Dólar abre em baixa, repercutindo percepção de riscos fiscais no Brasil
= Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,16 (-0,5%)
▼ Dollar Index (DXY): ~107,8 pontos (-0,2%)
Na última sessão do mercado de divisas em 2024, o principal destaque deve ser a divulgação do Boletim Focus, que indicou uma nova rodada de deterioração nas expectativas dos agentes de mercado, com elevação das projeções para a taxa de juros, o câmbio e a inflação até 2027. A piora recente na percepção de riscos por parte dos investidores decorre, sobretudo, de um ceticismo crescente quanto à condução da política fiscal brasileira, em especial no que se refere à trajetória de estabilização da dívida pública. Nesse contexto, também repercute entre os investidores a divulgação das estatísticas fiscais do Banco Central referentes a novembro, que atualizam o resultado primário do governo central e a relação entre dívida e PIB.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Boletim Focus (BC) – 08h30min.
• Estatísticas Fiscais de novembro (BC) – 08h30min.
• Vendas pendentes de residências nos EUA de novembro (NAR) – 12h00min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) Industrial, de Serviços e Consolidado da China de dezembro (NBS) – 23h30min.
-
Aviso: devido às festas de fim de ano, as rotinas de publicação da Inteligência de Mercado da StoneX serão adaptadas nas próximas semanas.
Acesse nosso cronograma através do link.
Temores fiscais no Brasil O Boletim Focus desta semana evidenciou uma piora nas projeções macroeconômicas brasileiras, com elevação das expectativas inflacionárias e a indicação de patamares mais altos tanto para a taxa de câmbio do real quanto para a taxa básica de juros (Selic). Nas últimas semanas, o pessimismo dos investidores tem se acentuado em grande parte pela menor confiança em relação ao ajuste das contas públicas, temendo que o efeito expansionista da política fiscal eleve o risco de sobreaquecimento da atividade econômica e resulte em pressões inflacionárias mais intensas. Nesse contexto, as estatísticas fiscais de novembro, divulgadas mais cedo pelo Banco Central, ganham especial relevância. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 6,6 bilhões no mês, o que representa uma redução de 82% em relação ao saldo negativo de R$ 37,3 bilhões observado no mesmo período de 2023. Embora o resultado seja menos desfavorável, o déficit acumulado em 12 meses atinge R$ 192,9 bilhões (1,65% do PIB), permanecendo aquém da meta de 0,0% do PIB para 2024, estabelecida pelo arcabouço fiscal, e não alcançando sequer a banda inferior dessa meta, de -0,25%. Resta verificar em que medida os cortes de gastos anunciados em novembro, cujo montante de R$ 70 bilhões foi parcialmente desidratado no Congresso, contribuirão para o cumprimento das metas do arcabouço fiscal em 2024. Entretanto, espera-se que tais ajustes não produzirão efeitos imediatos, o que eleva a probabilidade de o governo encerrar o próximo ano sem atingir a meta de resultado primário. Dessa forma, a elevada percepção de riscos fiscais e, consequentemente, a maior exigência de prêmios de riscos para ativos brasileiros por investidores podem seguir ampliando a volatilidade e contribuindo para a a manutenção da taxa de câmbio do real e da taxa dos contratos futuros de juros (DI) nos próximos dias.
Taxa Ptax de fim de ano Adicionalmente, o pregão deve apresentar volume de negócios e volatilidade maiores dentro das janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min. A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e tanto seu valor de fim de mês quanto de fim de ano são muito utilizadas em contratos de câmbio e derivativos. Desta forma, os operadores do mercado intensificam suas operações durante estes intervalos, disputando a sua definição.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





