Síntese semanal | Os contratos de milho operaram em baixa em Chicago na semana passada, com o vencimento de maio/25 recuando 2,3% para fechar a US¢458,50/bu. Além dos fundamentos próprios do mercado de milho, que serão melhor explorados ao longo deste relatório, o mercado também tem sido confrontado com um cenário macroeconômico adverso, com índices acionários operando em forte baixa, devolvendo os ganhos obtidos desde novembro de 2024. Uma ameaça de recessão nos EUA paira no ar frente às preocupações de que tarifas e um enxugamento da máquina pública no país norte-americano podem trazer uma desaceleração da maior economia do mundo. Isso também tem guiado um ambiente de aversão ao risco, ajudando a pressionar mercados.
Intraday (15 min) contrato de maio/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
WASDE | Na última terça-feira, o USDA revisou as suas estimativas para a safra 2024/25 de grãos do mundo. No caso do milho, vimos ajustes pequenos a nível global. Os estoques finais do mundo foram ajustados para baixo, muito ajudado por revisões na produção da safra 2023/24, principalmente no Brasil, onde vimos uma redução de 3 milhões de toneladas na estimativa de produção de milho. O novo número apontou para uma colheita de 119 milhões de toneladas do cereal na safra brasileira do ano passado, se aproximando mais da estimativa da Conab – que é de 115,7 milhões de toneladas –, mas ficando abaixo de outras estimativas; a StoneX, por exemplo, estimou uma safra de 121 milhões de toneladas no ano passado.
Essa revisão, somada a parâmetros de oferta e demanda praticamente inalterados na safra 2024/25 ajudaram a pressionar as estimativas de estoque de passagem a nível global desta safra, que ficaram em quase 289 milhões de toneladas.
Ainda assim, o mercado reagiu negativamente ao relatório da semana passada. O movimento de baixa foi muito relacionado à falta de revisões para a oferta e demanda no balanço norte-americano. Como será comentado no próximo tópico deste relatório, revisões esperadas para a demanda dos EUA não vieram, frustrando alguns agentes e motivando as baixas.
Milho exigido para o processamento de etanol nos EUA (milhões de toneladas)

Fonte: EIA. Elaboração: StoneX.
Produção semanal de etanol nos EUA (mil barris)
Fonte: EIA. Elaboração: StoneX.
Comentários sobre o balanço de milho americano | Existia alguma expectativa de que o USDA revisaria os números de demanda dos EUA. Do lado das exportações, temos observado vendas que superam o ritmo necessário para que se alcance as 62,23 milhões de toneladas atualmente estimadas pelo USDA (ver gráfico abaixo). Além disso, o processamento de milho para a produção de etanol também segue forte. Atualmente, o USDA estima um crescimento de apenas 0,4% no consumo de milho para etanol do país entre a safra 2023/24 e 2024/25. No entanto, o que temos visto sugere um potencial de revisão para esse número. De acordo com os dados da EIA, o volume de milho dedicado às usinas estava, em dezembro, em um ritmo 3,1% maior do que o mesmo período da safra anterior. Além disso, já entrando em 2025, os dados ainda sugerem uma forte ocupação de capacidade das usinas, com uma média diária de produção de etanol seguindo a frente do ano passado consistentemente, como poderá ser visto nos gráficos abaixo. A média de produção de etanol em 2025 está 5,3% maior do que o observado até o início de março do ano passado.
Vendas de exportação de milho dos EUA (milhões de toneladas)

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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Tarifas | O presidente Donald Trump anunciou na semana passada novas tarifas sobre aço e alumínio, o que foi seguido de uma resposta principalmente por parte da China e da União Europeia, o que gerou temores de que uma retaliação a produtos agrícolas norte-americanos poderia trazer impacto para as exportações dos EUA. Por mais que a UE tenha poucas vendas de milho não-embarcadas do país americano, bem como a China esteja um pouco mais ausenta do mercado nos últimos meses, a imposição de tarifas ainda coloca um risco maior para o as exportações norte-americanas no curto prazo. Quanto ao Canadá e ao México – países que poderiam trazer impactos mais substantivos para o milho dos EUA –, a situação parece estar um pouco mais pacificada até o início de abril, quando as tarifas de 25% devem retornar. Até lá, poderemos ver alguma negociação, o que pode dar um respiro ao mercado.