Câmbio abre quinta em alta, cotado ao redor de R$ 5,54
Dólar deve refletir contexto fiscal brasileiro, política monetária europeia e política cambial japonesa
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,54 (+1,0%)
▲ Dollar Index (DXY): ~103,89 pontos (+0,1%)
O dólar no mercado interbancário abriu a manhã desta quinta-feira em leve alta de 1,0%, cotado a R$ 5,54 (10h14min). A variação deve refletir no cenário interno possíveis sinalizações sobre o compromisso fiscal do governo federal, resultantes da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros da Junta de Execução Orçamentária (JEO) às 09h30min. No cenário externo, a decisão de política monetária na Zona do Euro será seguida por falas da presidente o Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e deve ser observada pelos agentes do mercado em busca de indícios sobre o próximo afrouxamento monetário no bloco econômico. Adicionalmente, pode impactar novamente o mercado de divisas a política cambial japonesa, que levou a paridade iene/dólar a bater sua máxima de seis semanas impulsionada por medidas intervencionistas do Banco do Japão.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) – 09h15min.
• Pedidos semanais de seguro-desemprego nos EUA – 09h30min.
• Reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros que constituem a Junta de Execução Orçamentária (JEO) – 09h30min.
• Palestra da presidente do Banco Centra Europeu (BCE), Christine Lagarde – 09h45min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de Dallas, Lorie Logan – 14h45min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly – 19h05min.
• Palestra de membra do conselho de governadores do Federal Reserve, Michelle Bowman – 20h45min.
Intervenção pró-iene Acompanhando o movimento de enfraquecimento do dólar ante a libra esterlina e o euro, o iene também voltou a ganhar terreno em relação à divisa americana ontem, levantando a suspeita de uma nova rodada de intervenções do governo japonês para conter a desvalorização da moeda. Esta manhã, o iene reassumia a trajetória de baixa que exibe pelo menos desde o início do ano e recuava 0,3%, cotado a ¥155,14. A forte valorização da véspera (+1,4%), inesperada e sem embasamento nos fundamentos recentes da economia japonesa, reforça a interpretação dos participantes do mercado de que tenha sido um movimento provocado artificialmente. O timing para uma nova intervenção ontem, em que o dólar já perdia espaço em relação aos seus pares, parece fazer sentido e justificar a elevada demanda pela moeda japonesa durante o pregão. Em vista do elevado diferencial de juros com o Brasil, que torna atrativas as operações de carry-trade entre o real e o iene, a volatilidade mais elevada da moeda japonesa pelas intervenções cambiais tem promovido revisões nas posições dos investidores, em detrimento da moeda brasileira. Dados divulgados pelo Banco do Japão (BoJ) na terça-feira (16), revelaram que foram empenhados ¥2,14 trilhões (US$13,5 bilhões) em intervenções cambiais na última sexta-feira. Somado ao volume despendido na quinta-feira (11), estima-se que o Japão tenha comprado cerca de ¥6 trilhões (US$37,9 bilhões) na semana passada.
BCE mantém juros inalterados Citando as pressões inflacionárias ainda elevadas dentro do bloco, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu por manter inalteradas as taxas básicas de juros da zona do euro. Sem oferecer sinais indicativos para as próximas decisões, o Conselho do BCE conservou a taxa de refinanciamento em 4,25%, a fim de assegurar o retorno do nível de preços ao consumidor à meta de médio prazo de 2,0% a.a. De acordo com a divulgação do Eurostat na véspera, a taxa de inflação harmonizada (HICP) recuou 0,1 p.p. para 2,5% no acumulado de 12 meses até junho, após leves ajustes nos preços de alimentos, bebidas e tabaco. A principal contribuição para manutenção da inflação acima da meta tem sido do componente de serviços, correspondendo a 1,84 p.p. do índice anual de junho. As atenções devem se voltar agora para a decisão de setembro do BCE, e para a evolução dos indicadores de preço e do mercado de trabalho do bloco.
Temor fiscal A política fiscal no Brasil deve novamente ser um tópico de interesse dos agentes durante as negociações no mercado de divisas hoje. Na terça-feira (16), declarações do presidente Lula reforçaram as incertezas quanto ao comprometimento do Executivo com as metas fiscais. Questionado sobre a projeção de contingenciamento entre R$ 15 e R$ 20 bilhões do Orçamento para o cumprimento do arcabouço fiscal, o presidente afirmou que precisará “estar convencido se há a necessidade ou não de cortar”. Tentando atenuar o impacto da fala de Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se pronunciou sobre a entrevista enfatizando que as afirmações do presidente foram descontextualizadas e, por isso, contribuíram com as especulações sobre a situação fiscal brasileira. Ainda sobre a questão das contas públicas, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, reafirmou ontem o "compromisso fiscal inegociável" do presidente e relembrou as declarações de Lula após sua última reunião com a Junta de Execução Orçamentária (JEO), na qual disse aos ministros que deveriam fazer o que fosse necessário para cumprir o arcabouço fiscal. Hoje, a partir das 09h30, a Junta se reúne novamente com Lula, enquanto os investidores aguardam por sinais do governo federal em relação à política fiscal.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




