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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar inicia o dia em baixa,
cotado ao redor de R$ 5,43
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Mercado de divisas acompanha dados de atividade econômica

O par real/dólar operava esta manhã em queda. No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$ 5,43, recuo de 0,2% ante à véspera. Já o dollar index era cotado ao redor de 93,9 pontos, variação de +0,1% em relação ao fechamento de segunda. O mercado de divisas repercute a preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos entrarem em “default” pela primeira vez na sua história devido ao impasse sobre o limite de endividamento público no Senado americano. É digno de nota, também, que a produção industrial brasileira registrou queda pelo terceiro mês consecutivo, em meio a problemas na cadeia global de produção e queda no poder de compra da população, por conta da aceleração no nível de preços.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez um duro discurso em que culpava os Republicanos por impedir a passagem de uma resolução no Congresso que suspenda ou eleve o limite de endividamento público do país, que corre o risco de entrar em “default” pela primeira vez na sua história caso essa medida não ocorra até 18 de outubro. Biden chamou de “hipócritas” os senadores do partido adversário, pois eles aprovaram um aumento de gastos de US$ 8 trilhões durante o governo Trump e agora se recusam a prover mecanismos de financiamento para tais gastos. Igualmente, o presidente acusou os Republicanos de recusarem a possibilidade do partido Democrata aprovar unilateralmente no Senado, visto que cada partido tem poder de obstrução (filibuster). O impasse sobre o teto da dívida pública dura semanas, e poucas alternativas parecem viáveis. Em depoimento ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, alertou que qualquer calote da dívida dos EUA causaria danos irreparáveis, bem como uma crise financeira e recessão. A secretária, inclusive, apoiou a exclusão do limite ao endividamento público.

Nesta manhã, o IBGE divulgou o resultado da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) para o mês de agosto, que registrou uma retração de 0,7% em relação ao mês anterior. A queda ficou acima da esperada por analistas, cuja mediana das projeções apontava para uma expectativa de retração de 0,4%, e engatou uma sequência de 3 meses consecutivos, depois dos resultados de junho (-0,2%) e julho (-1,3%), acumulando perda de 2,3% no período. Em relação a agosto de 2020, a queda foi também de 0,7%, interrompendo uma sequência de 11 meses com taxas positivas no comparativo anual.

Das quatro grandes categorias pesquisas, três registraram retrações, lideradas por bens de consumo duráveis (-3,4%), seguida de bens de capital (-0,8%) e bens intermediários (-0,6%) com 15 dos 26 ramos pesquisados diminuindo sua atividade no mês. Entre as principais quedas, figuraram outros produtos químicos (-6,4%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,6%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,1%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,3%). Entre os resultados positivos, estiveram produtos alimentícios (2,1%), bebidas (7,6%) e indústrias extrativas (1,3%) exerceram os principais impactos positivos.

Os resultados aquém do esperado nos últimos meses têm girado em torno dos desarranjos na cadeia de suprimentos, que tem provocado elevação dos custos dos insumos à indústria, e pela forte aceleração da inflação, que tem limitado o poder de compra do consumidor de forma geral, e prejudicado as projeções de crescimento da economia brasileira no segundo semestre de 2021.

Os mercados globais devem acompanhar também a divulgação dos PMIs de serviços e consolidado de setembro para Estados Unidos e zona do euro. Os dados preliminares apontam para uma expectativa de desaceleração do nível de atividade em relação ao mês de agosto, e podem indicar uma possível perda de fôlego da retomada do nível de atividade e empregos, conforme crescem as preocupações com o avanço da inflação e com a redução dos estímulos monetários pelos respectivos bancos centrais.

Vale destacar, também, que, segundo a agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat, a inflação na zona do euro acelerou a 3,4%, máxima de 13 anos em setembro, e provavelmente continuarão em ascensão nos próximos meses. Os preços subiram devido principalmente ao aumento nos custos de energia, como petróleo e gás natural, e ao impacto de gargalos de produção e logística, com os preços dos bens duráveis aumentando 2,3% em relação a agosto. Segundo o Banco Central Europeu, os problemas na cadeia de oferta parecem estar piorando, aumentando as chances de o salto da inflação chegar ao núcleo dos preços e criar pressões mais permanentes, como ajustes de preços das empresas e das políticas salariais. Em sua última previsão, o BCE afirmou que o índice de preços ao consumidor pode atingir 4% até o final do ano, duas vezes a meta da autoridade monetária, para então iniciar sua queda.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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