Câmbio abre a sexta em queda, refletindo falas de Trump, IPCA-15 e aumento de juros no Japão
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,89 (-0,6%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 107,60 pontos (-0,5%)
Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas deve repercutir a postura mais branda do presidente americano, Donald Trump, sobre barreiras tarifárias, o fortalecimento do iene japonês após o Banco Central Japonês (BoJ) aumentar juros, a leitura do IPCA-15 de janeiro e uma reunião no Palácio do Planalto para discutir o combate à inflação dos alimentos.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Palestra da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde – 07h00min.
• Estatísticas do Setor Externo de dezembro (BC) – 08h30min.
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de janeiro (IBGE) – 09h00min.
• Reunião do presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, com ministros – 09h30min.
• Prévias do Índices Gerentes de Compras (PMI) Industrial, de Serviços e Consolidado dos EUA de janeiro (S&P Global) – 11h45min.
• Confiança do consumidor americano de janeiro (UMich) – 12h00min.
• Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 17h30min.
Postura mais branda de Trump A taxa de câmbio do real iniciou as negociações desta sexta-feira em baixa, sendo negociada a R$ 5,90 (10h15min), acompanhando o movimento de enfraquecimento global do dólar nesta manhã. A movimentação reflete a repercussão de declarações do presidente americano, Donald Trump, em entrevista na noite de ontem, em que afirmou que espera não precisar impor novas sanções contra a China, sinalizando a possibilidade de um acordo comercial entre os dois países. Tal posicionamento contribuiu para reduzir a forte percepção de risco que vinha se acentuando ao longo do último ano, diante de ameaças constantes de uma disputa comercial mais intensa entre as duas maiores economias do mundo. Apesar da postura aparentemente mais moderada de Trump desde sua posse, o presidente continua a ameaçar nações com as quais mantém relações comerciais, fator que mantém a cautela entre os investidores. Por ora, contudo, a incerteza em torno da efetiva adoção de novas tarifas tem favorecido a desvalorização global do dólar nas sessões mais recentes.
Decisão de juros no Japão Adicionalmente, investidores acompanham as repercussões da decisão de política monetária do Banco Central do Japão (BoJ), que elevou sua taxa básica de juros de 0,25% a.a. para 0,50% a.a., o maior nível desde os ajustes realizados após a crise financeira de 2008. A decisão era amplamente esperada, sobretudo após a inflação ao consumidor no Japão ter acelerado para 3,0% em dezembro, a maior taxa anual em 16 meses. A alta dos rendimentos dos títulos japoneses tende a fortalecer o iene frente ao dólar, intensificando o enfraquecimento global da moeda americana. Além disso, a decisão tende a afetar também moedas frequentemente usadas em operações de “carry trade”, como o real e o peso mexicano. Como o iene costuma ser usado por operadores do mercado financeiro como moeda de “funding” para essas operações, uma valorização da moeda japonesa reduz os rendimentos dessas transações e estimula os agentes a desfazerem suas posições. Ou seja, é comum entre investidores captar recursos no sistema financeiro japonês, com baixo nível de juros, e converter em reais para aplicação no sistema financeiro brasileiro, de juros mais elevados. Com uma desmontagem das posições, há venda elevada de reais para saldar os financiamentos japoneses originais, enfraquecendo a moeda brasileira.
IPCA-15 mais alto em janeiro O IPCA-15 reduziu seu ritmo de alta em janeiro, quando aumentou 0,11% ante 0,34% em dezembro. Essa alta, porém, superou a mediana das projeções e mostrou evolução pior para as medidas subjacentes, como o núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia e passou de 0,45% em dezembro para 0,67% em janeiro, e os preços de serviços, que passaram de 0,80% em dezembro para 0,81% em janeiro. A composição ruim da leitura inflacionária piora as expectativas para a inflação ao longo de 2025 e reforça a perspectiva de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic), o que, por sua vez, melhora a rentabilidade dos títulos brasileiros e pode ajudar na atração de capitais externos, fortalecendo o real.
Combate à inflação dos alimentos Por fim, investidores monitoram reunião do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com diversos ministérios para estudar ações que possam combater a inflação de alimentos no Brasil. Embora existam poucos detalhes sobre quais medidas poderão ser tomadas, os agentes temem por alternativas que possam prejudicar as contas públicas, como a concessão de subsídios, o que, se vierem a ser propostas, podem elevar a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e provocar um enfraquecimento do real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




