Câmbio começa a sexta estável, refletindo Ptax, tarifas de Trump, inflação nos EUA e fiscal no Brasil
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,83 (-0,4%)
= Dollar Index (DXY): ~ 108,2 pontos (0,0%)
Em dia de agenda cheia, o movimento do último pregão do mês deve apresentar maior volatilidade nos horários utilizados pelo Banco Central (BC) para a formação da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min. Adicionalmente, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos, ameaças do presidente americano, Donald Trump, de adotar tarifas sobre Canadá e México e a divulgação de indicadores fiscais para 2024.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Estatísticas fiscais de dezembro (BC) – 08h30min.
• Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de dezembro (IBGE) – 09h00min.
• Índice de preços de despesas com consumo pessoal (PCE) nos EUA de dezembro (BLS) – 10h30min.
• Palestra da membra do conselho de governadores do Federal Reserve, Michelle Bowman – 10h35min.
• Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 17h30min.
Taxa Ptax de fim de mês A taxa de câmbio do real apresentava tendência de X nas primeiras operações desta sexta-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,83 (10h25min). O pregão deve apresentar volume de negócios e volatilidade maiores dentro das janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min. A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos. Desta forma, os operadores do mercado intensificam suas operações durante estes intervalos, disputando a sua definição.
Tarifas de Trump No exterior, os investidores devem concentrar parte da atenção na política comercial dos Estados Unidos, após Donald Trump confirmar na noite de ontem a imposição de tarifas de 25% para produtos provenientes do México e do Canadá, vigorando a partir do dia 1º de fevereiro. O presidente americano, contudo, disse ainda não ter definido se incluirá na medida o petróleo exportado por esses países, adicionando incertezas acerca do impacto real da medida. Trump voltou a ameaçar, ainda, que está em processo de estudo para a aplicação de tarifas à China. Após os anúncios, na última quinta-feira (30), o dólar recuperou as perdas previamente registradas na sessão e ganhou impulso nos mercados globais. Embora o Brasil ainda não tenha sido citado diretamente por Trump desde sua posse, as incertezas em torno das políticas econômicas americanas mantêm os investidores em compasso de espera, atentos a possíveis impactos na percepção de risco global e, consequentemente, na moeda brasileira. Por ora, contudo, a falta de imposições de tarifas ao Brasil tem contribuído para a menor percepção de risco sobre o real.
PCE nos Estados Unidos Adicionalmente, investidores devem observar a divulgação do Índice de Preços de Despesas com Consumo Pessoal (PCE) de dezembro, cuja estimativa mediana é de uma aceleração mensal de 0,3% para seu índice cheio e de 0,2% para seu núcleo, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia. Na mesma linha dos índices de inflação ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) de dezembro, caso as projeções se confirmem, espera-se que esses números reforcem a percepção de uma aceleração do nível de preços acima do desejado, mas controlada no país. Como o PCE é utilizado pelo Fed para verificar sua meta de inflação, os números de dezembro, portanto, podem ajudar a reduzir parcialmente os temores de que a inflação dos EUA volte a se acelerar e que contribua para um novo ciclo de altas de juros pelo Federal Reserve, que optou por manter inalterada a sua taxa de juros na última quarta-feira (29) após três cortes consecutivos.
Desempenho fiscal em 2024 O setor público brasileiro, que inclui governo central, estados, municípios e empresas estatais, registrou déficit primário de R$ 47,6 bilhões em 2024, equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto, em linha com os números divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional, na véspera. Ontem, o Tesouro já havia informado que o governo federal havia cumprido a meta de resultado primário para 2024 com um déficit primário de R$ 11 bilhões, equivalente a 0,1% do PIB, porém que o déficit aumentava para R$ 44 bilhões (0,36% do PIB) se considerado as despesas extraordinários, primariamente os gastos emergenciais com o Rio Grande do Sul. Pela metodologia do Banco Central, o déficit primário do governo central foi de R$ 45,4 bilhões. Embora investidores mantenham um grau elevado de pessimismo para o equilíbrio das contas públicas e para a estabilização da dívida do país, os resultados de 2024 ajudam a amenizar a percepção de riscos fiscais para o Brasil em 2025 e contribui para a sustentação do valor do real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




