O mercado de café abre semana com alta de mais de 2 mil pontos em Nova Iorque
• Estoques globais baixos e menor produção brasileira sustentam movimento altista
• Chuvas abaixo da média e risco de La Niña preocupam produtores brasileiros
• Exportações brasileiras caem 17,5% em agosto, mas receita cresce 10,5%
• EUA reduzem compras em 46,5%, Brasil ganha espaço no México e Colômbia
• Tarifas americanas distorcem rotas comerciais
O mercado futuro de café em Nova Iorque iniciou a semana com forte valorização, registrando alta de mais de 2 mil pontos. Esse movimento reforça a tendência altista observada desde agosto, sustentada por estoques globais baixos, pela menor produção de arábica no Brasil e pelas preocupações climáticas ligadas ao desenvolvimento da florada entre setembro e outubro.
Na última semana, os contratos mais ativos em Nova Iorque, com vencimento em dezembro, acumularam ganho de 2.320 pontos, equivalente a 6,2%, fechando a US¢ 396,85 por libra-peso. Em Londres, a alta foi de 292 dólares por tonelada, ou 6,8%, alcançando 4.601 dólares por tonelada. O dólar teve queda de 1,1% na semana para R$ 5,35. Nesta segunda-feira, no momento da escrita, Nova Iorque apresentava alta de 2.155 pontos, equivalente a 5,43%, com o contrato de dezembro cotado pouco acima de US¢ 418 por libra-peso. Em Londres, o avanço era de 5,2%, chegando a 4.840 dólares por tonelada.
Nesta segunda, o câmbio também exerceu papel relevante no movimento do mercado. O dólar foi negociado em queda para R$ 5,31, recuando 0,78% em relação ao fechamento da semana anterior. Esse movimento refletiu principalmente a expectativa de corte de 0,25 p. p. na taxa de juros americana pelo Federal Reserve, além da perspectiva do anúncio de novos cortes nos próximos meses. Esse cenário tende a reduzir o rendimento dos títulos americanos e enfraquecer o dólar. No Brasil, a expectativa é de manutenção da taxa básica de juros. A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal também adiciona incertezas políticas e levanta dúvidas sobre potenciais repercussões na relação entre Brasil e Estados Unidos.
Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)
Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX.
Os preços de café no mercado brasileiro também avançaram, embora com menor intensidade em razão da queda do dólar ao longo da semana. O indicador Cepea para o arábica registrou alta de 3%, alcançando quase R$ 2.346 por saca. Já o indicador para o robusta subiu 4,6%, ultrapassando R$ 1.421 por saca.
Do ponto de vista climático, o Brasil segue como foco central. Modelos meteorológicos indicam chegada de chuvas entre os dias 23 e 24 de setembro, com acumulados de 5 a 14 mm no Cerrado Mineiro, em torno de 45 mm nas Matas de Minas, 10 a 42 mm no Sul de Minas e entre 10 e 40 mm na Mogiana. Apesar disso, os volumes previstos permanecem abaixo da média histórica. As temperaturas não devem atingir extremos, mas seguem elevadas. O Cerrado Mineiro deve registrar máximas de 33º C, enquanto o Espírito Santo pode alcançar entre 35º C e 39º C nos dias 22 e 23, antes da chegada de uma frente fria que deve reduzir os termômetros. A maior preocupação está associada ao fenômeno La Niña, cuja probabilidade foi elevada para 71% entre outubro e dezembro de 2025. Historicamente, o La Niña tem trazido atrasos de chuva e estiagens prolongadas, como ocorreu em 2020, 2021 e 2022, afetando o regime hídrico e a produtividade. Esse risco aumenta a incerteza quanto ao potencial da safra 2026 e 2027.
Previsões Sazonais ENSO | CPC/NOAA e IRI
De acordo com o órgão aduaneiro do Vietnã, as exportações de café em agosto totalizaram 1,4 milhão de sacas. O volume representa queda de 16% em relação ao mês anterior, mas, ao mesmo tempo, um aumento de 16% frente ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, o resultado permanece quase 11% abaixo da média histórica para o mês.
As exportações também refletem as tensões do mercado. O Brasil embarcou 3,14 milhões de sacas em agosto, queda de 17,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita, no entanto, avançou 10,5%, alcançando quase 6 bilhões de reais. As exportações de café cru somaram quase 2,88 milhões de sacas, com queda de 17,5%. Dentro desse volume, o robusta caiu 34,5%, totalizando pouco mais de 619 mil sacas, e o arábica caiu 11,2%, com 2,26 milhões de sacas. O café industrializado também recuou 17,6%, alcançando 267 mil sacas.
Exportações brasileiras de café (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos já aparecem de forma significativa. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano caíram 46,5% em agosto, para pouco mais de 301 mil sacas. Devido a menor oferta, a retração foi sentida também em outros destinos tradicionais, como Alemanha, Itália, Bélgica, Turquia e Espanha. Em contrapartida, houve crescimento expressivo nas exportações para o Japão, com aumento superior a 53%, para o México, com avanço de mais de 90% e para a Colômbia, com salto de 578%, totalizando quase 113 mil sacas. Esse cenário mostra uma reconfiguração das rotas comerciais, com perda de participação do Brasil nos Estados Unidos e ganhos em outros mercados.
Nas próximas semanas, a atenção dos agentes continuará voltada para as condições climáticas no Brasil, especialmente durante a florada. Até o fim de outubro, o clima será determinante para definir se a safra de 2026 terá potencial de recuperação ou se haverá nova frustração de produtividade. A equipe da StoneX segue em campo acompanhando a evolução das lavouras e divulgará novas atualizações nas próximas edições do relatório.
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TABELA DE INDICADORES

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.