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Produção de café da Etiópia recua 1,5% na safra 2025/26, apesar de ganhos regionais

Após recorde de exportações em 2024/25 impulsionado por preços elevados, embarques devem cair no ciclo 2025/26 diante da forte desvalorização da moeda local e do ambiente inflacionário.

Etiópia, um dos principais players globais no mercado de café, deve registrar um valor de produção levemente inferior na safra 2025/26 em relação ao ciclo 2024/25, segundo Análise da Produção de Café Arábica e Estimativa de Safra divulgada pela StoneX, empresa global de serviços financeiros. A produção do país está estimada em 7,691 milhões de sacas para 2025/26, com recuo de 1,5% na comparação com o ciclo anterior, refletindo uma combinação de fatores produtivos e estruturais, mesmo em um ambiente de avanços pontuais em determinadas regiões

Quinto maior produtor mundial de café e terceiro em arábica, depois de Brasil Colômbia, o país mantém protagonismo global e relevância estratégica para a commodity. No entanto, desafios continuam limitando o potencial do setor, especialmente a baixa produtividade média nacional, estimada em cerca de 646 kg por hectare

O levantamento de campo realizado em cinco distritos representativos: Mana (Jimma, Oeste), Gimbo e Shishonde (Kaffa, Sudoeste), Hambela (Guji, Sul) e Bensa-Daye (Sidama, Sul), aponta uma dinâmica produtiva fortemente assimétrica na safra 2025/26. Regiões do Oeste e Sudoeste registraram expressivos ganhos de produtividade, como em Gimbo (+119%), Shishonde (+95%) e Mana (+38%), enquanto distritos do Sul enfrentaram retração, com quedas de 19% em Bensa-Daye e 26% em Hambela. 

 

Produção café por região (Mil sacas)


Segundo o relatório da Inteligência de Mercado da StoneX, apesar do avanço de 18% na produtividade média nacional, impulsionado pelas regiões em safra cheia, o impacto do ciclo bienal e das condições climáticas menos favoráveis no Sul do país contribuiu para o leve recuo no volume total produzido. 

cafeicultura etíope segue predominantemente familiar, com propriedades pequenas e baixa escala produtiva, o que limita o acesso a insumos, equipamentos e tecnologias. Entre os principais gargalos agronômicos, destaca-se a baixa adoção de práticas como poda e rejuvenescimento das lavouras

Conforme o reporte, a poda, essencial para a renovação e ganho de produtividade, ainda não é realizada pela maioria dos produtores em distritos-chave, muitas vezes por falta de ferramentas básicas. Já técnicas de rejuvenescimento, como a recepa, também apresentam baixa disseminação. 

Por outro lado, o levantamento evidencia avanços importantes na renovação do parque cafeeiro. O aumento do plantio de novas mudas, motivado pelos preços elevados nos últimos anos, aponta para um movimento estrutural positivo, ainda que com efeitos mais perceptíveis no médio prazo. 

Há um avanço relevante no plantio de novas mudas, que indica uma resposta do produtor ao ambiente de preços mais atrativos. No entanto, a baixa adoção de práticas como poda e rejuvenescimento continua sendo um entrave importante para ganhos sustentáveis de produtividade no curto prazo

De acordo com o levantamento, desequilíbrios na estrutura etária das lavouras também ajudam a explicar parte da performance atual. Enquanto em regiões como Mana há envelhecimento significativo das plantas, em áreas como Bensa-Daye a presença elevada de mudas jovens ainda não produtivas limita o desempenho no curto prazo. 

Esse movimento de renovação é positivo do ponto de vista estrutural e tende a sustentar o crescimento da produção nos próximos ciclos, mas traz um efeito temporário de redução da produtividade até que essas plantas atinjam pleno desenvolvimento. 


Exportação de café (mil sacas)

Exportações recuam após recorde histórico e mudança de comportamento dos produtores

Após o recorde histórico de 7,8 milhões de sacas exportadas em 2024/25, a Etiópia deve registrar uma queda acentuada nos embarques na safra 2025/26, com recuo estimado de cerca de 30%, para 5,48 milhões de sacas

O ajuste reflete, em primeiro lugar, a queda dos preços internacionais após o pico observado no ciclo anterior, o que reduziu a atratividade das vendas externas. Além disso, exportadores enfrentam compressão de margens, após aquisição de café no mercado interno a preços elevados. 

Outro fator relevante destacado no relatório é a mudança no comportamento dos produtores, que passaram a reter estoques diante da forte desvalorização do birr e do ambiente inflacionário

Após um ciclo de preços internacionais muito elevados, o mercado passa por um momento de ajuste. A retenção de estoques por parte dos produtores, somada à queda das cotações externas, contribui para uma retração significativa nas exportações nesta safra. 

 

O café tem sido utilizado como uma espécie de proteção cambial pelos produtores, conforme desstaca o levantamento da StoneX, em um cenário de forte desvalorização da moeda local, o que reduz ainda mais a disponibilidade para exportação no curto prazo. 

Apesar da desaceleração dos embarques, a combinação entre menor exportação e queda no consumo doméstico, pressionado pela inflação e alta de preços no varejo, deve permitir uma recomposição parcial dos estoques ao longo do ciclo 2025/26. 

Produção deve seguir volátil em 2026/27 com inversão do ciclo bienal 

Para a safra 2026/27, a produção de café da Etiópia é projetada em 7,58 milhões de sacas, o que representa uma leve retração de 1,4% em relação à safra 2025/26. O principal fator por trás desse movimento é a inversão do ciclo bienal entre as regiões produtoras. 

Após um ano de forte desempenho, o Sudoeste tende a entrar em ciclo de baixa, com queda projetada de 30%, enquanto o Sul, que registrou retração nesta safra, deve retomar o ciclo de alta, com crescimento estimado em 60%. Regiões como Leste e Norte também devem apresentar recuperação moderada. 

 

Estimativa de produção por região (milhares de sacas)


Apesar dessa retomada no Sul, o elevado percentual de plantas jovens ainda em fase não produtiva pode limitar o potencial de crescimento no curto prazo, especialmente em regiões como Bensa-Daye. Da mesma forma, áreas em processo recente de rejuvenescimento demandarão mais um ciclo para atingir plena produtividade. 

No curto prazo, segundo a StoneX, a produção continuará refletindo o padrão do ciclo bienal, mantendo a volatilidade entre regiões. No médio e longo prazo, o avanço da renovação das lavouras e a maior adoção de práticas agronômicas serão determinantes para elevar a produtividade e sustentar a competitividade da Etiópia no mercado global de café. 

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

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