Câmbio começa a terça estável, cotado ao redor de R$ 5,80
Dólar deve refletir expectativa por pacote fiscal, IPCA-15 e tarifas de Trump
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,80 (-0,1%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 106,7 pontos (-0,1%)
O mercado de divisas deve repercutir as ameaças do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas sobre todas as importações vindas do Canadá, México e China, bem como a contínua indefinição do governo brasileiro sobre o anúncio de medidas de redução de despesas e a aceleração do IPCA-15 de novembro.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de novembro (IBGE) – 09h00min.
• Índice de confiança do consumidor americano de novembro (Conference Board) – 12h00min.
• Índice de manufatura do Federal Reserve de Richmond de novembro – 12h00min.
• Índice de serviços do Federal Reserve de Dallas de novembro – 12h30min.
• Ata da última decisão de política monetária do Federal Reserve – 16h00min.
IPCA-15 acelera em novembro O dólar negociado no mercado interbancário alternava entre perdas e ganhos nas primeiras operações desta terça-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,80 (10h10min), repercutindo a inesperada aceleração do IPCA-15, que passou de 0,54% em outubro para 0,62% em novembro. A leitura apresentou uma composição muito ruim, com alta mensal de 0,49% em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, e de 0,77% nos itens de serviços. Contribuiu para esse crescimento maior que o antecipado da inflação o aumento dos preços de alimentação e bebidas (+1,34%), de passagens aéreas (+22,56%)de cigarros (+4,97%). A reaceleração do IPCA deve piorar as expectativas inflacionárias de investidores e reforça as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve realizar um ciclo de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic), o que, por sua vez, favorece a expectativa de rentabilidade de títulos domésticos e contribui para a atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real.
Volatilidade internacional do dólar No exterior, o dollar index (saiba mais sobre esse index aqui: https://stonex.digital/especial-o-que-e-o-dollar-index-1518409) apresentou forte alta durante a madrugada, porém aos poucos devolveu os seus ganhos, após o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, afirmar via rede social que ele irá impor sobretaxas para as importações americanas vindas da China, México e Canadá em seu primeiro dia de governo (20 de janeiro). Trump afirmou que aplicará um imposto de importação de 25% sobre todos os produtos importados do México e do Canadá, além de uma taxa adicional de 10% sobre todas as importações vindas da China, pois, segundo ele, esses países não estão detendo a “invasão” de “imigrantes ilegais” e de drogas para os Estados Unidos. O anúncio trouxe volatilidade para os mercados de divisas globais e eleva os receios de uma “guerra tarifária” entre EUA e diversas nações, o que tende a estimular a aversão a riscos por investidores e prejudicar o desempenho de ativos arriscados como commodities e moedas de economias emergentes.
À espera dos cortes de gastos Por fim, investidores reagem, também, à mais um adiamento do anúncio do pacote de corte de gastos pelo governo federal. Embora o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenha afirmado na sexta passada que a divulgação ocorreria ontem ou hoje, Haddad voltou atrás sobre quando essas medidas seriam anunciadas. Ontem, o ministro disse a jornalistas que “fechamos o entendimento dentro do governo, o presidente já decidiu as últimas pendências. Devemos falar com os presidentes das Casas, conforme eu tinha anunciado que, depois de fechar eles devem falar com os presidentes Pacheco e Lira, líderes, e aí nós vamos encaminhar [para o Congresso]”. Contudo, se recusou a afirmar quando isso ocorreria. A indefinição e demora do Executivo em divulgar o pacote reforça uma percepção entre investidores de que o Palácio do Planalto demonstra pouca urgência e pouca importância para a necessidade de ajustes dos gastos públicos, o que pode resultar em uma elevação da percepção de riscos de ativos brasileiros e prejudicar o desempenho de ativos nacionais, como taxa de câmbio do real e a taxa dos contratos futuros de juros (DI).
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





