Câmbio abre a quinta em baixa, cotado ao redor de R$ 5,64
Dólar deve refletir decisões de política monetária no Brasil e nos EUA
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,64 (-0,7%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 104,6 pontos (-0,5%)
Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas deve repercutir o comunicado firme do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que, ontem, elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 p.p., enquanto aguarda pela decisão de política monetária do Federal Reserve e notícias sobre o pacote de cortes de gastos planejado pelo governo federal.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Decisão de política monetária do Banco Central da Inglaterra – 09h00min.
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego dos EUA (DOL) – 10h30min.
• Entrevista do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – 11h00min.
• Resultado Primário do Governo Central de setembro (STN) – 14h30min.
• Decisão de Política Monetária do Federal Reserve – 16h00min.
• Coletiva de imprensa do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 16h30min.
Decisão do FOMC O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de queda nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,64 (10h35min). A sessão de hoje pode apresentar diversos fatores de influência para o câmbio, porém o principal direcionador deve ser a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). A expectativa mediana sugere que o Fed reduzirá novamente sua taxa básica de juros, dessa vez em 0,25p.p., para um intervalo entre 4,50% e 4,75% a.a. A confiança do mercado quanto à continuidade do ciclo de cortes, no entanto, tem enfraquecido, com a maior parte das apostas indicando que o Federal Reserve encerrará o afrouxamento monetário já no meio do próximo ano, com uma taxa final entre 3,75% e 4,00% a.a. A mudança na perspectiva do ciclo de cortes se intensificou ontem com a vitória presidencial de Donald Trump, que reforça uma percepção de maior cautela do Fed, tendo em vista as promessas de Trump de medidas que implicam a expansão do gasto fiscal e que, por sua vez, impulsionam a perspectiva de riscos inflacionários. Nesse contexto, os investidores devem permanecer atentos a qualquer sinal sobre os próximos passos do banco central americano após a decisão de hoje. Caso se concretize o corte de juros, isso aumentará o diferencial da taxa de juros brasileira, tornando os títulos domésticos mais atraentes e contribuindo para a entrada de investimentos estrangeiros, o que fortalece o real.
Copom aumenta Selic em 0,50 p.p. No Brasil, investidores também repercutem a postura mais firme do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) em sua decisão de juros de ontem, em que elevou unanimemente a sua taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual. Em um contexto de agravamento das percepções de riscos inflacionários, este aumento marca o segundo ajuste consecutivo realizado pelo Comitê, que, mais uma vez, não esclareceu os próximos passos da política monetária. Em seu comunicado, o Copom reiterou que “o ritmo dos ajustes futuros na taxa de juros e a magnitude total do ciclo de aperto monetário serão orientados pelo compromisso firme de convergência da inflação à meta, dependendo da evolução da dinâmica inflacionária.” O comunicado transmitiu um tom mais pessimista quanto ao cumprimento da meta de inflação, sublinhando a necessidade de alinhar a política monetária mais restritiva à “implementação de medidas estruturais para o equilíbrio fiscal.” Assim, o comitê reafirmou que “uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida, juntamente com a execução de medidas estruturais para o orçamento, contribuirá para ancorar as expectativas inflacionárias e reduzir os prêmios de risco dos ativos financeiros, impactando positivamente a política monetária.”
À espera do corte de gastos Por fim, os investidores se mantêm em compasso de espera pelo anúncio das medidas de redução de despesas do governo federal, prometido para os próximos dias. Hoje, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, deve realizar uma nova reunião com os ministros da junta de Execução Orçamentária (JEO), instância que o assessora na formulação de políticas fiscais, com o objetivo de concluir os ajustes necessários para implantar os cortes estudados visando a manter as contas públicas dentro dos limites fiscais estabelecidos. Reportagens de imprensa, por outro lado, indicam que o anúncio pode ser adiado para a próxima semana, uma vez que as propostas ainda estão em elaboração. Este tema deve continuar a ser monitorado de perto pelos investidores, que aguardam com grande expectativa a divulgação da extensão dos ajustes fiscais.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





