• Avanço da colheita no Brasil pressiona preços no mercado físico
• Incertezas sobre tarifas dos EUA seguem no centro das atenções
• Possível La Niña fraca pode impactar padrões de chuva globais
• Café arábica depende do retorno das chuvas em setembro
• Estoques globais apertados preocupam para a entressafra 2025/26
• Tarifas podem elevar preços nos EUA e afetar exportações brasileiras
• Mercado monitora clima, florada e decisões comerciais dos EUA
Após encerrar a semana anterior em alta, impulsionados pelo anúncio do presidente Trump sobre tarifas de 50% sobre o café brasileiro, os preços futuros do café recuaram na última semana. Esse movimento foi fortemente influenciado pelo avanço da colheita no Brasil e pela continuidade das incertezas em relação ao chamado “tarifaço” americano.
Em Nova York, o contrato mais ativo (vencimento em setembro) caiu 605 pontos, ou 2%, fechando a sexta-feira a US¢ 297,55 por libra-peso. Em Londres, o contrato de setembro recuou 3,6%, encerrando a semana a USD 3.228 por tonelada. No mesmo período, o dólar index cedeu 0,8% (97,43 pontos) e o dólar se desvalorizou 0,3%, cotado a R$ 5,56.
Na sessão desta segunda-feira, os contratos futuros de café robusta voltaram a subir, embora o mercado ainda busque uma direção clara. Até o momento da redação deste relatório, o contrato de setembro em Nova York apresentava alta de 365 pontos (+1,2%), cotado a US¢ 301,20 por libra-peso. Já o robusta subia USD 109 por tonelada (+3,38%), alcançando USD 3.337 por tonelada.
Seguindo a tendência internacional, os preços do café também recuaram no mercado doméstico brasileiro. O indicador Cepea para o arábica caiu 0,88%, sendo negociado em torno de R$ 1.810 por saca. O robusta teve queda de 1,09%, para pouco mais de R$ 1.002 por saca. O aumento da colheita e a maior disponibilidade de café físico seguem pressionando os preços internamente.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

Fundamentos do mercado sob influência do clima, avanço da colheita e estoques reduzidos
O cenário dos fundamentos permanece praticamente inalterado. O avanço da colheita no Brasil tem aliviado a oferta de curto a médio prazo, pressionando os preços. Além disso, há perspectivas de recuperação da produção asiática, sobretudo no Vietnã, o que reforça o viés baixista.
Por outro lado, há preocupação com o período de entressafra da temporada 2025/26, já que essa safra não deverá recompor os estoques globais. Este fator atua como suporte altista para os preços no médio a longo prazo.
O clima continua sendo um dos grandes protagonistas. Ainda estamos no inverno brasileiro e os modelos meteorológicos indicam a chegada de uma nova massa de ar polar entre 30 de julho e 2 de agosto. Apesar da previsão de queda de temperatura nas regiões produtoras, ainda não há expectativa de geadas generalizadas em Minas Gerais. Esse cenário, no entanto, requer monitoramento constante.
Outro ponto de atenção é a possibilidade de ocorrência de uma La Niña fraca e de curta duração entre o fim da primavera e o início do verão. Embora os modelos indiquem um Pacífico em condição neutra, há sinais de leve resfriamento. Esse fenômeno pode influenciar o regime de chuvas em diferentes partes do mundo: aumento no sudoeste asiático e na Amazônia, e clima mais seco no sul do Brasil. Os efeitos ainda são incertos, mas merecem atenção. Leia o relatório “Vai voltar a La Niña? Entenda as previsões do IRI e da NOAA para 2025 e 2026”.
A expectativa em relação ao retorno das chuvas também ganha relevância, visto que estamos entrando no período crítico da florada. Qualquer atraso nas precipitações ou elevação das temperaturas pode comprometer o desenvolvimento da florada do arábica, como ocorreu em 2024. Já foram registradas floradas em regiões de café robusta, que contam com sistemas de irrigação.
Caso o clima colabore, isso poderá impulsionar uma florada ampla e renovar o otimismo quanto ao potencial produtivo de 2026, um fator baixista para os preços. Em contrapartida, qualquer adversidade climática nesse período pode ter efeito altista, reforçando a importância do monitoramento climático.
Tarifas americanas trazem nova camada de incerteza
O anúncio do governo americano sobre a possível imposição de tarifas de 50% sobre as importações oriundas do Brasil traz incertezas adicionais ao mercado. Caso as tarifas entrem em vigor, espera-se pressão sobre os preços internos no Brasil, devido ao redirecionamento da oferta não exportada. Ao mesmo tempo, os preços nos EUA tendem a subir, refletindo nos contratos em Nova York e, possivelmente, contribuindo para aumento da inflação ao consumidor americano.
Exportadores brasileiros, produtores e a indústria americana seriam os principais prejudicados. O mercado segue atento a tentativas de negociação que buscam convencer Washington de que o café não pode ser produzido nos EUA e, portanto, deveria ser isento dessas tarifas. Até o momento, existe a expectativa da implementação das tarifas a partir do dia 1º de agosto. Esse novo elemento tem potencial para distorcer a dinâmica global do mercado de café, afetando não apenas Brasil e EUA, mas também outras origens que poderiam atender à demanda americana.
O mercado seguirá atento principalmente ao clima no Brasil e ao desenrolar das negociações sobre as tarifas americanas. Também estarão no radar os dados de exportação de julho, que devem ser divulgados nas próximas semanas, tanto do Brasil quanto de outros países produtores.
Progresso da colheita
A colheita no Brasil avança em ritmo forte, ajudando a reduzir o aperto observado nos primeiros meses do ano. Segundo dados da StoneX, até 28 de julho, 85,8% da safra já havia sido colhida, o equivalente a 55,3 milhões de sacas.
A colheita do robusta está praticamente concluída (98,5%), com estimativa de 25,4 milhões de sacas colhidas. Já o arábica alcançou 77,3%, ou 29,9 milhões de sacas. Para o Robusta, os estados do Espírito Santo, Bahia e Rondônia praticamente já finalizaram os trabalhos. Entre as regiões de arábica, os destaques em avanço são Matas de Minas (86%) e sul do Espírito Santo (85%). O Cerrado segue mais atrasado, com 70% da safra colhida.
Ritmo de colheita do café no Brasil

Fonte: StoneX.
TABELA DE INDICADORES


