Mercado global de algodão enfrenta pressões baixistas, mas Brasil mantém protagonismo nas exportações
Apesar da manutenção de uma perspectiva baixista para o mercado global de algodão no curto prazo, diversos fatores seguem influenciando o setor, segundo Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, empresa global de serviços financeiros. Com o fim da colheita nos EUA, o foco do mercado se volta ao Brasil no início de 2026.
Segundo análise divulgada no Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, os produtores brasileiros já se organizam para a próxima safra, com expectativa de leve redução na área plantada. “Ainda assim, o bom andamento do plantio da soja reforça o otimismo com o algodão de segunda safra. O Brasil deve manter sua posição de destaque como maior exportador global e um dos principais produtores mundiais da fibra”, disse o analista.
A safra americana, cuja colheita já se aproxima do fim, ainda poderá sofrer revisões, embora o cenário de paralisação – e a consequente falta de dados e estimativas oficiais – do governo americano ainda resulte em elevada incerteza.
No cenário macroeconômico, a possível flexibilização da política monetária em países desenvolvidos, especialmente nos Estados Unidos, pode impulsionar o consumo global. “A expectativa de cortes adicionais na taxa de juros pelo Federal Reserve fortalece a confiança na recuperação econômica, o que pode beneficiar o setor têxtil e, consequentemente, o mercado de algodão no médio prazo”, destacou.
Desde 2024, os preços internacionais do algodão têm enfrentado forte pressão. Estoques elevados e baixa performance das exportações americanas contribuem para a estabilidade das cotações na bolsa de Nova Iorque, que operam entre US$ 66/lb e US$ 69/lb. A dinâmica atual reflete um mercado pouco movimentado, com fundamentos frágeis e perspectivas incertas.
Na safra 2024/25, os EUA colheram 3,14 milhões de toneladas de algodão – volume suficiente para elevar a relação estoque/uso ao terceiro maior nível em 15 anos. Esse cenário pressionou os preços e levou a uma redução de quase 17% na área plantada para a safra 2025/26. A demanda interna americana segue enfraquecida, com o consumo doméstico no menor patamar desde o século XIX, enquanto o mercado exportador enfrenta desafios de competitividade.
Acordos comerciais com países como Vietnã e a isenção temporária de tarifas de importação pela Índia até o fim do ano são fatores positivos para os embarques americanos. No entanto, segundo Bulascoschi, a menor participação da China, que comprou menos de 100 mil toneladas na safra passada, limita o avanço das exportações dos EUA. A China tem priorizado origens como Brasil e Austrália, em meio à retomada das tensões comerciais com os americanos.
O Brasil, por sua vez, colheu três safras recordes consecutivas, com estimativas de até 4 milhões de toneladas em 2025. As projeções indicam embarques próximos de 3 milhões de toneladas por ano, consolidando o país como líder nas exportações globais. A competitividade brasileira deve se intensificar no final do ano, coincidindo com o início da colheita americana.
“Mesmo com uma produção considerada satisfatória nos EUA, o desempenho dos embarques será decisivo para o equilíbrio do mercado. A forte concorrência brasileira pode renovar as pressões baixistas”, afirma Bulascoschi.
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