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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar inicia o dia em forte alta
e rompe a barreira dos R$5,40
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio repercute ambientes desfavoráveis no Brasil e no exterior
O par real/dólar abriu a manhã desta quinta-feira (19) em sensível desvalorização. No momento da publicação deste texto (09h30min), a divisa americana era cotada ao redor de R$5,43, ganho de 1,0% ante o fechamento da véspera. Já o dollar index era cotado ao redor de 93,3 pontos, variação de +0,2% na comparação com o fechamento de ontem. O mercado de divisas apresenta tendência marcada para venda do real, refletindo uma piora na avaliação dos riscos fiscais do país. No cenário internacional, a ata da última reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC) revelou que seus participantes visualizam a redução dos estímulos monetários do Federal Reserve (Fed) ainda este ano, mas que ainda não há consenso sobre quando começar essa redução ou quais metas a economia deve atingir antes desse início. Na agenda do dia, destaca-se a divulgação semanal de novos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos e falas programadas do Ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, todos pela manhã.
O mercado de divisas demonstra forte aversão à moeda brasileira na sessão de hoje, refletindo uma piora na avaliação dos riscos fiscais do país. A percepção crescente de é de que a sustentabilidade das contas públicas do governo Bolsonaro está sendo posta em xeque com uma sequência de medidas que se esquivam da regra do teto de gastos e priorizam propostas de cunho eleitoral. Dentre as medidas mais criticadas, estão a Proposta de Emenda à Constituição dos precatórios, que permite o parcelamento de determinadas dívidas e o pagamento com fundos contabilizados fora do teto de gastos, a Medida Provisória que amplia os benefícios do programa Bolsa Família (e que passa a se chamar Auxílio Brasil) e o projeto de lei que modifica o Imposto de Renda (IR). Somou-se à essa percepção a chancela do Tribunal de Contas da União (TCU) ao edital do leilão do 5G. Ontem, a maioria dos ministros do TCU votou a favor da legalidade do edital, contrariando a área técnica do Tribunal. Entretanto, o ministro Aroldo Cedraz, que seria o último a votar, realizou pedido de vistas e suspendeu a votação por sete dias.
Em parecer, a Secretaria de Infraestrutura Hídrica, de Comunicações e de Mineração (SeinfraCOM) considerou que dois pontos do projeto, a saber, a rede privativa (rede exclusiva de comunicações do governo) e o Programa Amazônia Integrada e Sustentável (PAIS), representam um drible no teto de gastos, a regra que proíbe que as despesas cresçam em ritmo superior à inflação. Pela proposta, o vencedor do leilão paga um valor reduzido de outorga (taxa paga ao governo pelo uso das faixas), mas assume a obrigação de realizar estes investimentos. Para a área técnica do TCU, entretanto, tais investimentos não estão relacionados com o objeto de concessão (frequências de 5G) e deveriam ter sido excluídos do edital.
O cenário de aversão ao risco se intensificou após a divulgação da ata da última reunião do FOMC, realizada nos dias 27 e 28 de julho, que apontou para um tom mais firme da autoridade monetária em relação às medidas de estímulo econômico nos Estados Unidos. O documento aponta que os membros do Comitê visualizam a redução do programa de compras de ativos do Fed ainda este ano, mas há dissenso em quando iniciar essa redução. Enquanto alguns integrantes desejam iniciar este processo o quanto antes, em função dos níveis de inflação acima do esperado nos últimos meses, outros acreditam ser mais prudente monitorar os impactos da variante delta do coronavírus na economia estadunidense antes de principiar a redução.
Esta manhã, a expectativa de que um ciclo contracionista pode acontecer mais cedo que o previsto se fortaleceu após a divulgação de que as solicitações de auxílio-desemprego se reduziram pela quarta semana consecutiva. Segundo informou o Departamento de Trabalho (DOL) americano, na semana encerrada em 14 de agosto, foram registradas 348 mil novas solicitações nos EUA, abaixo das projeções de analistas de mercado, cuja mediana das expectativas apontava para 360 mil novos pedidos. Este é o menor número de solicitações para o benefício desde 14 de março de 2020, quando foram registrados 256 mil novos pedidos. Nas três semanas anteriores, respectivamente, haviam sido registrados 377 mil, 387 mil e 399 mil novos pedidos. Em que pese se tratar de um período diferente, estes dados estão em concordância com o relatório oficial da situação do emprego do mês de julho, que revelou a criação de 943 mil novos postos de trabalho no mês e o recuo de 0,5 pontos percentuais para a taxa de desemprego, de 5,9% em junho para 5,4% em julho. Todos estes dados corroboram a interpretação de que o mercado de trabalho americano se recupera em ritmo saudável, o que, em tese, é uma das metas a serem observadas pelo Fed antes do início da redução dos estímulos econômicos.
INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
  • Moedas

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