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Descarbonização: o que é, por que importa e como colocá-la em prática

O que é descarbonização?

Descarbonização é o processo de redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) associadas a sistemas econômicos, atividades produtivas, cadeias de valor, processos industriais, geração e consumo de energia, transportes, uso da terra e demais fontes antropogênicas de emissões.

Embora o termo faça referência ao carbono, uma estratégia de descarbonização não se limita ao dióxido de carbono (CO₂). Dependendo da atividade analisada, também devem ser considerados outros gases de efeito estufa, como metano (CH₄), óxido nitroso (N₂O) e gases fluorados. Para permitir sua contabilização conjunta, as emissões são normalmente convertidas em dióxido de carbono equivalente (CO₂e), utilizando métricas de equivalência climática definidas pela metodologia adotada.

A descarbonização integra o conjunto de medidas de mitigação da mudança do clima, isto é, intervenções destinadas a reduzir emissões antropogênicas de GEE ou aumentar remoções por sumidouros. Entre as principais alternativas estão a eficiência energética e material, a eletrificação de usos finais, a substituição de combustíveis, a utilização de energia de baixa emissão de GEE, mudanças em processos produtivos, circularidade, redução de emissões de metano, adoção de tecnologias de captura de carbono em aplicações específicas e mudanças na gestão da terra e dos sistemas produtivos.

O IPCC destaca que trajetórias compatíveis com a limitação do aquecimento global requerem reduções profundas, rápidas e sustentadas das emissões em todos os principais setores da economia. Nos sistemas energéticos de emissões líquidas nulas, características recorrentes incluem maior eletrificação dos usos finais, redução substancial do consumo de combustíveis fósseis, maior eficiência energética e utilização de vetores energéticos de baixa emissão em atividades de difícil eletrificação.

No Brasil, a política climática passou por atualização relevante com a consolidação do Plano Clima 2024–2035, principal instrumento nacional para orientar ações de mitigação e adaptação. O eixo de mitigação é composto por uma Estratégia Nacional de Mitigação e oito Planos Setoriais, com objetivos, metas, ações, indicadores e meios de implementação até 2035.

A atual Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira estabelece uma meta de redução das emissões líquidas de GEE entre 59% e 67% abaixo dos níveis de 2005 até 2035, abrangendo toda a economia. Em termos absolutos, a meta corresponde a emissões líquidas entre aproximadamente 0,85 e 1,05 GtCO₂e em 2035, conforme a métrica utilizada na NDC.

Destaques

  • Redução de emissões: a descarbonização busca reduzir emissões de GEE dentro das operações e cadeias de valor, priorizando intervenções sobre as fontes efetivamente responsáveis pelo perfil de emissões da organização.
  • Mensuração antes da tomada de decisão: inventários corporativos de GEE permitem identificar fontes, quantificar emissões, estabelecer um ano-base, acompanhar sua evolução e fundamentar a definição de metas e ações de mitigação.
  • Abordagem setorial: não existe uma única trajetória tecnológica aplicável a todas as empresas. As alternativas de mitigação dependem do perfil de emissões, do setor, dos processos produtivos, das tecnologias disponíveis e da viabilidade técnica e econômica.
  • Avaliação de ciclo de vida: combustíveis, matérias-primas e tecnologias não devem ser classificados como de “baixo carbono” apenas pela ausência de emissão no ponto de uso. Em muitas aplicações, é necessário avaliar emissões associadas à produção, transformação, transporte, uso e demais etapas relevantes do ciclo de vida.
  • Integridade da contabilização: reduções internas, emissões evitadas, remoções e créditos de carbono representam conceitos contábeis diferentes e não devem ser tratados como equivalentes dentro do inventário corporativo.
  • Governança de dados: qualidade, rastreabilidade, transparência metodológica, consistência temporal e documentação das premissas são condições fundamentais para inventário de GEE tecnicamente robusto.

Como a descarbonização contribui para mitigar a mudança do clima?

A descarbonização contribui para limitar o aumento da temperatura média global ao reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa na atmosfera. Quanto menores forem as emissões acumuladas de CO₂ e as emissões de outros gases de efeito estufa ao longo do tempo, menor tende a ser o aumento adicional da temperatura global e, consequentemente, a intensificação dos riscos climáticos associados.

Essa relação não significa que uma determinada ação corporativa possa ser diretamente associada à prevenção de um evento climático específico. O efeito da mitigação é cumulativo e sistêmico: reduções sustentadas das emissões globais diminuem a magnitude da mudança climática futura e os riscos associados a extremos climáticos, perdas econômicas, impactos sobre ecossistemas e danos à saúde e à infraestrutura.

