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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir inflação nos EUA, tensões geopolíticas, acordo UE-Mercosul e dados no Brasil

  • Altista
  • Divulgação do CPI de dezembro deve indicar aceleração dos preços, reduzindo apostas por cortes de juros pelo Federal Reserve e sustentando rendimentos elevados dos Treasuries, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.
  • Aumento das tensões geopolíticas globais e sinais de maior intervenção dos EUA na América Latina aumentam percepção de risco regional, podendo favorecer a busca por ativos considerados porto seguro e pressionar moedas de países da região.
  • Possíveis sinalizações de retração da atividade econômica brasileira podem reforçar expectativas de cortes na Selic no primeiro semestre, podendo reduzir a atratividade dos títulos domésticos e enfraquecer o real frente ao dólar.
  • Baixista
  • Avanço na aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul tende a ampliar a expectativa de exportações brasileiras e atrair fluxos financeiros para o país, favorecendo a valorização do real.

Resumo da semana passada

  • Reação tímida dos mercados financeiros ao ataque americano à Venezuela no último sábado (03) e às declarações de Trump a respeito do interesse de anexação da Groenlândia. Apesar do aumento dos riscos geopolíticos globais, o apetite por risco permaneceu resiliente no exterior, o que favoreceu o desempenho do real.
  • Divulgação de dados sobre o mercado de trabalho nos EUA mostraram um cenário de enfraquecimento moderado, embora permaneçam em um aparente estado de equilíbrio. Os dados contribuíram para a diminuição das apostas de cortes de juros nos EUA, o que sustentou o dólar no período.
  • O índice de atividade do setor de serviços medido pelo ISM registrou alta mais expressiva em dezembro, sugerindo que o setor mais relevante da economia americana permanece resiliente.
  • No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro registrou alta abaixo da mediana das estimativas. O resultado desacelerou o aumento acumulado de 12 meses para 4,26% no período, abaixo do teto da meta do Banco Central.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

 

Variações do dólar comercial

Diária: +0,05% | Semanal: -0,61% | Mensal: -1,60% | Anual: -12,77% | Em 12 meses: -11,81% |
 

Variações do Dollar Index

Diária: +0,26% | Semanal: +0,51% | Mensal: +0,62% | Anual: -8,51% | Em 12 meses: -9,32% |

 

O MAIS IMPORTANTE: Dados de inflação nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: altista

Variação em 12 meses do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA 

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Fonte: U.S. Bureau of Economic Analysis (BEA), U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX. 

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) desta terça-feira (13) deve indicar aceleração da inflação americana em dezembro, após dois meses em que a coleta de dados foi prejudicada pela paralisação de 43 dias do governo dos Estados Unidos.

 

Por que isso é importante: A provável leitura mais aquecida do CPI tende a diminuir as apostas por cortes de juros pelo Federal Reserve e favorecer a perspectiva de rendimentos de títulos americanos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

 

Panorama: Durante outubro e novembro, o Bureau of Labor Statistics (BLS) assumiu ausência de variação em diversos componentes por falta de dados, o que pode levar a uma alta mais intensa nesta divulgação como correção.

  • Além disso, fatores sazonais típicos do período de festas costumam pressionar preços em dezembro.
  • Para o período, a mediana das estimativas projeta alta mensal de 0,45%, acima da última leitura disponível, de setembro, quando avançou 0,3%.
  • Embora não tenha divulgado a variação mensal de novembro, o BLS informou que os preços subiram 2,7% nos 12 meses até novembro. A desaceleração surpreendente da última divulgação refletiu, segundo analistas, uma queda incomum nos preços de aluguéis e outros custos habitacionais, itens com peso elevado no cálculo da inflação e que têm sido fonte de preocupação para muitas famílias.
  • Nesse sentido, o bom desempenho anterior pode ter sido mais pontual, devido às distorções provocadas pelo shutdown.

 

Dados de emprego relativamente estáveis: Nesta semana, diferentes indicadores sobre o mercado de trabalho americano apontaram sinais moderados de enfraquecimento, embora tenham permanecido majoritariamente em um estado de equilíbrio, sem aceleração significativa de contratações, mas também sem aumento expressivo de demissões.

  • O mais importante deles, o "Payroll", mostrou leve desaceleração no número de criação de vagas de trabalho fora do setor agrícola, saindo de 56 mil em novembro para 50 mil em dezembro. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego caiu para 4,4%, abaixo dos 4,6% divulgados em novembro.
  • Diante desse cenário ainda apouco claro, investidores seguem acompanhando novos dados para buscar maior visibilidade sobre a evolução da economia do país e, dessa forma, tentar antecipar a trajetória dos juros no país.

