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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre a sexta em alta, cotado a R$5,54
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio deve refletir preocupação com mobilização de servidores
e dados de atividade econômica nos EUA

A taxa de câmbio apresentava leve tendência de alta nas primeiras negociações desta sexta-feira (13). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$ 5,54, ganho de 0,2% ante à véspera. Já o dollar index era cotado ao redor de 94,8 pontos, praticamente estável em relação ao encerramento de ontem. O mercado de divisas repercute o crescimento de 0,6% das vendas do varejo em novembro, acima das estimativas de analistas, cuja mediana apontava para retração de 0,2% no período. Os agentes financeiros acompanham, também, notícias sobre a paralização de servidores programada para a próxima terça-feira, após auditores fiscais chamarem de “frustrante” a reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, no fim da tarde de ontem. Segundo o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), 19 categorias aderiram à paralização. Nos Estados Unidos, a agenda do dia guarda a comunicação de dados sobre a venda do varejo no mês de dezembro, às 10h30min, e sobre a produção industrial no mesmo período, às 11h15min.

Nesta manhã, também, o IBGE divulgou que as vendas do varejo se aceleraram em 2,4% em novembro, acima da mediana das expectativas de analistas, que apontava para uma retração de 0,2% no período. No acumulado em 12 meses, o varejo acumula crescimento de 1,9%. Na análise dos grupos que compõem o varejo, entretanto, o desempenho foi inconsistente, em que cinco setores registraram decréscimo e quatro, expansão. Os maiores crescimentos vieram de “outros artigos de uso pessoal” (+2,2%), “artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria” (+1,2%) e “hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo” (+0,9%), ao passo que as maiores quedas vieram de “móveis e eletrodomésticos” (-2,3%), “tecidos, vestuário e calçados” (-1,9%) e “livros, jornais, revistas e papelaria” (-1,4%). “O que vimos foi uma Black Friday muito menos intensa, em termos de volume de vendas, do que a de 2020, quando esse período de promoções foi melhor, sobretudo para as maiores cadeias do varejo”, analisa o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. “Isso se deve, em parte, pela inflação, mas também por uma mudança no perfil de consumo, já que algumas compras foram realizadas em outubro ou até mesmo no primeiro semestre, quando houve maior disponibilidade de crédito e o fenômeno dos descontos”.

Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se reuniu com o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), Isac Moreno Falcão Santos para tratar sobre as demandas dos servidores por reajuste salarial em 2022. Em protesto à decisão do Palácio do Planalto de programar aumento apenas para as categorias de segurança, o Sindifisco já reúne 1.288 pedidos de renúncia a cargos de chefia e liderança como forma de pressionar o governo a melhorar a remuneração e regulamentar o pagamento por bônus de produtividade para a categoria. Nesta terça, o chefe de gabinete da Receita Federal, Antonio Márcio de Oliveira Aguiar, ordenou por escrito a não se efetivar nenhuma demissão no Diário Oficial da União, decisão que o Sindifisco alega ser ilegal e ameaça ingressar com interpelação judicial. A iniciativa de Bolsonaro de propor aumento a apenas uma carreira levou a uma série de categorias a protestar, e o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) convocou uma paralização para a próxima terça-feira (18). Segundo a entidade, 19 categorias aderiram à proposta. Segundo o presidente da entidade, Rudinei Marques, o governo Bolsonaro desarticulou todas as vias de negociação existentes até o governo Temer e “implodiu” os canais de diálogo, o que criou as condições para uma greve geral. Rudinei lembra, também, que os servidores públicos estão sem reajuste desde 2017.

Cálculos feitos pela área técnica do governo e divulgados pela agência de notícias Reuters indicam que o Ministério da Economia avalia vetar até R$ 9 bilhões de reais para “recompor gastos que estariam subestimados nas contas aprovadas pelo Congresso Nacional”, segundo a Reuters. De acordo com a notícia, os problemas iriam desde Ministérios que negociaram verbas diretamente com o relator do Orçamento geral do Congresso – as emendas de relator, chamadas de “orçamento secreto” –, até verbas para as cidades enfrentando emergência ou estado de calamidade com as chuvas. Contudo, dado o ambiente volátil de protestos dos servidores, é possível que o governo busque nesse montante algum valor para atender às demandas do funcionalismo.

Por fim, é digno de nota que, ontem, a governadora do Federal Reserve (Fed) Lael Brainard, em audiência ao Comitê de Assuntos Bancários do Senado americano para confirmação de sua indicação à vice-presidência do Fed, se tornou mais uma autoridade do Banco Central estadunidense a sinalizar que a instituição pode iniciar seus aumentos de juros logo na reunião de março. A aceleração de preços alta, persistente e disseminada parece formar um consenso entre as autoridades de que uma atuação rápida é imprencidível. “O Comitê [Federal de Mercado Aberto] tem projetado diversos reajustes ao longo do ano. (...) Nós estaremos em uma posição para fazer [o aumento], penso eu, tão logo as compras de ativos estiverem terminadas [em março], e nós simplesmente teremos de ver o que os dados exigirão no decorrer do ano”, afirmou Brainard ao Comitê do Senado. Tal qual Jerome Powell, em seu depoimento na terça-feira, a governadora argumentou pela necessidade de reduzir os índices de inflação tão rápido quanto possível, desde que não se comprometa o crescimento da economia. Desde o início do ano, diversos representantes do Fed já defenderam o aumento de juros na reunião de março, como os presidentes do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, de Chicago, Charles Evans, de Cleveland, Loretta Mester, de Filadelfia, Patrick Harker, de São Francisco, Mary Daly e de St. Louis, James Bullard.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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