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Crise do refino redefine dinâmica global dos derivados de petróleo no quarto trimestre

Crise global de refino pressiona derivados de petróleo

O mercado global de derivados de petróleo deve encerrar 2026 sob forte influência de uma crise sem precedentes no setor de refino, marcada por interrupções operacionais, tensões geopolíticas e oferta limitada de combustíveis. Segundo análise da 37ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, lançada em 8 de outubro, esse cenário deverá manter os preços do diesel sustentados nos próximos meses e aumentar a competição global por suprimento, com reflexos diretos para o mercado brasileiro.

Embora as atenções tenham se concentrado ao longo do ano nas oscilações do petróleo bruto em razão dos conflitos no Oriente Médio, o principal desequilíbrio do mercado está nos derivados. Durante o terceiro trimestre, as margens globais de refino alcançaram níveis historicamente elevados, refletindo a dificuldade de recuperação da capacidade global de processamento.

“O mercado entrou em uma crise estrutural de refino. Mesmo quando há maior disponibilidade de petróleo, isso não significa necessariamente mais combustíveis à disposição. O problema central está na capacidade de transformar esse petróleo em derivados, especialmente diesel”, afirma Bruno Cordeiro, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Diesel concentra as maiores pressões no quarto trimestre

A avaliação da StoneX aponta que o diesel permanecerá como o mercado mais pressionado no quarto trimestre.

A crise é impulsionada principalmente pelas interrupções em refinarias da Rússia, que tiveram parte significativa de sua capacidade comprometida após ataques ucranianos, e por paralisações não programadas em unidades do Oriente Médio. Ao mesmo tempo, a suspensão das exportações russas de diesel reduziu ainda mais a disponibilidade global do combustível.

O resultado foi uma escalada histórica das margens de refino. O diferencial entre o diesel internacional e o petróleo atingiu recordes inéditos ao longo do terceiro trimestre, evidenciando a escassez do produto no mercado internacional.

Para os próximos meses, a StoneX projeta que os crack-spreads do diesel permaneçam elevados, sustentados pela limitação da oferta mundial e pela disputa entre importadores para garantir abastecimento.

“Ainda vemos um cenário de competição intensa pelo diesel no mercado internacional. Uma retomada antecipada das exportações russas poderia aliviar parte dessa pressão, mas esse não é o cenário mais provável neste momento”, explica Cordeiro.

Preços e importações de diesel no Brasil

No Brasil, os efeitos desse contexto global já são visíveis.

A defasagem entre os preços internacionais do diesel e os valores praticados internamente atingiu níveis recordes ao longo do terceiro trimestre, refletindo tanto a valorização do petróleo quanto o encarecimento dos derivados no mercado externo.

Em paralelo, as importações brasileiras de diesel recuaram diante da menor disponibilidade global do produto e da interrupção das compras de origem russa. Para compensar parte desse movimento, as refinarias nacionais ampliaram a produção de diesel, direcionando esforços para aumentar a oferta de destilados médios ao mercado doméstico.

Segundo a StoneX, esse processo deverá continuar no quarto trimestre, principalmente porque o abastecimento internacional permanece cercado de incertezas.

“O Brasil conseguiu ampliar sua produção doméstica, mas segue exposto ao cenário global. Quando há menos produto disponível no mercado internacional, o custo das importações aumenta e a reposição dos volumes se torna mais complexa”, destaca Cordeiro.

Exportações dos Estados Unidos ampliam riscos de abastecimento

Outro fator que poderá influenciar o mercado global de diesel nos próximos meses está nos Estados Unidos.

As refinarias norte-americanas operaram próximas de sua capacidade máxima durante grande parte do terceiro trimestre, aproveitando margens historicamente atrativas. Ao mesmo tempo, os estoques internos de diesel permaneceram em níveis reduzidos.

Nesse contexto, ganhou força o debate sobre possíveis limitações às exportações norte-americanas do combustível, medida que poderia aprofundar ainda mais o aperto global.

Para a StoneX, uma eventual restrição dos embarques dos Estados Unidos, combinada à ausência do diesel russo, teria potencial para elevar significativamente os riscos de abastecimento em diversas regiões do mundo.

Gasolina deve registrar desaceleração gradual

No segmento de gasolina, o cenário é diferente.

Embora as margens de refino permaneçam historicamente elevadas, a expectativa é de uma desaceleração gradual ao longo do quarto trimestre. O principal motivo é o fim da temporada de viagens de verão nos Estados Unidos e na Europa, período que tradicionalmente concentra o pico de consumo do combustível.

Mesmo assim, a StoneX ressalta que o mercado continua apertado em termos históricos. Os estoques globais seguem abaixo das médias de longo prazo e a menor disponibilidade de derivados mantém a sustentação dos preços.

“O mercado de gasolina continua equilibrado por uma oferta limitada, mas o diesel permanece como o principal foco de tensão. As regiões afetadas pelas interrupções operacionais exportam predominantemente destilados médios, o que explica por que as margens do diesel seguem muito mais pressionadas”, afirma Letícia Corrêa, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Produção e importações de gasolina no Brasil

No Brasil, a produção de gasolina recuou ao longo de 2026, refletindo a priorização de derivados com maior rentabilidade pelas refinarias nacionais.

Como consequência, as importações cresceram significativamente em comparação ao ano anterior, ampliando a dependência do mercado brasileiro em relação ao abastecimento externo.

Apesar das pressões observadas ao longo do primeiro semestre, os preços domésticos passaram a mostrar maior acomodação desde julho. Ainda assim, a demanda continua crescendo e deve seguir sustentando a necessidade de importações durante o quarto trimestre.

Perspectivas para o mercado de combustíveis no fim de 2026

De forma geral, a StoneX avalia que o quarto trimestre de 2026 continuará sendo marcado por um mercado global de derivados desequilibrado.

No caso do diesel, a combinação entre capacidade de refino reduzida, restrições de exportação e estoques apertados deve manter os preços sustentados. Já para a gasolina, embora as margens devam perder força gradualmente por fatores sazonais, os níveis permanecem elevados em relação aos padrões históricos.

“Entramos na reta final do ano com um mercado de derivados ainda fortemente impactado pela crise global de refino. O diesel continua sendo o elo mais vulnerável da cadeia, enquanto a gasolina tende a apresentar algum alívio sazonal. Ainda assim, os fundamentos seguem apontando para um ambiente de preços elevados e disponibilidade limitada de combustíveis”, conclui Cordeiro.


SERVIÇO:

A análise completa está disponível na 37ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, elaborado pela equipe de Inteligência de Mercado da empresa.

Lançado em 8 de outubro, o material conta com avaliações detalhadas para mercados agrícolas, energéticos, macroeconômicos e financeiros.

Link para download: https://stonex.link/perspectivas4triderivadospetroleo

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