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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre quarta em queda,
cotado ao redor de R$ 5,47
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio reflete otimismo externo com expectativas
de elevação dos juros mundiais

O par real/dólar possuía trajetória descendente nas primeiras operações da manhã desta quarta-feira (17). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era cotado ao redor de R$5,47, queda de 0,5% ante à véspera. Já o dollar index, após atingir pico de 96,2 pontos – seu maior valor desde julho de 2020 – era cotado ao redor de 95,8 pontos, variação de -0,1% em relação ao fechamento de ontem. O mercado de moedas demonstra otimismo na manhã desta terça-feira, amparado pelo apetite por riscos nos mercados internacionais de ativos. Nesta manhã, o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) do Reino Unido informou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) atingiu seu maior valor em dez anos, aumento as apostas de que o Banco Central da nação deverá aumentar as taxas de juros em breve. Nos Estados Unidos, crescem as expectativas para uma maior contração monetária em função da divulgação de dados de vendas de varejo e produção industrial acima das expectativas, ontem. No Brasil, o programa Auxílio Brasil, que substitui o Bolsa Família, começa a ser pago hoje com benefício médio de R$ 217,18, em que pese a promessa do governo de elevar o benefício para R$ 400. A agenda do dia está carregada. A Secretaria de Política Econômica informa novas projeções às 9h30min, seguido de entrevista do secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, e do secretário especial de Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago. Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, dará palestra às 18h00min. No exterior, cinco presidentes distritais e dois conselheiros do Federal Reserve possuem falas públicas programas ao longo do dia.

O mercado de divisas observa um fortalecimento generalizado do dólar perante as demais divisas do mundo. Colaborou para um forte ganho do dollar index ontem a entrevista à televisão do presidente do Federal Reserve (Fed) de St. Louis, James Bullard, em que afirmou que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) deve estar preparado para atuar de maneira firme caso os níveis de preços não reduzam nos próximos meses. Bullard repetiu sua previsão de que o Banco Central americano deveria elevar as taxas de juros duas vezes ao longo de 2022 e declarou que o Fed deveria considerar acelerar o ritmo de cortes no programa de compra de ativos do Fed caso os preços se mantenham em níveis elevados, dobrando a redução mensal na aquisição de títulos, de US$ 15 bilhões para US$ 30 bilhões. A próxima reunião do FOMC ocorrerá nos dias 14 e 15 de dezembro.

A fala do representante do Fed se somou à divulgação de dados acima do esperado para as vendas do varejo e produção industrial nos Estados Unidos para o mês de outubro. As vendas no varejo se expandiram em 1,7% na passagem de setembro para outubro, ao passo que a mediana das expectativas de analistas apontava para crescimento de 1,0%. A demanda continua aquecida às vésperas do fim de ano, em que pese dificuldades logísticas e estoques reduzidos por parte dos comerciantes. Já a produção industrial se elevou 1,6% no mês de outubro, ante uma mediana das estimativas de 0,9%, se recuperando da queda pontual de setembro após furacões no sul do país e uma onda de coronavírus. Destaca-se, ainda, a recuperação produtiva no setor automotivo, um dos mais impactados pelos desequilíbrios entre oferta e demanda após a pandemia de Covid-19.

Hoje, a União Europeia e o Reino Unido atualizaram seus Índices de Preços ao Consumidor (CPI) para o mês de outubro. Na zona do euro, os níveis de preço se aceleraram em 0,8% na passagem de setembro para outubro e acumula alta de 4,1% comparado a outubro do ano passado, em linha com a mediana das expectativas de analistas. No Reino Unido, o CPI obteve variação mensal de +1,1% e variação anual de +4,2%, superando as estimativas de analistas. As taxas de inflação se mostram uma preocupação global ao mostrar força tanto em economias emergentes como em economias centrais, pressionando os Bancos Centrais a reagir com políticas restritivas e redução de estímulos ou correr o risco de vivenciar processos mais prolongados e voláteis, caso optem por observar a evolução dos preços para obter mais informações.

No cenário doméstico, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia reduziu suas projeções para o PIB e elevou suas projeções de inflação para 2021 e 2022 nesta manhã. Segundo a SPE, a economia brasileira deve se expandir em 5,1% neste ano, contra 5,3% em sua última estimativa. Para 2022, a previsão caiu de 2,5% para 2,1%. A expectativa do governo para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2021 aumentou de 7,90% para 9,70% e para 2022, de 3,75% para 4,70%. Em que pese a piora nas projeções, as estimativas oficiais ainda são positivas quando comparadas ao último boletim Focus, mediana das expectativas de 138 instituições financeiras pesquisadas pelo Banco Central, que visualizam crescimento do PIB de 4,88% em 2021 e 0,93% em 2022 e uma taxa IPCA de 9,77% em 2021 e 4,79% em 2022.

É digno de nota, também que as preocupações com a responsabilidade fiscal do governo Bolsonaro em ano eleitoral voltaram à tona. O presidente declarou à imprensa em viagem internacional que, caso a PEC dos Precatórios (PEC 23/21) seja aprovada, ele pretende conceder um aumento salarial para todos os servidores federais, “sem exceção”. Segundo o presidente, “a inflação chegou a dois dígitos. Conversei com o [ministro da Economia] Paulo Guedes, e em passando a PEC dos Precatórios, tem que ter um pequeno espaço para dar algum reajuste. Não é o que eles [servidores] merecem, mas é o que nós podemos dar”, assegurou. Segundo cálculos do Ministério da Economia, a PEC criará um espaço de R$ 91,6 bilhões no orçamento em 2022 ao limitar a quantidade de dívidas judiciais do setor público serão pagas e modificando o cálculo do limite constitucional de despesas.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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