No âmbito empresarial, portanto, uma estratégia de descarbonização tecnicamente consistente deve partir da identificação das fontes de emissão relevantes e priorizar medidas capazes de produzir reduções reais, mensuráveis e permanentes sempre que possível.

Quais são os benefícios da descarbonização?

Redução de impactos associados à produção e ao uso de combustíveis fósseis

A diminuição do consumo de carvão, petróleo e gás natural pode reduzir impactos associados à extração, processamento, transporte e combustão desses recursos.

Esses benefícios, entretanto, não devem ser generalizados sem considerar a alternativa utilizada em substituição. Tecnologias renováveis, biocombustíveis, baterias, hidrogênio e outras soluções também possuem impactos ambientais próprios e devem ser avaliados conforme suas cadeias produtivas e condições de implementação.

Qualidade do ar

A descarbonização pode gerar cobenefícios importantes para a qualidade do ar quando reduz processos de combustão responsáveis simultaneamente por emissões de GEE e poluentes atmosféricos.

A combustão de combustíveis fósseis pode emitir material particulado, óxidos de nitrogênio, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e outros poluentes prejudiciais à saúde. A substituição ou redução dessas fontes pode, portanto, melhorar a qualidade do ar, dependendo da tecnologia substituta.

Eficiência no uso de energia e materiais

Medidas de eficiência energética e material podem reduzir simultaneamente o consumo de energia, a demanda por matérias-primas e as emissões associadas aos processos produtivos.

Na indústria, por exemplo, alternativas incluem recuperação de calor, modernização de equipamentos, otimização operacional, redução de perdas, substituição de matérias-primas, aumento do conteúdo reciclado e maior circularidade dos fluxos materiais.

O IPCC identifica eficiência energética, eficiência material, circularidade, eletrificação, mudança de combustíveis e transformação dos processos industriais entre as principais estratégias para redução das emissões do setor industrial.

Quais são os benefícios da descarbonização para as empresas?

Os efeitos econômicos da descarbonização dependem das características de cada projeto. Redução de custos, aumento de competitividade, acesso a mercados ou valorização de produtos não são consequências automáticas de qualquer iniciativa de baixo carbono.

A avaliação deve considerar CAPEX, OPEX, vida útil de ativos, preços de energia, disponibilidade tecnológica, infraestrutura, risco regulatório, custo de capital, preço de carbono, exposição comercial e eventuais benefícios ambientais associados.

Eficiência operacional

Projetos de eficiência energética, redução de perdas e otimização de processos podem gerar economia quando os ganhos operacionais superam os custos de implementação.

Em determinados casos, projetos de mitigação também podem reduzir exposição a variações de preço de combustíveis, aumentar produtividade ou reduzir consumo de insumos. Esses resultados devem ser demonstrados caso a caso.

Preparação para requisitos regulatórios e de mercado

A gestão estruturada das emissões permite às empresas conhecer sua exposição a exigências climáticas aplicáveis em diferentes jurisdições e cadeias produtivas.

A crescente incorporação de informações climáticas em processos de compras, financiamento, reporte corporativo, comércio internacional e gestão de fornecedores torna a qualidade do inventário de GEE cada vez mais relevante para as organizações.

Financiamento sustentável

Projetos de mitigação podem ser elegíveis a linhas de financiamento ou instrumentos de finanças sustentáveis quando atendem aos critérios ambientais, técnicos e financeiros definidos pelo financiador ou pelo respectivo framework.

A classificação de um projeto como “verde” ou “de transição” não deve ser presumida apenas por estar relacionado à descarbonização. A elegibilidade depende dos critérios aplicáveis ao instrumento financeiro utilizado.

Inovação tecnológica

A transição para sistemas de menor emissão impulsiona demanda por novas tecnologias, infraestrutura e competências profissionais em áreas como energia renovável, biocombustíveis, eficiência energética, eletrificação, armazenamento, hidrogênio, captura de carbono, digitalização e gestão de dados climáticos.

Entretanto, os impactos líquidos sobre emprego e desenvolvimento econômico variam entre setores, regiões e tecnologias, razão pela qual não devem ser apresentados como resultados automáticos da descarbonização.

Quais ações podem auxiliar uma empresa em sua redução das emissões?

