Câmbio inicia quinta em alta, cotado ao redor de R$ 5,70
Dólar deve refletir IPCA-15 e dados econômicos americanos
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,70 (+0,1%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 104,2 pontos (-0,2%)
O mercado de divisas deve repercutir a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) e de dados para mercado de trabalho e atividade produtiva nos EUA, buscando ajustar expectativas para a trajetória dos juros no Brasil e nos EUA.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de outubro (IBGE) – 09h00min.
• Palestra do diretor de política econômica do Banco Central, Diogo Guillen -09h00min.
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.
• Prévias dos Índices Gerente de Compras (PMI) Industrial, de Serviços e Consolidado nos EUA de outubro (S&P Global) – 10h45min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack – 10h45min.
• Palestra do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto – 14h00min.
IPCA-15 acelera mais que o previsto O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de alta nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,70 (09h15min). O principal guia para a sessão de hoje deve ser a divulgação do IPCA-15, considerado uma prévia da inflação, que se acelerou de 0,13% em setembro para 0,54% em outubro, pouco acima da mediana das projeções de 0,50%. No acumulado em 12 meses, o índice passou de alta de 4,12% em setembro para 4,47% em outubro, encostando no limite de tolerância da meta de inflação do Banco Central, de 4,50%. O aumento de outubro foi resultado da aceleração dos preços de Alimentação e Bebidas (0,87%) e dos custos de energia elétrica (5,29%), por conta da bandeira tarifária vermelha patamar 1 no segunda metade de setembro e vermelha patamar 2 na primeira metade de outubro. Por outro lado, o núcleo de preços do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, e os preços de serviços cresceram a um ritmo bem mais moderado no mês , em 0,22% e 0,24%, respectivamente. Embora o dado aumente os receios de que a estabilização de preços no país esteja se enfraquecendo (o Banco Central projetou em setembro um risco de 36% do IPCA ultrapassar o limite máximo este ano) e reforce a interpretação de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deva endurecer seu ritmo de altas para a taxa básica de juros (Selic), o que poderia atrair mais capitais externos e beneficiar o real, é provável que essa tendência seja anulada pela piora das expectativas inflacionárias e da percepção de riscos para ativos brasileiros. Ontem, por exemplo, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a demonstrar preocupação pela desancoragem das expectativas de inflação e pelo aumento do prêmio de risco no país. Segundo Campos Neto, o desempenho dos últimos indicadores de inflação tem sido relativamente melhor que o esperado, contudo, observa-se uma piora no “resto das variáveis que apontam para o futuro”, ao citar leituras de inflação implícita, curva longa de juros, projeção de inflação e balanço de riscos para a evolução dos preços. Diante do cenário mais desafiador, particularmente para a taxa de câmbio e para os contratos de juros futuros, investidores devem adotar uma postura mais cautelosa frente a ativos brasileiros, o que pode prejudicar a atração de divisas estrangeiras e enfraquecer o real.
PMI e auxílio-desemprego nos EUA A semana foi leve em indicadores econômicos tanto para os EUA como para o Brasil, porém estendeu sua tendência de fortalecimento global da moeda americana por conta do avanço consistente dos rendimentos dos títulos do tesouro americano (Treasuries), impulsionado, por sua vez, pela diminuição das apostas de investidores para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed). Dados econômicos mais aquecidos que o antecipado para a economia estadunidense e uma antecipação de possíveis efeitos de uma vitória de Donald Trump na eleição presidencial de 05 de novembro, cujas propostas de elevação das taxas de importação provavelmente teria repercussão inflacionária, levam investidores a apostar que o Fed terá menos espaço para realizar cortes de juros, resultando em uma desaceleração menor na rentabilidade dos títulos denominados em dólar do que o antecipado, favorecendo assim o fortalecimento da moeda americana. Nesse sentido, a divulgação das prévias dos Índices Gerentes de Compra (PMIs) de outubro para os EUA e dos pedidos semanais de auxílio-desemprego no país podem ajudar os agentes do mercado financeiro a calibrarem suas expectativas para os juros americanos e influenciar no valor da divisa globalmente.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




