Câmbio começa a quinta em queda, refletindo expectativa por juros americanos e questão fiscal no Brasil
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,00 (-0,8%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 106,1 pontos (-0,3%)
Em dia de agenda esvaziada, o mercado de divisas deve repercutir expectativa para trajetória de juros americanos, enquanto aguarda por dados de emprego amanhã. No Brasil, investidores monitoram as discussões sobre o pacote fiscal, após a Câmara dos Deputados aprovar regime de urgência para duas propostas.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Balança comercial nos EUA de outubro (BEA) – 10h30min.
- Pedidos semanais de auxílio-desemprego (DOL) – 10h30min.
- Palestra do presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin – 13h30min.
- Balança comercial de novembro (Secex) – 15h00min.
Expectativa pela decisão de juros americana O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de baixa nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 6,00 (10h20min). Ao longo da sessão, o ambiente de negócios deve seguir refletindo as declarações feitas na véspera do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que descreveu a economia americana como mais forte do que aparentava em setembro, sinalizando uma maior cautela com os cortes de juros realizados pelo órgão. Em setembro, uma sequência de dados econômicos abaixo do esperado para o país, especialmente o relatório de emprego ("payroll"), acendeu um alerta sobre os impactos do prolongado aperto monetário promovido pelo Federal Reserve desde o início de 2022. Como consequência, no mesmo mês, o Fed iniciou uma trajetória descendente de juros com um inesperado corte de 0,50 ponto percentual, segundo Powell, “realizado com o intuito de sinalizar que o órgão apoiaria o mercado de trabalho caso ele continuasse a enfraquecer”. Desde então, os principais dados econômicos dos EUA têm demonstrado maior resiliência, reforçando a percepção de um "pouso suave" rumo a um cenário de neutralidade inflacionária. Nesse contexto, investidores seguem atentos a novos indicadores, em especial o “payroll” de novembro, agendado para amanhã. A maior parte das apostas para a decisão de 18 de dezembro aponta para um corte de 0,25 ponto percentual.
Urgência para pacote fiscal No Brasil, investidores devem continuar monitorando a questão fiscal, com foco nos desdobramentos da tramitação do pacote fiscal no Congresso. Ontem, a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para duas propostas que integram o pacote, medida que deve acelerar o processo de aprovação. As propostas incluem o pente-fino no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e no Bolsa Família. Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou ontem que vai apensar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do corte de gastos a outra já existente para “acelerar” sua tramitação pela Casa. A PEC propõe mudanças nas regras de correção do salário-mínimo e novas ferramentas de gatilhos fiscais, como a proibição de concessão, ampliação ou prorrogação de incentivos ou benefícios tributários em caso de déficit. Com a sua apensação, a proposta pode ser votada diretamente no Plenário, sem a necessidade de passar pelas comissões da Câmara. A perspectiva de uma aprovação mais ágil dessas medidas tende a aliviar as preocupações com os riscos fiscais, ao reforçar o alinhamento de diferentes esferas do governo em torno da estabilização das contas públicas.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





