StoneX eleva projeção para combustíveis leves em 2026 e prevê novo recorde de consumo no Brasil
Projeção recorde para consumo de combustíveis leves em 2026
A StoneX, empresa global de serviços financeiros, revisou para cima sua projeção de consumo de combustíveis leves no Brasil em 2026 e estima que a demanda total do Ciclo Otto alcance 62,9 milhões de metros cúbicos, um crescimento de 2,25% em relação a 2025. O volume anual revisado neste mês de junho representa um novo recorde da série histórica acompanhada pela consultoria e reflete o fortalecimento da atividade econômica, a expansão da frota de veículos flex e o desempenho positivo observado nos primeiros meses do ano.
Do total projetado para 2026, a gasolina C deverá responder por 47 milhões de m³, com alta de 0,8%, enquanto o consumo de etanol hidratado deverá alcançar 22,7 milhões de m³, avanço de 6,9% na comparação anual.
*Estimativa e Elaboração: StoneX . Fonte: StoneX e ANP.
Crescimento do Ciclo Otto e revisão das projeções
Entre janeiro e maio de 2026, o consumo de combustíveis leves cresceu 3,5%, somando 25,7 milhões de m³ em gasolina equivalente. O resultado foi sustentado pelo aumento da frota de veículos leves, especialmente flex, que avançou 2,4%, e pela continuidade da recuperação da demanda das famílias.
Diante desse cenário, a StoneX revisou sua expectativa para o Ciclo Otto, elevando a projeção de crescimento de 1,95%, divulgada em abril, para 2,25%.
“O desempenho acima do esperado nos primeiros meses do ano, combinado com perspectivas mais favoráveis para o PIB e com o aumento contínuo da frota circulante, levou a uma revisão positiva das nossas estimativas. Com isso, o consumo de combustíveis leves deve atingir um novo recorde histórico em 2026”, afirma Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
Perspectiva de crescimento mais moderado no pós-pandemia
Segundo a analista, apesar da expansão prevista, o mercado deve apresentar um ritmo de crescimento mais moderado do que o observado nos anos posteriores à pandemia.
“Os efeitos de recuperação econômica após a pandemia vêm se dissipando gradualmente, enquanto os padrões de mobilidade já se encontram mais estabilizados. Ainda assim, os fundamentos seguem positivos para a demanda”, acrescenta Garcia.
Na análise regional, o maior crescimento absoluto do consumo deverá ocorrer nas regiões Sudeste e Sul, enquanto os avanços percentuais mais expressivos são esperados para Norte e Centro-Oeste.
Desempenho da gasolina em 2026
As vendas de gasolina C apresentaram forte desempenho entre janeiro e maio, totalizando 19,7 milhões de m³, alta de 5,8% frente ao mesmo período de 2025. O destaque foi o Centro-Oeste, onde o consumo avançou 10,7%.
Apesar do resultado robusto no primeiro semestre, a StoneX projeta uma desaceleração do ritmo de crescimento ao longo da segunda metade do ano, especialmente diante da maior competitividade do etanol hidratado em mercados relevantes, como São Paulo.
“O consumo de gasolina mostrou força no início de 2026, mas a tendência para os próximos meses é de acomodação, à medida que o etanol ganha competitividade em importantes regiões consumidoras. Por isso, projetamos um crescimento mais moderado para o fechamento do ano”, explica Letícia Corrêa, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
Impactos de subsídios e política energética nos preços
A especialista destaca que o ambiente regulatório seguirá no radar do mercado. Atualmente, o governo federal avalia o futuro dos subsídios aos combustíveis fósseis, em especial o benefício de R$ 0,44 por litro sobre a gasolina.
“A eventual retirada dos subsídios poderia impactar diretamente os preços ao consumidor, elevando a competitividade relativa do etanol. Esse é um dos principais fatores de atenção para o mercado nos próximos meses”, afirma Corrêa.
Outro tema acompanhado pela consultoria é a possível implementação da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), medida ainda em avaliação pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Impactos do E32 no mercado de gasolina e etanol
Segundo cálculos da StoneX, caso o E32 entre em vigor em agosto, a demanda por gasolina A poderá ser reduzida em aproximadamente 400 mil m³ em 2026.
A adoção do E32 também teria impacto relevante sobre o mercado de etanol anidro.
No cenário-base da StoneX, considerando a manutenção da mistura atual de 30%, o consumo de anidro deve atingir 14,1 milhões de m³ em 2026, crescimento de cerca de 897 mil m³ em relação ao ano anterior. Já em um cenário com E32 a partir de agosto, a demanda poderia alcançar 14,5 milhões de m³, quase 400 mil m³ adicionais.
Além de aumentar a participação dos biocombustíveis na matriz energética, a medida reduziria a necessidade de importação de gasolina.
“A ampliação da mistura obrigatória fortaleceria a demanda por anidro e contribuiria para reduzir a dependência de gasolina importada. Hoje, os níveis elevados de produção e estoques indicam que o setor tem capacidade para absorver esse consumo adicional”, observa Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
Segundo as estimativas da consultoria, a implementação do E32 poderia reduzir em cerca de 31% as importações de gasolina A, considerando níveis de produção doméstica semelhantes aos observados em 2025.
Oferta e competitividade do etanol no Brasil
Do lado da oferta, o mercado brasileiro de etanol segue amparado por uma safra robusta. A StoneX projeta produção total de 38 milhões de m³ de etanol na safra 2026/27, crescimento de 12,7%. O volume contempla 24,2 milhões de m³ de etanol hidratado, alta de 16,3%, além de produção recorde de etanol de milho, estimada em 11 milhões de m³.
O aumento da disponibilidade do biocombustível já se reflete nos preços. Em São Paulo, a paridade entre etanol hidratado e gasolina C recuou para 60,1% em maio, o menor nível dos últimos cinco anos.
“Estamos observando um cenário bastante favorável para o consumo de etanol hidratado. A combinação entre oferta recorde, preços mais competitivos e possível avanço do E32 cria condições para uma recuperação consistente da participação do biocombustível no Ciclo Otto”, afirma Marcelo Di Bonifacio Filho.
Participação do etanol no Ciclo Otto
A StoneX projeta que a participação do etanol hidratado nas vendas totais do Ciclo Otto alcance 25,3% em 2026, ante 23,5% observados nos primeiros cinco meses do ano. No pico da safra, esse percentual poderá se aproximar de 27%, impulsionado pela maior competitividade do produto e pela expansão da oferta nacional.
Com isso, a expectativa da consultoria é que o segundo semestre seja marcado por preços historicamente baixos para o etanol durante o período de maior produção, sustentando a recuperação gradual da demanda em todo o país.
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