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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

  • Altista
  • A expectativa de desaceleração do IPCA deve aumentar as apostas de cortes sobre a taxa Selic, o que reduz os rendimentos dos títulos domésticos e tende enfraquecer o real.
  • A falta de avanços diplomáticos concretos no Oriente Médio deve elevar a percepção de risco entre os investidores, prejudicando o desempenho de ativos considerados arriscados, como ações e moedas de países emergentes.
  • Baixista
  • A expectativa de uma leitura mais branda para a inflação americana deve reduzir as apostas de investidores por novas altas de juros pelo Fed, reduzindo o rendimento dos títulos do Tesouro do país (Treasuries), dificultando a atração de capitais externos e, assim, enfraquecendo o dólar globalmente.
  • A ata da decisão de juros do Copom deve reforçar um tom mais cauteloso, diminuindo as apostas de cortes sobre a taxa Selic e elevando a atratividade dos títulos públicos domésticos, favorecendo o desempenho do real.

Resumo da semana passada

  • Nos EUA, o Relatório de Situação de Emprego (“payroll”) de julho surpreendeu negativamente ao mostrar números bem mais fracos que o estimado pelo segundo mês seguido, trazendo dúvidas sobre o grau de aquecimento da economia americana.
  • No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 p.p. e adotou um tom mais neutro sobre os próximos passos, o que reduziu as apostas de continuidade do ciclo de cortes.
  • Reportagens de imprensa sugeriram que Estados Unidos e Irã estariam próximos de um novo acordo diplomático, porém isso não se concretizou.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)image 135503

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | Diária: -0,44% | Semanal: +0,31% | Mensal: +0,31% | Anual: -7,18% | Em 12 meses: -6,26%


Variações do dollar index | Diária: -0,42% | Semanal: -0,36% | Mensal: -0,36% | Anual: +1,24% | Em 12 meses: +1,44%

 

O MAIS IMPORTANTE: Dados econômicos americanos

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 16 de setembroimage 135504

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 07 de agosto de 2026.

O mercado de divisas deve repercutir a divulgação de dados econômicos para os EUA, em especial os de inflação, buscando calibrar expectativas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed).

  • Esses indicadores ganharam maior importância após dados mais fracos para o mercado de trabalho pelo segundo mês consecutivo.

 

Por que isso é importante: A expectativa de uma leitura mais branda para a inflação americana deve reduzir as apostas de investidores por novas altas de juros pelo Fed, reduzindo o rendimento dos títulos do Tesouro do país (Treasuries), dificultando a atração de capitais externos e, assim, enfraquecendo o dólar globalmente.

 

Estimativas: A estimativa mediana para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano aponta que sua variação mensal passará de -0,4% em junho para 0,1% em julho, enquanto o núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, deve passar de 0,0% para 0,2% no período.

  • Já a estimativa mediana para o Índice de Preços ao Produtor (PPI) antecipa que sua variação mensal passará de -0,3% em junho para 0,1% em julho no índice cheio, e repetindo a alta de 0,2% em seu núcleo.
  • Tais estimativas, se confirmadas, apresentariam uma nova leitura branda para a inflação americana, sugerindo que não haveria urgência para novas altas de juros pelo Fed.
  • Por sua vez, as vendas do varejo devem apresentar expansão de 0,2% no mês de julho, tal como em junho.

 

“Payroll” surpreende novamente: Na semana passada, o Relatório da Situação do Emprego surpreendeu investidores ao mostrar pelo segundo mês seguido números bem mais fracos que o antecipado para o mercado de trabalho americano.

  • Os Estados Unidos tiveram um saldo líquido negativo de 23 mil empregos no mês de julho, bem abaixo da estimativa mediana de geração de 80 mil empregos.
  • Além disso, os dados dos meses anteriores foram revisados para baixo pelo segundo mês consecutivo, diminuindo em 177 mil o total de empregos originalmente reportados após essas duas revisões.
  • Adicionalmente, a taxa de desemprego caiu mais uma vez como resultado de pessoas deixando a força de trabalho.
  • Em dois meses, 984 mil pessoas deixaram de trabalhar e de procurar emprego.
  • Com isso, a taxa de participação recuou para 61,4%, o menor patamar desde fevereiro de 2021.

Variação no total de empregos urbanos (mil pessoas) e da taxa de desemprego (%) nos Estados Unidosimage 135505

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Alta de juros em dúvida: Além dos dados mais fracos para a economia americana, investidores também reduziram suas apostas por novas altas de juros nos EUA após o Federal Reserve causar uma impressão de menor firmeza no combate à inflação.

  • Em sua decisão de 29 de julho, o presidente do Fed, Kevin Warsh, causou essa impressão durante a coletiva de imprensa ao se recusar a apresentar um plano de ação para buscar a estabilidade de preços.
  • Warsh se recusou a explicar por que o banco central americano preferiu manter os juros estáveis se haveria tamanho incômodo com a inflação acima da meta, nem como se recusou a dizer quais critérios poderiam levar o Fed a aumentar juros no Futuro.

 

Ata do Copom

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 31 de julho de 2026image 135506

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

O mercado de divisas deve repercutir a divulgação da ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 14,25% para 14,00% ao ano.

