
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar era negociado com leve tendência de queda nas primeiras operações desta sexta-feira (10). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era cotado ao redor de R$ 5,565, baixa de 0,2% em relação ao encerramento de quinta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 96,4 pontos, variação de +0,1% ante o fechamento anterior. Deve predominar nesta sexta-feira as expectativas sobre os dados de inflação, com as atualizações do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no Brasil, e do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos Estados Unidos. O IPCA permaneceu elevado em novembro, porém registrou avanço inferior às expectativas de analistas, com aceleração de 0,95% para o mês. Nos Estados Unidos, a alta de preços persistente e disseminada aumenta as apostas sobre o fim antecipado do programa de compra de ativos do Federal Reserve (Fed) e a possibilidade de aumentos de juros anteriormente que o inicialmente estimado. No exterior, o ambiente permanece de cautela mais elevada, com os números de infecções de Covid-19 em alta no hemisfério norte, por conta da chegada do inverno, e com a notícia de que a Evergrande foi classificada como “Restricted Default” pela agência de classificação de risco de crédito Fitch ontem.
Nesta manhã, O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA se acelerou em 0,95% na passagem de outubro para novembro, abaixo da mediana das expectativas de analistas, que apontava para um reajuste de 1,08% no mês. Ainda assim, foi o maior registro em um mês de novembro desde 2015, quando o aumento foi de 1,01%. No ano, o indicador acumula variação de +9,26% e, no acumulado em 12 meses, de +10,74%. Das nove classes de despesas pesquisadas, sete apresentaram aceleração. Tal desempenho foi influenciado, principalmente, pela elevação dos preços em Transportes (3,35%), puxados, por sua vez, pela alta da gasolina (7,38%), etanol (10,53%), diesel (7,48%) e gás veicular (4,30%). Na sequência, destacaram-se Artigos de Residência (1,03%) e Habitação (1,03%), com a elevação em energia elétrica (1,24%), gás de botijão (2,12%) e gás encanado (2,00%). Por outro lado, Alimentação e Bebidas registrou leve decréscimo (-0,04%).
Nos Estados Unidos, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) publicou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) se acelerou em 0,8% no mês de novembro, em linha com as expectativas de analistas. No acumulado em 12 meses, o indicador cresceu 6,8%, o maior registro desde junho de 1982. Ao se remover os componentes voláteis de alimentação e energia, o chamado “núcleo do indicador”, o acréscimo do mês de novembro foi de 0,5%, também em linha com as estimativas de mercado. No acumulado em 12 meses, a variação do núcleo do CPI é de +4,9%, maior crescimento do índice desde 1991. Com a taxa de desemprego e a recuperação do mercado de trabalho próximos dos patamares pré-pandêmicos, o nível de atividade econômica em expansão e taxas de inflação não vistas há décadas, crescem as apostas de analistas de que o Federal Reserve pode aumentar o ritmo de contração monetária a fim de buscar maior estabilidade de preços sem comprometer proibitivamente a recuperação econômica.
Por fim, é importante destacar que, ontem, a agência de classificação de risco de crédito Fitch rebaixou a classificação da incorporadora imobiliária chinesa Evergrande para “Restricted Default”, ou seja, para uma classificação de empresa que deixou de honrar suas obrigações financeiras, mas não cessou suas operações ou entrou em processo de liquidação. Entretanto, a empresa não fez nenhum anúncio desde a nova classificação e continua com suas ações sendo negociadas na bolsa de valores de Hong Kong (HKEX). Em seu comentário sobre a piora da classificação da Evergrande, a Fitch notou que a empresa não respondeu aos seus contatos buscando confirmação do pagamento de um título de cupom denominado em dólares vencido em 06 de novembro no valor de US$ 82,5 milhões e cujo período de carência se encerrou em 06 de dezembro. “Desta forma, estamos assumindo que eles não foram pagos”, escreveu a agência.
Com a classificação dessas empresas como “Default” pela agência, credores poderão executar cláusulas de recebimento imediato de suas dívidas junto à empresa, o que pode desencadear um efeito em cadeia de insolvência para elas. Com uma dívida superior a US$ 300 bilhões, há grande preocupação do mercado financeiro com os efeitos da falência da Evergrande, em particular, visto que seus passivos estão organizados em uma complexa rede de financiamentos com bancos, detentores de títulos, fornecedores e proprietários de imóveis, elevando a possibilidade de um efeito contágio. Nesta quinta-feira, o presidente do Banco Central da China (PBoC), Yi Gang, declarou em uma palestra que uma eventual dificuldade da Evergrande em honrar suas obrigações é um evento de mercado e que os direitos dos credores serão respeitados pelo sistema legal.

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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


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