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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio interrompe movimento de alta com anúncio de nova intervenção cambial nesta quinta-feira

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli

 

▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,18 (-1,4%)
▼ Dollar Index (DXY): ~108,00 pontos (-0,1%)

O par real/dólar recua levemente nas primeiras negociações desta quinta-feira, revertendo parte do avanço da véspera, quando atingiu seu maior valor nominal de fechamento da história (R$6,268) e registrou alta diária superior a 2,8%, sua variação mais acentuada em dois anos. No cenário interno, a principal fonte de preocupação segue sendo a política fiscal, marcada pela crescente desconfiança sobre o compromisso do governo em estabilizar os gastos públicos. O andamento do pacote fiscal no Congresso, com sucessivas “desidratações”, reforça o ceticismo dos investidores. Externamente, o dólar mantém força diante da perspectiva de um menor afrouxamento monetário pelo Federal Reserve, de indicadores econômicos mais aquecidos para a economia americana e das incertezas geradas pelo presidente eleito, Donald Trump.

Agenda do dia (horário de Brasília):

•    Relatório trimestral de inflação (BC) – 08h00min.
•    Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 10h30min.
•    Terceira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA do terceiro trimestre (BEA) – 10h30min.
•    Palestra do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto – 11h00min.
•    Decisão da taxa básica de juros na China (PBOC) – 23h15min.

Maior cautela do Fed Como amplamente esperado, o Federal Reserve reduziu sua taxa de juros em 0,25 pontos percentuais na tarde de ontem, que passa a vigorar agora na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano. Apesar da redução, a autoridade monetária sinalizou maior cautela quanto a futuros cortes, sobretudo considerando um cenário em que “a atividade econômica continua a se expandir em ritmo sólido”, “a taxa de desemprego permanece baixa” e “a inflação continua relativamente elevada”. Na atualização das Projeções Econômicas Sumarizadas, divulgada junto ao comunicado, a maior parte dos integrantes do conselho do Fed apresentou estimativas mais otimistas para a atividade econômica, além de prever inflação mais aquecida. Também indicou um ritmo mais moderado na redução da taxa de juros em 2025, com a maioria das previsões mostrando apenas mais um corte no próximo ano e encerrando o período com os juros na faixa entre 4,00% e 4,25% ao final. Outro ponto de destaque foi a declaração do presidente do Fed, Jerome Powell, ao ser questionado sobre o impacto da posse de Donald Trump como presidente. Powell reconheceu que tanto a equipe técnica quanto os formuladores de política monetária começaram a considerar, de forma preliminar, os possíveis efeitos econômicos das promessas do presidente eleito, como tarifas mais altas, cortes de impostos e políticas migratórias mais rígidas. Segundo ele, "alguns participantes incorporaram estimativas altamente condicionais dos efeitos econômicos dessas políticas em suas projeções neste encontro". Hoje, os investidores estarão atentos à divulgação da última leitura do PIB do terceiro trimestre dos EUA. A expectativa é que os dados confirmem um crescimento anualizado de 2,8% no período, reforçando a resiliência da economia americana. Caso o resultado se concretize, poderá sustentar a visão de cortes mais graduais nos juros nas próximas reuniões, impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e potencialmente fortalecendo o dólar.

Riscos fiscais no Brasil Apesar do movimento de força global do dólar, que explica em partes o movimento de desvalorização recente do real, a moeda brasileira foi mais uma vez a maior penalizada nas sessão de ontem. A principal explicação segue sendo a percepção generalizada de elevado risco fiscal entre os investidores, que permanecem em desconfiança sobre o compromisso do governo em estabilizar os gastos públicos. Sem uma solução clara à vista, como medidas críveis de ajuste das contas que garantam o cumprimento da meta de déficit zero em 2025 e sua sustentabilidade no longo prazo, permanece amplo o espaço para especulação no mercado de câmbio, favorecendo movimentos bruscos e a trajetória consistente de alta das cotações. Ontem, o pessimismo se reforçou em meio ao andamento do pacote fiscal no Congresso, com sucessivas “desidratações” de medidas importantes. Hoje, a tensão entre os investidores permanece, que devem acompanhar de perto novos desenvolvimentos sobre a tramitação do pacote no Congresso.

Nova intervenção cambial do BC Por fim, vale mencionar que o Banco Central realiza mais dois leilões de venda à vista de dólar nesta manhã, totalizando 8 bilhões de dólares. O primeiro, de 3 bilhões de dólares, aconteceu entre 9h15min e 9h20min e aceitou seis propostas, segundo comunicado. O segundo aconteceu entre 10h35min e 10h40min, aceitando propostas que totalizam no máximo 5 bilhões de dólares. Com as intervenções, a injeção de dólares desde a última semana pode atingir cerca de 20,7 bilhões. O BC costuma realizar intervenções em finais de ano, em particular em dezembro, por conta de uma habitual elevação nas remessas de lucros e juros ao exterior.
 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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