O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Perspectiva positiva para a florada, incertezas sobre tarifas e estoques certificados definem o tom do mercado de café

•    Preços futuros de café encerram a semana em alta
•    Dólar recua e contribui para alta das cotações
•    Lula conversa com Trump e pede redução de 40% nas tarifas
•    Florada no Brasil define expectativas para a safra 2026
•    Condições climáticas favoráveis impulsionam otimismo nas lavouras
•    Estoques certificados de arábica caem 17,7% em duas semanas
•    Secex: Exportações brasileiras de café recuam 28% em setembro
•    Inflação global do café pressiona o consumo e limita demanda

Os preços futuros de café encerraram a última semana em alta. Sem grandes novidades do ponto de vista dos fundamentos, o mercado seguiu acompanhando de perto as condições climáticas no Brasil e a queda dos estoques certificados de café. Além disso, o volume de negócios foi reduzido, uma vez que parte dos participantes esteve presente no 16th SCTA (Swiss Coffee Trade Association) Coffee Forum and Dinner, realizado nos dias 2 e 3 de outubro em Basel.

Em Nova Iorque, o contrato mais ativo de café arábica avançou 3,4%, ou 1.270 pontos, encerrando a sexta-feira cotado a US¢ 390,75 por libra-peso. Em Londres, o contrato mais negociado, com vencimento em novembro, registrou alta de 7,8%, fechando a semana a 4.527 dólares por tonelada. A desvalorização do dólar também contribuiu para o movimento de alta: o índice dólar recuou 0,4% na semana, encerrando a sexta-feira (03) em 97,41 pontos, enquanto o dólar frente ao real caiu 0,1%, terminando cotado em R$ 5,34.

No mercado doméstico brasileiro, os preços também avançaram. O indicador Cepea para o café arábica subiu 2,85% na semana, fechando a sexta-feira a R$ 2.184,71 por saca. Já o indicador para o robusta subiu 5,16%, encerrando a semana a R$ 1.389,41 por saca.

Nesta segunda-feira, 6 de outubro, os preços apresentam correção. O contrato mais ativo em Nova Iorque recuava 1,52% no momento da redação deste relatório, enquanto o mais ativo em Londres registrava queda de 0,44%. O mercado segue atento às condições climáticas no Brasil durante o período da florada, aos impactos das tarifas sobre as exportações do Brasil e a queda dos estoques certificados de café arábica.

Ainda nesta segunda-feira (6), os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, conversaram por telefone. Segundo nota oficial do governo brasileiro, o diálogo ocorreu de forma amistosa. Durante a conversa, Lula solicitou a redução de 40% das tarifas e o abrandamento das medidas restritivas impostas a autoridades brasileiras. Trump designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para dar continuidade às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin e outros membros do governo brasileiro.

Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

image 120569
Fonte: Cmdty View. Elaboração: StoneX. 

Do ponto de vista fundamental, o cenário segue praticamente inalterado. O foco dos agentes continua voltado para as condições climáticas no Brasil, especialmente neste período crítico da florada, que definirá o potencial produtivo da safra 2026. A equipe da StoneX já está a campo realizando levantamentos para a primeira estimativa da safra 2026, que será divulgada em novembro. As visitas neste momento concentram-se nas regiões produtoras de robusta, onde a florada ocorre de forma antecipada. Até o momento, a abertura das flores já foi observada, com condições climáticas favoráveis ao pegamento e desenvolvimento das lavouras. Temperaturas mais amenas que as registradas em 2024 e volumes substanciais de chuva têm beneficiado as plantações, que contam também com amplo uso de irrigação.

Nas regiões produtoras de arábica, a florada ampla ainda está por vir, devendo ocorrer nas próximas semanas. Apesar dos volumes de chuva ainda abaixo da média, as precipitações recentes melhoraram as condições das lavouras, e as previsões indicam volumes expressivos a partir do dia 10 de outubro. Regiões do sul de Minas Gerais devem receber entre 20 e 70 milímetros nos próximos sete dias, com chuvas também previstas para o Mogiana, em São Paulo, e no Paraná. Nas Matas de Minas e no Cerrado, os volumes mais significativos devem ocorrer entre os dias 14 e 15 de outubro. A expectativa pela chegada dessas chuvas reforça a perspectiva de um bom desenvolvimento da florada, o que tende a exercer pressão baixista sobre as cotações.

Leia também: Do global ao regional: um caminho complementar para previsões de chuva no Brasil

O mercado também reagiu à queda dos estoques certificados de café arábica, que recuaram 6,6% na última semana, totalizando 538.606 sacas em 3 de outubro. Nas últimas duas semanas, a redução acumulada foi de 17,7%. O movimento é impulsionado principalmente pela retirada de cafés brasileiros e mexicanos dos estoques certificados.