  • No comunicado, a autoridade monetária adotou um tom mais neutro sobre seus próximos passos, o que reduziu a perspectiva de continuidade do ciclo de cortes de juros.
  • Nesse contexto, a ata deve fornecer mais pistas sobre o balanço de riscos discutido pelo Copom e contribuir para calibrar as expectativas de investidores para a condução da política monetária brasileira.

 

Por que isso é importante: Caso a ata da reunião reforce um tom mais cauteloso pelo Copom, a tendência é que os investidores aumentem suas apostas por uma interrupção do ciclo de cortes da Selic.

  • Isto, por sua vez, tende a elevar a atratividade dos títulos públicos domésticos e favorecer o desempenho do real.

 

Tom mais neutro: No comunicado emitido após a última decisão, o Copom adotou uma comunicação mais sintética e objetiva, reconhecendo um cenário incerto e reforçando o tom de cautela para os próximos passos, sem se comprometer com nenhuma medida específica.

  • Além disso, a autoridade monetária reforçou seu objetivo de convergência da inflação para a meta e reconheceu uma assimetria altista no balanço de riscos inflacionários, ou seja, que os riscos de alta são maiores que os riscos de baixa.

 

Melhoras na comunicação: O comunicado da reunião anterior, em junho, foi mal-recebido pelos investidores ao mencionar o primeiro trimestre de 2028 como horizonte relevante da próxima decisão de política monetária, um trimestre a mais do que o habitualmente usado pelo Copom, o que foi interpretado como um “improviso” para justificar novos cortes na taxa Selic e pressionou o desempenho do real na sessão seguinte à decisão.

  • Dessa vez, no entanto, o último comunicado foi elogiado pelos mercados financeiros devido seu tom mais neutro e objetivo, evitando os trechos que geraram dúvidas na última publicação.
  • Uma maior clareza por parte da autoridade monetária tende a reduzir os ruídos e gerar um direcionamento claro para os operadores.

 

Dados de inflação no Brasil

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)image 135507

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

Em meio a dúvidas sobre os próximos passos do Copom, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho deve ajudar os investidores a calibrarem suas expectativas para a trajetória da inflação e dos juros no Brasil.

 

Por que isso é importante: Uma nova desaceleração inflacionária tende a aumentar as apostas de mais cortes sobre a Selic, o que reduz os rendimentos dos títulos domésticos e tende enfraquecer o real.

 

Estimativa: A projeção mediana do boletim Focus antecipa que a variação mensal do IPCA deve desacelerar de 0,16% em junho para 0,08% em julho, reforçando uma percepção de pressões inflacionárias mais baixas.

  • Se confirmada, tal leitura levaria a inflação acumulada em 12 meses de 4,64% para 4,46%, dentro das margens de tolerância da meta de inflação.

 

Dados recentes: O dado inflacionário mais recente foi a leitura de julho do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que desacelerou de 0,41% em junho para 0,06% em julho, abaixo da estimativa mediana de 0,20%.

  • O núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, desacelerou sua alta de 0,37% em junho para 0,19% em julho, reforçando a percepção de uma leitura benigna da inflação no mês.

 

Perspectivas para a economia brasileira: No contexto atual, a trajetória inflacionária tem sido a maior preocupação entre os investidores e autoridades monetárias, uma vez que a reescalada do conflito no Oriente Médio e a nova alta do petróleo gerou pressões inflacionárias globais e prejudicou a convergência da inflação para a meta no país.

  • Em relação à atividade econômica, o crescimento acumulado mensurado pelo Produto Interno Bruto (PIB) e Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) tem desacelerado nos últimos meses, o que fortalece a leitura de espaço para continuidade do ciclo de cortes de juros.
  • Por outro lado, o cenário no mercado de trabalho segue aquecido, com a taxa de desemprego em 5,4%, próxima das mínimas históricas, o que indica resiliência e desafia a continuidade dos cortes de juros.

 

Oriente Médio

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

Na cena geopolítica, os investidores seguem acompanhando o noticiário sobre as negociações diplomáticas no Oriente Médio e a liberação do Estreito de Ormuz.

 

Por que isso é importante: A falta de sinalizações de avanços diplomáticos concretos eleva a percepção de risco entre os investidores, o que reduz o apetite por risco e prejudica o desempenho de ativos considerados arriscados, como ações e moedas de países emergentes.

  • Por outro lado, a falta de perspectiva para uma rápida normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz deve manter os prêmios globais do petróleo, o que pode favorecer o desempenho de moedas de países exportadores da commodity energética, como o real, a coroa sueca e o rublo russo.

 

Situação das negociações: O noticiário geopolítico segue cheio de divergências sobre o nível de consenso e as condições para um acordo entre Irã, Omã e EUA para a resolução do conflito e liberação dos fluxos pelo Estreito de Ormuz.

  • Mais recentemente, foi noticiado que o Irã e Omã chegaram a um consenso de como funcionaria o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz com a cobrança de pedágios – modelo que os EUA rejeitam como condição para formalizar qualquer acordo.
  • Por outro lado, na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acordo entre os países era iminente e que alguns detalhes importantes ainda precisavam ser alinhados.
  • Nesse contexto, as sinalizações divergentes sobre o andamento das negociações mantêm os investidores em dúvida, o que tende a reduzir o apetite por risco dos investidores até que sinalizações mais concretas sejam emitidas.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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