anteriormente, temendo a entrada em vigor das tarifas sem acordo entre os países. Contudo, há limitações logísticas que dificultam a antecipação dos embarques, o que deve manter o clima de apreensão. Há relatos de empresas redirecionando estoques localizados no Canadá e México para os EUA — originalmente destinados a consumo local.

Do lado da bolsa, espera-se que as tarifas tenham efeito altista. Já no mercado físico brasileiro, a possível queda dos embarques para os EUA — principal destino do café brasileiro — tende a pressionar os preços internos. As negociações continuam, com o Cecafé mantendo otimismo quanto ao avanço das conversas bilaterais. Ainda assim, nota-se desaceleração nos novos contratos, à medida que os exportadores evitam fechar novos negócios com os EUA diante do cenário incerto. A continuidade dessa postura deve persistir até que se encontrem alternativas claras.

Um fator que aumentou o pessimismo foi a carta enviada pelo presidente dos EUA Donald Trump ao ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, na qual o americano voltou a vincular a imposição da tarifa de 50% ao julgamento do brasileiro no judiciário. Com o avanço das investigações e medidas cautelares na última semana sobre o ex-presidente, existe um temor de que a Casa Branca também possa endurecer as negociações ou até efetivar a aplicação das tarifas em agosto.

Outros grandes produtores têm conseguido avanços comerciais com os EUA. A Indonésia, por exemplo, firmou um acordo com o governo Trump para reduzir tarifas de 32% para 19%. Ainda assim, o país busca isenções adicionais para produtos específicos, como óleo de palma bruto, cacau, borracha, café e níquel.

Progresso da colheita

No Brasil, a colheita avança para sua fase final. Segundo levantamento da StoneX, o café robusta já está praticamente finalizado, com 96% colhido até o final da última semana. O arábica avançou de 62,9% para 70,9%, elevando o total nacional para 81,1%. Entre as regiões, as Matas de Minas lideram, com 80%, enquanto o Cerrado está mais atrasado, com 62% da safra colhida.

Ritmo de colheita do café no Brasil

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Fonte: StoneX. 

Cecafé divulga exportações brasileiras em junho

O Cecafé divulgou os dados oficiais de exportações de junho, permitindo a consolidação dos números do ano-safra 2024/25. As exportações de café verde somaram 2,3 milhões de sacas, queda de 30% em relação a junho de 2024 e 18% abaixo da média dos últimos três anos. Destas, 1,8 milhão de sacas foram de arábica (–24%) e 476 mil de robusta (–42% em relação a junho/24, mas +19% frente à média histórica).

O ritmo mais fraco de junho dá continuidade à desaceleração observada nos últimos meses. A primeira metade da safra teve embarques intensos — 12,6% acima da temporada anterior e 29% acima da média de três anos — o que reduziu os estoques disponíveis para o segundo semestre, contribuindo para a sustentação dos preços.

Exportações brasileiras mensais de café arábica e robusta, respectivamente (milhões de sacas) 

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    Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
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No total, a safra 2024/25 exportou 41,3 milhões de sacas de café verde, queda de 5,3% frente à temporada passada. Foram 34,8 milhões de sacas de arábica (–1,8%) e 6,6 milhões de robusta (–20,3%), ainda acima da média histórica. O café solúvel teve alta de 13,4%, somando 4,2 milhões de sacas.

Exportações de café por ano-safra (milhões de sacas)

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Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
  • Apesar da queda no volume total, a receita cambial foi recorde: US$ 14,7 bilhões, um aumento de 49,5% em relação à safra anterior. A média de preço foi de US$ 323/saca, ante US$ 207/saca em 2023/24. O resultado reforça a tese de que, mesmo com volume abaixo do esperado — especialmente no arábica — os preços sustentaram a rentabilidade, incentivando investimentos e boas práticas de manejo.

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    Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.

 

Panorama climático

A previsão de avanço de frentes frias, combinada com um índice AAO (Oscilação Antártica) negativo, aumenta o risco de geadas nos próximos dias no Sul do Brasil. Ainda há incerteza sobre a propagação do frio até o Centro-Sul. O modelo GFS indica maior nebulosidade no Sul e na Zona da Mata de Minas, o que pode limitar perdas de temperatura noturna, mas é necessário atenção para o Cerrado, São Paulo e Paraná.

No Espírito Santo, a safra segue em bom ritmo. Contudo, a frutificação nas regiões onde já ocorreram floradas exige monitoramento, já que não há previsão de chuvas significativas nos próximos dias. Em Rondônia, há chance de precipitação após semanas de seca, o que pode beneficiar a recuperação da umidade do solo e o abastecimento para irrigação.
 

TABELA DE INDICADORESimage 116159

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.

 

 

  • Café

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