 

Pausa nos cortes de juros: Em meio a esse cenário de inflação ainda elevada e dados de atividade econômica sugerindo estabilidade, as principais apostas do mercado indicam manutenção das taxas de juros nas próximas três reuniões, com retomada dos cortes apenas em junho de 2026.

  • Essa perspectiva é reforçada pelo fim do mandato de Jerome Powell, previsto para 15 de maio. O presidente Donald Trump, responsável pela próxima indicação, tem reiterado que escolherá um dirigente mais alinhado a uma política monetária menos restritiva, o que pode abrir espaço para cortes mais adiante.
  • No entanto, enquanto os dados de inflação permanecerem resilientes e não houver sinais claros de desaceleração econômica, os cortes devem seguir pausados.

 

Aumento das tensões geopolíticas

Impacto esperado no USDBRL: altista

Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que forças americanas capturaram com sucesso o presidente venezuelano Nicolás Maduro durante uma operação em Caracas.

  • O episódio marcou uma virada importante nas relações geopolíticas da região, com Trump durante a semana dando outros sinais de que pode intensificar esforços de ampliar a influência política dos Estados Unidos.
  • Além da Venezuela, o presidente americano voltou a reiterar sua intenção de intervir nos governos de outros países, como México e Colômbia, além de novamente discutir opções para anexar a Groenlândia, um estado autônomo da Dinamarca.

 

Por que isso é importante: Apesar da reação tímida dos mercados até o momento, a intensificação das tensões geopolíticas na América Latina tende a pressionar moedas da região, o que pode ser particularmente negativo para o real, em meio à possível busca global por ativos considerados “porto seguro”, como ouro e moedas de países desenvolvidos.

 

Reação tímida dos mercados: Apesar da expectativa de maior volatilidade nos mercados financeiros globais, a invasão à Venezuela gerou repercussões limitadas, tendo se limitado sobretudo aos preços futuros do petróleo.

  • A menor repercussão, pelo menos nesse primeiro momento, parece estar ligada à percepção de que não haverá novos ataques significativos na região, dado o êxito da operação contra Maduro, reduzindo a probabilidade de escalada bélica.

 

Acordo entre União Europeia e Mercosul

Impacto esperado no USDBRL: baixista

A União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9) um acordo comercial com o Mercosul que prevê a redução e eliminação de tarifas e medidas voltadas para facilitar o comércio entre os países.

  • O apoio foi formalizado em uma reunião de embaixadores da União Europeia em Bruxelas e aprovado pelo Conselho Europeu.
  • O texto agora seguirá para o Parlamento Europeu e, se for validado, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, deverá viajar ao Paraguai para assinar o documento com o bloco sul-americano.
  • A expectativa, segundo notícias é que o Mercosul assine o acordo com a UE em 17 de janeiro.
  • Este será o maior acordo comercial já concluído pela UE, pondo fim a 26 anos de negociações, e dará origem à maior zona de livre comércio do mundo

 

Por que isso é importante: Caso validado, o acordo pode elevar o nível das exportações brasileiras, elevando a entrada de fluxos financeiros para o Brasil, o que tende a favorecer o desempenho do real.

 

Contudo: Apesar de diversos setores, o texto segue enfrentando forte resistência de agricultores europeus, sobretudo na França e Irlanda.

  • Segundo notícias, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra e a Bélgica se absteve. Era necessário um mínimo de 15 países, representando 65% da população total do bloco, para a aprovação.

 

Dados econômicos no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

Diante de agenda doméstica esvaziada, investidores devem repercutir a divulgação de dados de atividade econômica no Brasil, com ênfase no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que recuou em 0,20% em outubro, mesma retração registrada em setembro.

  • Além do IBC-Br, a semana conta com a divulgação de dados mensais de serviços e do comércio.

 

Por que isso é importante: A desaceleração da economia brasileira pode reforçar apostas de que o Banco Central iniciará um ciclo de cortes à taxa básica de juros (Selic) já na decisão de janeiro, o que pode diminuir o rendimento dos títulos domésticos e prejudicar a atração de capitais externos, enfraquecendo o real frente ao dólar.

 

Panorama: Após realizar um ciclo intenso de alta de juros e manter a Selic em 15,00% a.a. desde junho, o Banco Central já indicou que pretende baixar os juros ao longo de 2026, embora o início desse ciclo e sua velocidade ainda estejam indeterminados neste momento.

  • Investidores acreditam que essas reduções podem se iniciar na decisão de juros de 29 de janeiro ou na de 18 de março.
  • Embora o BC tenha dado ênfase à dinâmica inflacionária na determinação do momento desse início, a moderação do crescimento econômico a um só tempo reduz riscos de pressões inflacionárias em função da desaceleração da demanda como aumenta os riscos de uma queda mais intensa do PIB caso os juros se mantenham muito restritivos.
  • Por isso, a retração recente da economia favorece as apostas de que o Banco Central cortará a Selic em janeiro.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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