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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre quinta-feira em ajuste, operando abaixo dos R$5,30
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
IPCA de agosto fica acima do esperado, reforçando perspectivas de inflação persistente
Após a forte alta da véspera, motivada pelo cenário político turvado de incertezas na sequência das manifestações de 7 de setembro, o par real/dólar passou por ajuste nas primeiras negociações da manhã desta quinta-feira (9). Em baixa de 1,1%, a divisa americana era cotada a R$5,265 no mercado à vista doméstico por volta das 11h30 (horário de Brasília), mostrando alguma atenuação na cautela dos operadores e uma reaproximação da taxa de câmbio do real ao desempenho de outras moedas emergentes. A forte elevação dos juros futuros, em resposta à surpresa com o IPCA de agosto, também contribuía na sessão para o recuo das cotações locais do dólar.

Superando a mediana das expectativas dos analistas, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou avanço de 0,87% em agosto, sua maior variação para o mês desde 2000, puxado pela alta nos preços de combustíveis, alimentos e energia elétrica. Ainda que tenha representado uma desaceleração ante o resultado de julho (+0,96%), o IPCA alcançou no último mês uma alta 5,67% no ano e em 12 meses uma variação de +9,68%, maior acumulado para o índice oficial de inflação desde fevereiro de 2016.

Das nove categorias de bens e serviços acompanhados pelo indicador, oito delas tiveram altas em agosto. O maior impacto veio de Transportes (+0,31 p.p.), que foi impactado pela alta dos combustíveis (2,96%), mais intensa do que a observada em julho (1,24%). Gasolina (+2,80%), etanol (+4,50%), gás veicular (+2,06%) e óleo diesel (+1,79%), tiveram variações expressivas no último mês. O grupo Alimentação e bebidas também registrou aceleração em agosto, com alta de 1,39%, acima do registrado no mês anterior (0,60%). Entre os principais itens, se destacam as altas da batata-inglesa (19,91%), café moído (7,51%), frango em pedaços (4,47%), frutas (3,90%) e das carnes (0,63%). O arroz, que foi um dos vilões da inflação em 2020, registrou recuo de 2,09% em agosto.

Para além das principais mercadorias da cesta de consumo brasileira, a energia elétrica continuou a contribuir com a alta do IPCA no último mês. Depois de avançar 7,88% em julho, com a adoção da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou a adicionar R$9,49 a cada 100 kWh, a tarifa de energia registrou alta de 1,10% em agosto, devido à inclusão defasada da sobretaxa de energia em alguns estados. A mudança para a bandeira tarifária escassez hídrica, que adiciona R$14,20 a cada 100 kWh consumidos desde 1º de setembro, deve ter impacto direto considerável sobre as contas de energia neste mês, e repercutir sobre os custos de diversos outros bens e serviços.

De acordo com o relatório Focus mais recente, o mercado estima uma variação de +0,61% do IPCA em setembro, 0,11 p.p. acima da projeção divulgada há uma semana. Com a surpresa da inflação deste mês, é possível que as apostas para o índice nos próximos meses sejam novamente reajustadas para cima.

Com o IPCA acima do esperado, as taxas de juros futuras também reagiram com altas expressivas na manhã de hoje, especialmente entre os contratos de mais curto prazo, revelando que as expectativas também devem se alinhar no sentido de altas mais intensas da meta para a taxa Selic nos próximos encontros do Comitê de Política Monetária. Até a última semana, o consenso do Focus indicava uma alta de 100 pontos base da taxa básica na decisão de setembro, seguida de uma nova elevação de mesma magnitude em outubro. As probabilidades de uma alta de 125 pontos base em setembro, ou ainda da manutenção de elevações de maior calibre por mais tempo, se elevaram com a perspectiva de inflação persistente.    

No cenário externo, os agentes econômicos acompanharam nesta manhã a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e a divulgação dos dados dos novos pedidos semanais de seguro-desemprego dos Estados Unidos. 

Diante da aceleração da inflação na zona do euro para sua máxima em uma década, e da expansão do PIB das economias do bloco acima do estimado no segundo trimestre deste ano, o BCE decidiu afunilar os volumes mensais do seu programa de compra de ativos (PEPP), sinalizando o início da retirada dos estímulos adotados durante a pandemia. A medida é a primeira em direção à normalização da política monetária anunciada pela autoridade europeia, que manteve inalterada a sua meta para a taxa de juros.

Os principais índices acionários nos Estados Unidos reagiram positivamente à publicação dos dados semanais de auxílio desemprego, que ficaram abaixo do projetado. Para o período encerrado em 4 de setembro foram contabilizados 310 mil novas solicitações do benefício, 35 mil a menos do que na semana anterior e menor valor desde o início da pandemia.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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