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Etanol ganha espaço e sustenta novos recordes do Ciclo Otto no Brasil

Etanol hidratado lidera crescimento do Ciclo Otto

O consumo brasileiro de combustíveis leves deve alcançar novos recordes em 2026 e 2027, segundo projeções da StoneX. A consultoria estima que a demanda do Ciclo Otto, medida em gasolina equivalente, chegará a 63,72 milhões de m³ em 2026, crescimento de 3,57% em relação a 2025. Para 2027, a expectativa é de um avanço mais moderado, de 1,85%, para 64,90 milhões de m³.

A revisão da estimativa para 2026 reflete o crescimento de 3,91% acumulado até setembro. Para o ano seguinte, entretanto, o ritmo deve perder força diante da base de comparação mais elevada, da piora das expectativas para o Produto Interno Bruto e das incertezas relacionadas à continuidade das subvenções aos combustíveis.

“O mercado brasileiro de combustíveis leves deve renovar seu recorde de consumo nos dois anos, mas com dinâmicas diferentes. Em 2026, o crescimento ainda é sustentado pelo nível elevado de mobilidade e pelo desempenho registrado até setembro. Em 2027, esperamos uma expansão mais moderada, influenciada pelo cenário econômico e pelas incertezas em torno das políticas públicas para os combustíveis”, explica Letícia Corrêa, analista de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil.

O etanol hidratado deve permanecer como o principal motor de crescimento do mercado. A StoneX projeta consumo de 22,72 milhões de m³ em 2026, alta anual de 6,97%. Em 2027, o volume deve alcançar 24 milhões de m³, avanço de 5,64%. Com isso, a participação nacional do biocombustível no Ciclo Otto deve passar de 24,96% para 25,89% entre os dois anos.

O hidratado deve responder por aproximadamente 47% do crescimento do Ciclo Otto em 2026 e por 76% da expansão prevista para 2027. O ganho de participação ocorre mesmo após a alta dos preços do etanol nas bombas entre setembro e outubro ter reduzido sua competitividade frente à gasolina em parte do país.

“O etanol segue ganhando relevância na matriz de combustíveis leves. Apesar da piora recente da paridade nas bombas, o hidratado mantém uma perspectiva de crescimento superior à da gasolina e deve ampliar sua participação em todas as regiões brasileiras em 2027”, afirma Letícia.


Gráfico da demanda de combustíveis do Ciclo Otto no Brasil e projeção da participação do etanol hidratado entre 2026 e 2027.

Mobilidade e vendas de veículos sustentam consumo

Entre os fatores que sustentam o consumo de combustíveis leves está o desempenho da mobilidade rodoviária. Mesmo após a desaceleração observada em setembro, o índice ABCR permaneceu acima das máximas dos três anos anteriores e da média do período em todos os meses de 2026.

As vendas de veículos novos também contribuem para esse cenário. Os emplacamentos de modelos do Ciclo Otto, movidos a gasolina ou flex, chegaram a 1,5 milhão de unidades até setembro, crescimento de 6,4% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, as vendas de veículos eletrificados alcançaram 433,9 mil unidades.

“Embora a eletrificação avance, a frota do Ciclo Otto, principalmente de veículos flex, continua majoritária e em expansão. Esse movimento, combinado ao patamar elevado da mobilidade rodoviária, ajuda a sustentar uma demanda por gasolina e etanol superior à registrada no ano passado”, observa Letícia.

Ciclo Otto deve crescer no último trimestre de 2026

Para o último trimestre de 2026, a StoneX projeta consumo de 16,92 milhões de m³ no Ciclo Otto, aumento de 2,64% em comparação com o mesmo período de 2025. Embora inferior ao ritmo acumulado até setembro, o volume representa crescimento de 7,30% em relação ao quarto trimestre de 2024.

