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Dólar se fortalece com piora do cenário no Oriente Médio e maior percepção de riscos

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
A taxa de câmbio recuava na manhã desta quinta-feira (05). No momento da publicação deste texto (09h30min), o par real/dólar era cotado ao redor de R$ 5,15, variação de -0,8% em relação ao fechamento de ontem. Já o dollar index era negociado ao redor de 92,2 pontos, queda de -0,1% no comparativo com a véspera. O mercado de divisas repercute a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de ontem, em que ampliou a taxa básica de juros (Selic) de 4,25% para 5,25% ao ano. Além desta alta ser superior à do mês de junho, quando se aumentou em 0,75 ponto percentual a Selic, o Comitê do Banco Central (BC) indicou que fará um novo reajuste da mesma magnitude na próxima reunião, em setembro. No exterior, os investidores estarão atentos à divulgação das solicitações de auxílio-desemprego nos Estados Unidos para identificar sinais sobre o mercado de trabalho e a recuperação daquela economia.
O Comitê de Política Monetária decidiu por elevar a taxa básica de juros em 1,0 ponto percentual nesta terça-feira (04), acima do ajuste de 0,75 ponto percentual sinalizado na reunião de junho e levando a Selic a 5,25% ao ano, prevendo um ajuste de mesma magnitude para a reunião de setembro. A decisão confirmou a expectativa da maioria dos analistas de uma atuação mais agressiva do ciclo contracionista da política monetária do Banco Central em 2021, em função das crescentes pressões inflacionárias observadas no país nos últimos meses. Em relação cenário externo, o comunicado destacou a evolução da variante delta da Covid-19 como fator adicional de risco à recuperação da economia global e que ainda há risco de relevante aumento da inflação nas economias centrais. Contudo, o comunicado reafirma que o ambiente para países emergentes segue favorável, considerando os estímulos monetários, os programas fiscais e a reabertura das economias conforme os programas de vacinação avançam.
O aumento realizado na Selic, maior ajuste altista em uma reunião desde 2003, reflete as preocupações do Copom com a persistência do avanço inflacionário ao consumidor, com os últimos dados indicando uma composição mais desfavorável e acarretando uma revisão nas projeções de curto prazo para a inflação. O Comitê destacou a surpresa com componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, que tem causado elevação dos núcleos. O cenário climático adverso, levando em consideração a crise hídrica no país, também tem provocado altas em componentes voláteis, podendo provocar elevação do adicional da bandeira tarifária de energia e novas altas nos preços de alimentos. Diante destas mudanças, o Banco Central aumentou sua expectativa para a inflação em 2021 de 5,8% na última reunião para 6,5%, devendo encerrar significativamente acima do limite superior da meta de inflação (5,25% a.a.). Assim, a autoridade monetária considerou uma trajetória de elevação da taxa de juros a 7,00% a.a. até o final deste ano, acima do patamar considerado neutro (6,5% a.a.), mantendo-se neste patamar em 2022 e reduzindo-se para 6,5% em 2023. Entre os fatores de risco para alterações no cenário básico do Copom para a inflação, estão uma possível reversão do aumento recente no preço das commodities, uma piora na trajetória fiscal do país, e questionamentos sobre a continuidade das reformas no Congresso e no processo de ajuste das contas públicas.
A elevação nos diferenciais entre taxas básicas de juros brasileira e americana tende a melhorar a atratividade dos investimentos em títulos de renda fixa no Brasil em relação a outras economias emergentes, contribuindo para um maior fluxo de entrada de divisas no país, o que atua de forma a valorizar o real. Por outro lado, o maior aumento previsto para a Selic até o final do ano, com uma retirada mais acelerada dos estímulos monetários da economia brasileira, pode contribuir de forma negativa com o crescimento da economia e o ritmo de retorno no nível de atividade.
Por fim, o Departamento de Trabalho (DOL) divulgou que, na semana encerrada em 31 de julho, foram registradas 385 mil novas solicitações de auxílio-desemprego nos EUA, em linha com as projeções de analistas de mercado, cuja mediana das expectativas apontava para 381 mil novos pedidos. O mercado de trabalho americano apresenta tendência progressiva de melhora, embora exiba um ritmo desigual de recuperação entre os setores, conjugando carência de mão de obra em algumas atividades econômicas, de um lado, e uma aparente dificuldade em acelerar a queda do desemprego, de outro.

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