Câmbio começa a sexta em alta, refletindo a piora na percepção de riscos locais
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,10 (+1,8%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 105,9 pontos (-0,2%)
Em dia de liquidez reduzida por conta de emenda de feriado nos EUA, o mercado de divisas deve continuar repercutindo a frustração com as medidas econômicas anunciadas pelo governo, que levaram a sensível piora na percepção de riscos fiscais dos ativos brasileiros.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice de preços ao consumidor (CPI) da Zona do Euro de novembro (Eurostat) – 07h00min.
• Estatísticas fiscais de outubro (BC) – 08h30min.
• Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de outubro (IBGE) – 09h00min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) da Indústria e de Serviços da China de novembro (NBS) – 22h30min.
Taxa Ptax de fim de mês O dólar negociado no mercado interbancário apresentava forte tendência de alta nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 6,10 (10h30min). O pregão deve apresentar volume de negócios e volatilidade maiores dentro das janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min. A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos. Desta forma, os operadores do mercado intensificam suas operações durante estes intervalos, disputando a sua definição.
Decepção com pacote fiscal A sessão deve ser novamente marcada por elevada aversão ao risco para ativos domésticos, estendendo o movimento de desvalorização do real iniciado após a divulgação das medidas econômicas do governo federal na última terça-feira (27). De modo geral, a reação negativa dos investidores nos últimos dias reflete, principalmente, um choque de expectativas. Há semanas, havia elevada ansiedade pelo anúncio dos detalhes sobre o prometido pacote de cortes de gastos públicos. No entanto, o anúncio trouxe a inesperada inclusão da isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas com salários de até R$ 5 mil. Nesse âmbito, embora a equipe econômica do governo federal ressalte que a adição dessa medida terá impacto fiscal neutro, uma vez que se propõe a compensar as perdas de receita com o aumento da carga tributária sobre os chamados "super-ricos", a inclusão de uma medida que provocará significativa perda de receita reforçou as leituras entre investidores de que o Palácio do Planalto demonstra pouca urgência, pouca importância e pouca vontade política para a necessidade de ajustes estruturais dos gastos públicos. Além disso, restam dúvidas importantes sobre a capacidade de redução de despesas anunciadas e a real eficácia desses cortes para garantir a sustentabilidade do arcabouço fiscal. A demora para a divulgação e elaboração das propostas, adicionalmente, elevam as dúvidas de que essas medidas possam ser votadas pelo Congresso Nacional ainda este ano, visto que falta menos de um mês para o início do recesso parlamentar.
Expectativas de altas para a Selic Importante ressaltar, ainda, que a elevação da percepção de riscos fiscais nos últimos dias tem intensificado a expectativa de que o Banco Central precisará adotar um aperto monetário maior do que o esperado. Com uma parcela significativa dos agentes do mercado financeiro crescentemente cética quanto à estabilização da dívida pública, aumenta-se, também, as expectativas inflacionárias, resultando em um aumento no prêmio de risco para os ativos domésticos. Essas expectativas, por sua vez, devem impactar o balanço de riscos do Banco Central, exigindo elevações maiores na taxa básica de juros (Selic). Somam-se a esse cenário os sinais de aquecimento da atividade econômica no Brasil. Nesta manhã, por exemplo, a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de outubro revelou a menor taxa de desemprego dos últimos 13 anos, evidenciando um mercado de trabalho aquecido e que pode contribuir para pressões inflacionárias pelo lado da demanda. Nesse contexto, embora o aumento da taxa de juros, em teoria, eleve o diferencial de juros e atraia fluxos cambiais, esses efeitos devem ser limitados pelo ambiente de maior ceticismo dos agentes econômicos.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