A estratégia de mitigação deve ser definida a partir do perfil de emissões da organização. Uma empresa com elevada participação de combustão estacionária terá prioridades diferentes de uma organização cujas emissões estejam concentradas em matérias-primas adquiridas, transporte, uso dos produtos vendidos ou mudanças no uso da terra.

Eficiência energética

A eficiência energética consiste em reduzir a quantidade de energia necessária para prestar determinado serviço ou produzir determinada quantidade de produto.

Pode incluir:

  • substituição de equipamentos por modelos mais eficientes;
  • otimização de motores, sistemas térmicos e processos;
  • recuperação de calor;
  • automação e gestão energética;
  • redução de perdas;
  • melhoria de isolamento;
  • otimização de cargas e horários de operação.

O efeito climático depende da fonte de energia economizada e da magnitude da redução obtida.

Eletrificação

A eletrificação consiste na substituição de tecnologias baseadas na combustão direta de combustíveis por tecnologias elétricas.

Pode ser uma estratégia relevante em transportes, aquecimento, processos industriais e edificações, principalmente quando a eletricidade utilizada apresenta baixa intensidade de emissões.

Entretanto, eletrificação não é sinônimo automático de descarbonização. Seu desempenho deve considerar a intensidade de carbono da eletricidade utilizada, a eficiência relativa das tecnologias e, quando relevante, as emissões de ciclo de vida.

O IPCC aponta que veículos elétricos alimentados por eletricidade de baixa emissão apresentam elevado potencial de descarbonização para o transporte terrestre em uma perspectiva de ciclo de vida.

Energia renovável e energia de baixa emissão

A substituição de fontes fósseis por fontes de menor intensidade de GEE pode reduzir emissões energéticas.

Fontes eólica e solar, por exemplo, não apresentam emissões diretas de CO₂ durante a geração de eletricidade, mas possuem emissões associadas à fabricação de componentes, implantação de infraestrutura, transporte e demais etapas de seu ciclo de vida.

Eficiência material e economia circular

A redução da demanda por materiais primários também pode ser uma importante estratégia de mitigação.

As alternativas incluem:

  • redução da quantidade de material por unidade produzida;
  • extensão da vida útil de produtos;
  • reutilização;
  • remanufatura;
  • reciclagem;
  • substituição de matérias-primas;
  • aumento da utilização de materiais secundários;
  • redução de perdas ao longo da cadeia.

O IPCC destaca que eficiência material e fluxos mais circulares podem reduzir a necessidade de produção primária de materiais intensivos em emissões.

Gestão de resíduos e redução de metano

Resíduos orgânicos podem gerar metano durante sua decomposição em condições anaeróbias.

Estratégias como prevenção da geração, compostagem, biodigestão, captura de biogás e tratamento adequado podem reduzir emissões dependendo do cenário de referência e da solução adotada.

No caso de projetos de aproveitamento energético de resíduos, a análise deve diferenciar as emissões que ocorrem dentro do inventário da organização de eventuais emissões evitadas fora de suas fronteiras.

Substituição de combustíveis

A substituição de combustíveis fósseis por fontes e vetores energéticos de menor intensidade de emissões constitui uma das principais estratégias para a descarbonização das atividades econômicas. Dependendo da aplicação, esse processo pode envolver, entre outras alternativas, a eletrificação associada a fontes de baixa emissão, o uso de biocombustíveis sustentáveis e a adoção de hidrogênio renovável ou de baixa emissão de carbono.

A redução efetiva das emissões, entretanto, depende das características de cada solução e de sua cadeia de produção e suprimento. No caso da eletrificação, por exemplo, o benefício climático está relacionado à intensidade de emissões da eletricidade utilizada; para os biocombustíveis, devem ser consideradas as emissões associadas ao seu ciclo de vida; e, no caso do hidrogênio, a rota de produção e a origem da energia empregada são determinantes para sua intensidade de carbono.

Na prática, a substituição de combustíveis requer uma avaliação integrada das fontes de emissão, das alternativas tecnológicas disponíveis, da viabilidade técnica e operacional, dos investimentos necessários, da infraestrutura associada e do potencial efetivo de redução de emissões.

Entre as alternativas que podem integrar estratégias de substituição de combustíveis estão biocombustíveis e outros vetores energéticos de menor intensidade de emissões. A seguir, veja alguns exemplos.

Exemplos de combustíveis e vetores energéticos aplicáveis à descarbonização

Etanol

O etanol é um biocombustível que pode apresentar menor intensidade de emissões de GEE no ciclo de vida em relação ao combustível fóssil substituído, dependendo da matéria-prima, rota produtiva, produtividade agrícola, insumos, energia utilizada no processamento, transporte e mudanças no uso da terra.