Nesta semana, além das condições climáticas no Brasil, o mercado acompanhará a divulgação dos dados de exportação pelo Cecafé, em meio às preocupações com o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro. Dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior, até a quarta semana de setembro, apontam exportações de pouco mais de 2,9 milhões de sacas de café cru, uma queda de 28% em relação ao mesmo período do ano passado. Parte dessa redução reflete a menor oferta, resultado dos problemas climáticos que afetaram a safra 2025/26, mas também os efeitos das tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre as importações provenientes do Brasil.

De forma geral, um conjunto de fatores vem impactando o mercado de café. Do lado baixista, o retorno das chuvas e a perspectiva de uma boa safra em 2026 trazem otimismo em relação à recuperação produtiva, o que pressiona as cotações futuras. Outro fator de peso é a inflação do café sobre o consumo global. Nos Estados Unidos, a inflação anual ultrapassou 40% nos últimos doze meses; no Brasil, apesar de um leve recuo, ainda supera 60%; e na União Europeia, permanece acima de 20%. Esse cenário tem limitado a demanda mundial, e a StoneX estima uma queda de 3% no consumo global de café na temporada 2025/26, o que adiciona um viés de baixa às cotações.

Por outro lado, há elementos de sustentação no mercado. Os estoques globais seguem baixos e devem continuar assim até que ocorra o início da recomposição a partir de 2026, caso as condições climáticas sejam favoráveis ao desenvolvimento da produção. As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as importações do Brasil também exercem pressão altista, pois tendem a gerar escassez no mercado norte-americano, refletida nas cotações da Bolsa de Nova Iorque. Além disso, a menor produção no Brasil neste ciclo, decorrente de adversidades climáticas, mantém a oferta restrita e contribui para o suporte dos preços. O mercado permanece atento às eventuais negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos sobre as tarifas, já que qualquer sinal de flexibilização nesse sentido poderia representar um fator de baixa para os preços em Nova Iorque.

TABELA DE INDICADORES

image 120568

Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
  • Café

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Artigos relacionados para Café

Comentários de Abertura

5 de agosto – Os mercados de ações dos EUA estão em chamas nesta semana, com tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 estabelecendo novas máximas históricas ontem, com os futuros indicando novos ganhos novamente hoje; o mercado permanece otimista quanto a um acordo com o Irã, apesar de nenhuma evidência disso até o momento. O petróleo bruto trabalha em uma máxima e uma mínima mais baixas hoje, mas permanece ligeiramente no lado alto na sessão, enquanto o dólar recua de volta em direção à mínima de quase dois meses de segunda-feira. O título de dez anos está estável a mais baixo nesta manhã (embora solidamente mais baixo até agora neste mês), em 4,605%, enquanto o índice VIX continua a se recuperar no meio da semana, com uma leitura de quase 17 pontos nesta manhã.

Matt Zeller
Matt Zeller
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

4 de agosto – O índice de referência Dow Jones Industrial Average disparou no fechamento de ontem para terminar quase 700 pontos mais alto, em um fechamento recorde de 53.178 pontos – superando facilmente o topo anterior de quase um mês atrás. O S&P 500 está à beira de seu próprio recorde também, enquanto o índice NASDAQ está aquém das máximas de junho, mas trabalhando em uma forte alta de três sessões. Todos os três apontam para aberturas positivas hoje. A Palantir (uma empresa de software dos EUA) reportou lucros melhores do que o esperado ontem à tarde, após o fechamento, impulsionando o setor de tecnologia, embora uma série de outras empresas também tenha reportado lucros fortes. O título de dez anos continua recuando da máxima de sexta-feira, agora em 4,67%, com o dólar no lado alto do patamar de paridade, enquanto o índice VIX, agora abaixo de 16, mostra volatilidade reduzida.

Matt Zeller
Matt Zeller
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

3 de agosto – Os futuros de ações apontam para alta na abertura da semana e do mês, ainda dentro da faixa das máximas recordes recentes e repletos de otimismo de que os EUA e outros países começarão a negociar com o Irã em torno do Estreito de Ormuz. Uma semana movimentada está no radar, com relatórios de resultados e dados de emprego, entre outras divulgações econômicas. O petróleo bruto cai mais de US$ 5 por barril e se aproxima das mínimas de três semanas. O dólar está apenas ligeiramente mais baixo nesta manhã, mas em sua própria mínima de um mês e meio, enquanto a taxa dos Treasuries de dez anos dos EUA também está levemente no campo mais baixo, a 4,68. O índice VIX se recupera um pouco hoje, após uma queda acentuada no fim da semana passada, situando-se pouco acima de 16.

Matt Zeller
Matt Zeller
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais
Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.