
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados de inflação nos EUA e no Brasil, tensões geopolíticas no Oriente Médio e decisão de juros do BCE

- Moedas
By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Variações do dólar comercial
Diária: +0,05% | Semanal: -0,61% | Mensal: -1,60% | Anual: -12,77% | Em 12 meses: -11,81% |
Variações do Dollar Index
Diária: +0,26% | Semanal: +0,51% | Mensal: +0,62% | Anual: -8,51% | Em 12 meses: -9,32% |
Variação em 12 meses do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) desta terça-feira (13) deve indicar aceleração da inflação americana em dezembro, após dois meses em que a coleta de dados foi prejudicada pela paralisação de 43 dias do governo dos Estados Unidos.
Por que isso é importante: A provável leitura mais aquecida do CPI tende a diminuir as apostas por cortes de juros pelo Federal Reserve e favorecer a perspectiva de rendimentos de títulos americanos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.
Panorama: Durante outubro e novembro, o Bureau of Labor Statistics (BLS) assumiu ausência de variação em diversos componentes por falta de dados, o que pode levar a uma alta mais intensa nesta divulgação como correção.
Dados de emprego relativamente estáveis: Nesta semana, diferentes indicadores sobre o mercado de trabalho americano apontaram sinais moderados de enfraquecimento, embora tenham permanecido majoritariamente em um estado de equilíbrio, sem aceleração significativa de contratações, mas também sem aumento expressivo de demissões.
Pausa nos cortes de juros: Em meio a esse cenário de inflação ainda elevada e dados de atividade econômica sugerindo estabilidade, as principais apostas do mercado indicam manutenção das taxas de juros nas próximas três reuniões, com retomada dos cortes apenas em junho de 2026.
Impacto esperado no USDBRL: altista
Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que forças americanas capturaram com sucesso o presidente venezuelano Nicolás Maduro durante uma operação em Caracas.
Por que isso é importante: Apesar da reação tímida dos mercados até o momento, a intensificação das tensões geopolíticas na América Latina tende a pressionar moedas da região, o que pode ser particularmente negativo para o real, em meio à possível busca global por ativos considerados “porto seguro”, como ouro e moedas de países desenvolvidos.
Reação tímida dos mercados: Apesar da expectativa de maior volatilidade nos mercados financeiros globais, a invasão à Venezuela gerou repercussões limitadas, tendo se limitado sobretudo aos preços futuros do petróleo.
Impacto esperado no USDBRL: baixista
A União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9) um acordo comercial com o Mercosul que prevê a redução e eliminação de tarifas e medidas voltadas para facilitar o comércio entre os países.
Por que isso é importante: Caso validado, o acordo pode elevar o nível das exportações brasileiras, elevando a entrada de fluxos financeiros para o Brasil, o que tende a favorecer o desempenho do real.
Contudo: Apesar de diversos setores, o texto segue enfrentando forte resistência de agricultores europeus, sobretudo na França e Irlanda.
Impacto esperado no USDBRL: altista
Diante de agenda doméstica esvaziada, investidores devem repercutir a divulgação de dados de atividade econômica no Brasil, com ênfase no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que recuou em 0,20% em outubro, mesma retração registrada em setembro.
Por que isso é importante: A desaceleração da economia brasileira pode reforçar apostas de que o Banco Central iniciará um ciclo de cortes à taxa básica de juros (Selic) já na decisão de janeiro, o que pode diminuir o rendimento dos títulos domésticos e prejudicar a atração de capitais externos, enfraquecendo o real frente ao dólar.
Panorama: Após realizar um ciclo intenso de alta de juros e manter a Selic em 15,00% a.a. desde junho, o Banco Central já indicou que pretende baixar os juros ao longo de 2026, embora o início desse ciclo e sua velocidade ainda estejam indeterminados neste momento.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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