O etanol de primeira geração é produzido a partir da conversão de açúcares ou amidos presentes em matérias-primas como cana-de-açúcar e milho.

O etanol de segunda geração utiliza biomassa lignocelulósica, como bagaço e palha, permitindo ampliar o aproveitamento da biomassa disponível. Isso não significa, entretanto, que toda rota de etanol de segunda geração apresente automaticamente desempenho ambiental superior: a comparação depende dos parâmetros específicos do processo e da metodologia de avaliação.

No Brasil, o RenovaBio utiliza a RenovaCalc para calcular a intensidade de carbono das rotas de produção de biocombustíveis e determinar a Nota de Eficiência Energético-Ambiental. A ANP submeteu em 2026 novas versões da ferramenta à participação social, incorporando revisão de fatores de emissão, bases de dados e parâmetros metodológicos.

Biogás e biometano

O biogás é uma mistura gasosa produzida pela decomposição anaeróbia de matéria orgânica. Sua composição depende do substrato e do processo, sendo formada principalmente por metano e dióxido de carbono, além de quantidades menores de outros compostos.

O biometano é obtido por meio da purificação do biogás, com remoção de CO₂, água, compostos sulfurados e outras impurezas até que o produto atenda às especificações aplicáveis.

O benefício climático do biometano depende de diversos elementos, entre eles:

  • origem da matéria-prima;
  • cenário de tratamento do resíduo na ausência do projeto;
  • eficiência da biodigestão;
  • consumo energético do upgrading;
  • vazamentos fugitivos de metano;
  • transporte;
  • uso final;
  • combustível substituído.

Isso é particularmente relevante porque o metano possui elevado efeito de aquecimento por unidade de massa, de forma que vazamentos ao longo da cadeia podem reduzir significativamente o desempenho climático do sistema.

Em 2026, a ANP atualizou a regulação brasileira sobre o tema. A Resolução ANP nº 996/2026 passou a regulamentar a certificação para emissão do Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB) e a geração do respectivo lastro.

No mesmo ano, a ANP aprovou nova regulamentação consolidando as especificações e os procedimentos de controle da qualidade do biometano, substituindo as Resoluções ANP nº 886/2022 e nº 906/2022.

Leia mais:

SAF (Sustainable Aviation Fuel)

Combustíveis sustentáveis de aviação, ou SAF, constituem uma das principais alternativas atualmente disponíveis para reduzir a intensidade de emissões da aviação, especialmente porque o setor apresenta limitações técnicas para eletrificação direta em voos de maior alcance.

O benefício climático do SAF deve ser avaliado em ciclo de vida. A simples substituição física do querosene fóssil não determina, isoladamente, a redução das emissões.

No CORSIA, a ICAO calcula a intensidade de emissões dos combustíveis elegíveis em gCO₂e/MJ considerando elementos como produção e processamento da matéria-prima, transporte, conversão, distribuição, combustão e, quando aplicável, efeitos relacionados à mudança indireta do uso da terra.

No Brasil, a Lei nº 14.993/2024 criou o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação — ProBioQAV. A legislação estabelece metas de redução de emissões para operações aéreas domésticas, iniciando em 1% a partir de 1º de janeiro de 2027 e aumentando progressivamente até 10% em 2037.

A legislação atribui à ANP a definição dos valores de emissões totais equivalentes por unidade de energia das rotas de produção, considerando as emissões no ciclo do poço à queima.

O que é um projeto de descarbonização?

Um projeto de descarbonização é uma iniciativa estruturada destinada a produzir redução mensurável de emissões de GEE em relação a uma condição de referência definida.

A simples adoção de uma tecnologia classificada como “verde” não é suficiente para demonstrar a redução. Uma avaliação tecnicamente robusta deve estabelecer:

  • fronteira do projeto;
  • fontes e sumidouros relevantes;
  • cenário de referência ou linha de base, quando aplicável;
  • período de análise;
  • dados de atividade;
  • fatores de emissão;
  • metodologia de cálculo;
  • premissas;
  • incertezas;
  • mecanismos de monitoramento;
  • risco de dupla contagem.

Projetos podem incluir, entre outras alternativas, eficiência energética, eletrificação, substituição de combustíveis, recuperação de metano, energia renovável, mudanças em processos industriais, circularidade, redução de resíduos e tecnologias de captura ou remoção de carbono.

