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Seis pontos que vão movimentar o mercado de grãos em 2026

Soja, milho e trigo sob influência de acordos, clima e políticas energéticas

O ano de 2026 promete ser movimentado para o mercado global de grãos. Entre acordos comerciais, políticas energéticas e projeções de safra, produtores, indústrias e tradings terão de lidar com um cenário dinâmico e cheio de incertezas. Alguns pontos importantes devem ser observados para quem precisa tomar decisões envolvendo negociações com este tipo de commodity.

1. Andamento do acordo comercial entre China e Estados Unidos

O cumprimento do acordo comercial firmado entre Washington e Pequim segue como um dos pilares para o mercado global de soja. A China, maior importadora mundial do grão, e os Estados Unidos, tradicional fornecedor, mantêm uma relação que influencia diretamente as cotações internacionais. Para 2026, a expectativa gira em torno da aquisição de 12 milhões de toneladas de soja americana até fevereiro, além da meta de 25 milhões de toneladas anuais pelos próximos três anos. Qualquer sinal de descumprimento ou renegociação tende a gerar volatilidade, especialmente porque a soja é frequentemente usada como instrumento estratégico em momentos de tensão comercial. Esse cenário intensifica a disputa com a soja brasileira, que conquistou espaço relevante no mercado chinês e deve continuar competitiva graças aos preços atrativos.

2. Desenvolvimento das safras na América do Sul

Brasil e Argentina permanecem como protagonistas na produção global de soja e milho, e o desempenho das lavouras será determinante para a formação de preços. Projeções indicam safra recorde no Brasil, acima de 177 milhões de toneladas de soja, consolidando sua liderança mundial. Contudo, fatores climáticos, como seca ou excesso de chuvas, continuam sendo riscos significativos, capazes de alterar estimativas e impactar estoques globais. A sensibilidade às condições meteorológicas reforça a necessidade de acompanhamento contínuo, já que ajustes nos relatórios do USDA podem influenciar contratos futuros e estratégias de hedge.

3. Políticas de biocombustíveis nos Estados Unidos

As definições da EPA sobre os Renewable Volume Obligations (RVOs) para 2026 são aguardadas com expectativa, pois determinam as cotas de mistura de etanol e biodiesel nos combustíveis. A proposta inicial previa metas mais altas, beneficiando produtores de soja e milho ao ampliar a demanda doméstica. No entanto, o adiamento da decisão para o primeiro trimestre de 2026 trouxe incertezas, dificultando o planejamento de estoques e contratos. Essa indefinição aumenta a volatilidade nas bolsas e afeta diretamente o equilíbrio entre consumo interno e importações de biocombustíveis.

4. Expansão da produção de etanol de milho no Brasil

O Brasil vive um ciclo de investimentos robustos na indústria de etanol de milho, com aportes superiores a R$ 23 bilhões em novas plantas e ampliações. A expectativa é que o etanol de milho represente cerca de 30% do mix nacional de biocombustíveis na safra 2026/27. Esse avanço implica maior demanda interna por milho, reduzindo a oferta para exportação e pressionando preços domésticos. Além disso, a produção gera coprodutos como DDGs, agregando valor à cadeia e influenciando estratégias de plantio e comercialização.

5. Estimativa de safra recorde de trigo na Argentina

Com projeções entre 23 e 27,7 milhões de toneladas, a Argentina pode alcançar níveis históricos na produção de trigo. Essa oferta robusta tende a pressionar preços internacionais, especialmente em um cenário de estoques ajustados. Para o Brasil, maior importador sul-americano, volumes recordes podem reduzir compras de outras origens e alterar prêmios no mercado global. A competitividade argentina também pode abrir espaço em destinos alternativos, como África e Sudeste Asiático, caso logística e preços se mantenham favoráveis.

6. Competição global e volatilidade nos preços

Todos os fatores acima convergem para um ambiente de alta competitividade e volatilidade. A interação entre políticas públicas, clima, acordos comerciais e investimentos em biocombustíveis cria um cenário dinâmico, exigindo atenção redobrada de produtores, traders e indústrias. Monitorar esses movimentos será essencial para antecipar tendências e mitigar riscos em um mercado cada vez mais integrado e sensível a variáveis externas.

Para quem atua no setor de grãos, informação e agilidade serão diferenciais estratégicos em 2026. Monitorar esses seis pontos de atenção não é apenas uma recomendação: é uma necessidade para antecipar tendências, reduzir riscos e aproveitar oportunidades em um cenário global cada vez mais competitivo.


Escrito por: Letícia Guimarães

Especialista: Julia Viana

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

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