A desaceleração anual decorre, em parte, de uma base de comparação atípica. No último trimestre de 2025, a menor disponibilidade de etanol anidro impulsionou o consumo de gasolina C, que avançou 7,31%. Para os três últimos meses de 2026, a StoneX estima queda de 0,89% da gasolina e expansão de 14,24% do etanol hidratado.

Economia e subvenções devem influenciar mercado em 2027

A projeção mais moderada para 2027 também acompanha a revisão das expectativas para a economia brasileira. Conforme os dados apresentados no estudo, a estimativa de mercado para o crescimento do PIB em 2027 recuou de 1,80% no fim de março para 1,32% na leitura mais recente considerada na análise.

Outro ponto de atenção é a continuidade dos benefícios concedidos aos combustíveis. O material aponta desoneração de tributos federais de R$ 0,89 por litro para a gasolina. Para o etanol hidratado, são considerados R$ 0,1922 por litro em desoneração e R$ 0,43 por litro em subvenção. O estudo ressalta que havia incerteza quanto ao andamento dessas políticas públicas após o início de novembro.

“A manutenção ou retirada dos benefícios pode alterar a competitividade relativa entre gasolina e etanol e, consequentemente, a composição do consumo. Por isso, a evolução das políticas públicas será uma variável importante para o mercado ao longo de 2027”, aponta a analista.

Consumo de etanol avança em 2026

Até setembro de 2026, o consumo acumulado de etanol hidratado chegou a 16,44 milhões de m³, aumento de 4,43% na comparação anual. Agosto e setembro registraram altas de 21,12% e 15,74%, respectivamente. No Norte e no Nordeste, o crescimento acumulado no período foi de 12,87%.

Gasolina C desacelera e deve ficar estável em 2027

Para a gasolina C, a StoneX estima consumo de 47,81 milhões de m³ em 2026, aumento de 2,48%. O resultado é sustentado pelo desempenho observado até setembro, período no qual a demanda cresceu 3,74% em relação aos mesmos meses de 2025.

A partir de agosto, contudo, o mercado começou a apresentar sinais de desaceleração. A variação anual foi de 0,43% naquele mês e de retração de 1,85% em setembro. No Centro-Sul, as quedas chegaram a 1,02% e 3,85%, respectivamente.

Para 2027, a expectativa é de praticamente estabilidade no consumo de gasolina C, com expansão de apenas 0,59%, para 48,10 milhões de m³. A projeção considera o avanço do etanol hidratado, o cenário macroeconômico mais restritivo e as incertezas relacionadas às subvenções.

“O avanço do etanol tende a limitar o crescimento da gasolina. Em 2027, projetamos retração do consumo de gasolina C no Centro-Oeste e no Norte, estabilidade no Sudeste e aumentos moderados no Sul e no Nordeste”, detalha a analista.

Demanda por combustíveis avança de forma desigual entre regiões

Em 2026, Sudeste e Sul devem responder conjuntamente por cerca de 1,34 milhão de m³ adicionais de combustíveis leves, em gasolina equivalente, o que representa 61% do crescimento nacional. Em termos relativos, porém, os maiores avanços devem ocorrer no Norte, com alta de 5,06%, e no Centro-Oeste, com 4,30%.

Etanol cresce com força no Nordeste e no Sul

O crescimento do etanol hidratado deve ser especialmente expressivo no Nordeste e no Sul, com altas projetadas de 19,56% e 15,45%, respectivamente. No Sudeste, principal mercado brasileiro do biocombustível, sua participação deve avançar 0,58 ponto percentual em 2026, chegando a 35,25%.

Em 2027, o crescimento deve perder força em todas as regiões. Sul e Nordeste devem apresentar as maiores expansões do Ciclo Otto, de 2,19% e 2,02%, respectivamente. O Centro-Sul continuará como o principal polo de demanda, com 48,90 milhões de m³, enquanto Norte e Nordeste, somados, devem alcançar 15,99 milhões de m³.

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