Como definir metas e acompanhar a descarbonização corporativa?

Definir metas e acompanhar a descarbonização corporativa exige planejamento estratégico, dados consistentes e monitoramento contínuo.

O primeiro passo é realizar um inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE), identificando e quantificando as principais fontes de emissão associadas às operações e à cadeia de valor da organização.

A definição de metas de redução de emissões deve considerar uma visão ampla do negócio, incluindo seus impactos, riscos, oportunidades e exposição a requisitos regulatórios e de mercado.

Nesse processo, contar com suporte especializado pode contribuir para a estruturação do inventário, a definição de metas e a identificação das alternativas de mitigação mais adequadas ao perfil da organização.

A StoneX Soluções Sustentáveis realiza inventários de emissões com base em metodologias reconhecidas, como o GHG Protocol, considerando os Escopos 1, 2 e 3, e apoia as empresas na construção de estratégias integradas para a redução de emissões.

Para acompanhar o progresso, é fundamental estabelecer indicadores de desempenho, mecanismos de monitoramento e rotinas periódicas de revisão dos resultados. Quando aplicável, processos de verificação ou asseguração também podem contribuir para aumentar a confiabilidade das informações reportadas.

A qualidade dos dados é outro fator crítico para a credibilidade da estratégia climática.

Entenda mais:

A jornada de descarbonização na prática

A StoneX Soluções Sustentáveis atua ao lado das empresas ao longo da jornada de descarbonização, começando pelo mapeamento das fontes de emissões diretas e indiretas de gases de efeito estufa.

Com base nessa análise, as emissões são quantificadas de acordo com metodologias reconhecidas, como o GHG Protocol, utilizando dados operacionais e fatores de emissão aplicáveis. O trabalho, porém, vai além da elaboração do inventário.

A partir do inventário, o time de consultoria apoia a definição de metas de redução alinhadas à estratégia e aos compromissos climáticos da organização, além de identificar oportunidades de mitigação e, quando aplicável, de compensação das emissões residuais.

Entre as principais frentes de atuação estão medidas de eficiência energética, utilização de fontes renováveis, substituição de combustíveis, revisão de processos produtivos, participação em mercados ambientais e utilização de créditos de carbono como instrumento complementar dentro de uma estratégia integrada de descarbonização.

Além disso, o acompanhamento contínuo é fundamental para avaliar a evolução das iniciativas, identificar desvios e revisar prioridades ao longo do tempo.

Qual o papel da transição energética na descarbonização?

A transição energética corresponde à transformação estrutural da forma como a energia é produzida, distribuída, armazenada e consumida.

Ela constitui uma dimensão central da descarbonização, mas os dois conceitos não são equivalentes. A descarbonização é mais ampla e também abrange emissões de processos industriais, agricultura, uso da terra, resíduos e outras fontes não diretamente energéticas.

Nos sistemas energéticos, o IPCC identifica como elementos recorrentes das trajetórias de baixas emissões:

  • expansão da eletricidade de baixa emissão;
  • maior eletrificação dos usos finais;
  • redução do consumo de combustíveis fósseis;
  • melhoria da eficiência energética;
  • maior integração dos sistemas energéticos;
  • utilização de hidrogênio, bioenergia, amônia e outros vetores de baixa emissão em setores com limitações à eletrificação;
  • tratamento das emissões residuais por meio de remoções de CO₂ em cenários de emissões líquidas nulas.

No Brasil, a transição energética possui características particulares em razão da participação historicamente elevada das fontes renováveis na matriz elétrica e da relevância dos biocombustíveis.

Além do RenovaBio, o arcabouço regulatório vem incorporando novos instrumentos. A Lei nº 14.993/2024 instituiu, entre outros mecanismos, o ProBioQAV e o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano. Em 2026, a ANP avançou na regulamentação das metas e da certificação associada ao biometano.

O planejamento energético nacional também foi atualizado em 2026 com a aprovação do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 — PDE 2035, que constitui referência para a evolução da oferta e da demanda de energia brasileira ao longo da próxima década.

Nesse contexto, uma estratégia corporativa de descarbonização deve conectar inventário de GEE, planejamento de investimentos, riscos regulatórios, tecnologia, custos, disponibilidade de energia, cadeia de suprimentos e objetivos de negócio. Mais do que adotar soluções isoladas, o desafio é transformar dados de emissões em decisões capazes de gerar reduções mensuráveis e consistentes ao longo do tempo.

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