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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre “super quarta” em queda,
cotado ao redor de R$5,26
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Decisões de política monetária no Brasil
e nos EUA devem concentrar as atenções

O par real/dólar iniciou esta quarta-feira (22) em baixa. No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$ 5,26, retração de 0,5% comparado ao fechamento de ontem. Já o dollar index era cotado ao redor de 93,2 pontos, praticamente estável ante à véspera. O mercado de divisas acompanha com atenção as decisões de política monetária a serem publicadas hoje pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), nos Estados Unidos, e pelo Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil. No cenário internacional, os investidores mostraram certo alívio com a situação financeira da incorporadora chinesa Evergrande após a empresa divulgar que conseguirá saldar integralmente seus compromissos que vencem amanhã. No Brasil, analistas também observam o tema dos precatórios, após um novo projeto de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ser apresentada ontem pelos presidentes do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. A Câmara deve instalar hoje Comissão Especial para análise da nova PEC, com eleição de presidente e designação de relator.

O mercado de divisas aguarda as decisões de política monetária do FOMC e do Copom, no final do dia de hoje. De acordo com o boletim Focus, a previsão é de que se eleve a taxa básica de juros (Selic) de 5,25% a.a. para 6,25% a.a. em função da aceleração inflacionária – o mesmo boletim antecipa que o índice IPCA encerre o ano em 8,35%, significativamente acima do limite superior da meta do Banco Central, de 5,25%. A mediana das expectativas de analistas é de que o Copom realize mais dois ajustes de 1,0 p.p. na taxa Selic nas suas próximas reuniões, em outubro e em dezembro.

Já a decisão do FOMC guarda mais incerteza. Embora já tenha sinalizado anteriormente de que o Federal Reserve (Fed) visualiza reduzir seus estímulos monetários, isto é, seu programa de compra de ativos “em algum momento” no futuro próximo, não há clareza sobre quando essa redução começaria. Há membros do FOMC que defendem uma redução mais imediata, argumentando que alguns indicadores de atividade econômica e de níveis de preços sugerem um ajuste mais rápido por parte do Fed. Outros integrantes apoiam uma postura de aguardar mais dados econômicos que endossem o atingimento do “progresso substantivo” da economia, argumentando que alguns indicadores de mercado de trabalho sugerem uma recuperação incompleta da atividade econômica.

Cabe destacar, também, que, ontem, Lira, Pacheco e Guedes reuniram-se e apresentaram para a imprensa uma nova PEC para regulamentar os pagamentos de precatórios no país. Os precatórios são requisições de pagamento expedidas pela Justiça após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais. A proposta do trio é inserir as dívidas do governo na mesma dinâmica da regra do teto de gastos, ou seja, as dívidas governamentais não poderiam crescer mais que a inflação medida pelo IPCA nos 12 meses até junho do ano anterior. Pela PEC anterior, enviada pela equipe econômica do governo ao Congresso em 16 de agosto, previa-se o parcelamento dos precatórios, e o governo honraria R$ 54 bilhões dos R$ 89 bilhões devidos para 2022, economizando aproximadamente R$ 35 bilhões. Por esta nova sugestão, o governo pagará apenas R$ 39 bilhões devidos, deixando de pagar R$ 50 bilhões.

Os valores não pagos podem ser negociados pelos credores com o governo, evidentemente com um diferimento de seu valor, ou acumulam para o ano seguinte, quando se aplica a mesma regra e, caso se ultrapasse o limite estipulado pelo crescimento da inflação, novos valores deixam de ser pagos, assim sucessivamente. No fim da tarde, o presidente da Câmara formalizou a criação da comissão especial que analisará o mérito desta nova PEC para prosseguir com a proposta.

O mercado de divisas também recuperou parte de seu apetite por riscos após a incorporadora imobiliária chinesa Evergrande emitir comunicado afirmando que vai pagar os juros devidos nesta quinta-feira (23) aos detentores de títulos na China. A recuperação, porém, foi parcial, visto que amanhã também vencem títulos externos da empresa, denominados em dólares, e eles não foram mencionados no comunicado. Chama a atenção, também, o silêncio do governo chinês sobre a questão nas últimas semanas, e há uma incerteza se o Partido Comunista Chinês permitirá uma crise em larga escala em seu setor financeiro. Por outro lado, as intervenções recentes dos reguladores chineses foram no sentido de conter o apetite e o risco excessivo dos setores, e há quem argumente que salvar a Evergrande poderia ser mal interpretado dentro da economia chinesa. Por isso, muitos acreditam que, caso houver a intervenção do Banco Central para ajudar a empresa, ela provavelmente será limitada.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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