Câmbio começa a quinta em baixa, refletindo postura firme do Copom
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,90 (-1,0%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 106,7 pontos (+0,1%)
O mercado de divisas deve reagir a postura mais rígida do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que elevou a taxa básica de juros (Selic) em 1,00 p.p. ontem e indicou mais dois aumentos de igual valor. Adicionalmente, investidores acompanham notícias sobre o estado de saúde do presidente Lula e o anúncio de dois leilões de linha pelo BC.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Pesquisa mensal de comércio de outubro (IBGE) – 09h00min.
• Decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) – 10h15min.
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 10h30min.
• Índice de preços ao produtor (PPI) de novembro nos EUA (BLS) – 10h30min.
Postura firme do Copom O dólar negociado no mercado interbancário apresentava forte tendência de queda nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,90 (10h05min). Investidores repercutem a decisão mais firme do Comitê de Política Monetária, após o fechamento do mercado de ontem, que optou de forma unânime por elevar a taxa básica de juros (Selic) para 12,25%. Além do aumento de 1 ponto percentual na reunião de ontem, o órgão planeja realizar mais duas elevações de mesma magnitude nas próximas duas reuniões. Em seu comunicado, o Comitê explica que a realização de apertos sequenciais e mais intensos de juros se justificam pela piora do cenário futuro de inflação. Desde a retomada do ciclo de alta em setembro, o balanço de riscos do Banco Central (BC) tem se deteriorado rapidamente, com impactos significativos nos ativos brasileiros, como a desvalorização do real frente ao dólar e a elevação das taxas dos contratos futuros de juros (DI). Segundo o órgão, a “materialização desses riscos” permite interpretar que o cenário é menos incerto do que nas última reuniões, o que explica a decisão de indicar altas mais fortes na sequência. Tal postura favorece a percepção de compromisso do órgão com seu objetivo de estabilização de preços, ajudando a reduzir a exigência de prêmios de risco e elevando as expectativas de rentabilidade de títulos domésticos, o que favorece a entrada de investimentos estrangeiros e pode contribuir para a valorização do real.
Intervenção do BC Vale mencionar, também, que o Banco Central (BC) anunciou após o encerramento do pregão de ontem que fará dois leilões de linha no mercado cambial às 10h20min e 10h35min de hoje, com valor máximo de US$ 2 bilhões cada. A autoridade monetária irá realizar operações de venda com compromisso de recompra (isto é, a realização de leilões simultâneos de venda de dólares à vista com leilões de compra futura de dólares), um com prazo de recompra para 04 de fevereiro de 2025 e 02 de abril de 2025. O BC costuma realizar em intervenções em finais de ano, em particular em dezembro, por conta de uma habitual elevação nas remessas de lucros e juros aos exterior.
Saúde de Lula Por fim, investidores também acompanham notícias sobre o estado de saúde do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que passou por nova intervenção cirúrgica nesta manhã. O procedimento só foi comunicado no final da tarde de ontem e causou surpresa. Embora seja difícil antecipar quais impactos esse fato possa ter sobre o mercado de divisas, a saúde de um chefe de Estado é um item com potencial de ampliação da volatilidade de ativos de um país em função das interações entre cenário político e cenário econômico.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





