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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre a sexta-feira em queda,
cotado ao redor de R$ 5,415
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio deve refletir cenário de fortalecimento de dólar, no exterior,
e dados de desemprego e inflação, no Brasil

A taxa de câmbio realizava movimentações laterais nas primeiras negociações desta sexta-feira (28). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$5,415, recuo de 0,2% em relação ao encerramento de quinta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 97,4 pontos, variação de +0,1% ante à véspera. O mercado de divisas continua repercutindo as expectativas de um Federal Reserve (Fed) mais firme no enfrentamento às elevadas taxas de inflação, com uma ampla interpretação de diversos aumentos de juros ao longo de 2022 para esse fim favorecendo uma significativa valorização da moeda americana. Os agentes continuam acompanhando as tensões geopolíticas na fronteira entre Rússia e Ucrânia, onde os sinais mais recentes são de persistência diplomática e de pausa na ameaça imediata de conflitos. Em dia de agenda cheia, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) se acelerou em 1,82% em janeiro, acima das estimativas de analistas, cuja mediana apontava para um crescimento de 1,68%. Na sequência, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego recuou de 12,1% no trimestre encerrado em outubro para 11,6% no trimestre encerrado em novembro. Mais tarde, às 10h30min, o Departamento de Análises Econômicas (BEA) dos Estados Unidos publicará o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE), indicador mais utilizado pelo Fed. Por fim, é digno de nota que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, intimou o presidente da República, Jair Bolsonaro, a prestar depoimento na tarde de hoje à Polícia Federal sobre o inquérito que apura o vazamento de investigação sigilosa pelo Presidente.

A divisa americana prossegue a caminho da sua maior valorização semanal em sete meses, impulsionada pelas expectativas de uma sequência de reajustes de juros pelo Federal Reserve ao longo de 2022, o que coloca o dólar em situação vantajosa em relação a outras moedas pelo mundo. Há quase um consenso de que o primeiro acréscimo nas taxas de juros de fundos federais ocorrerá na decisão de política monetária de março, e as estimativas para o restante do ano vão de três a cinco novos acréscimos de 0,25 pontos percentuais aos juros. Em entrevista coletiva na quarta-feira, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a “mente” do Comitê Federal de Mercado Aberto está em elevar os juros na próxima decisão, em março, desde que se mantenham as atuais condições econômicas, e que seus integrantes se manterão “humildes e ágeis” avaliando os dados e informações a respeito das variáveis macroeconômicas para tomar cada decisão de política monetária. Perguntado diretamente sobre a possibilidade de reajustes consecutivos nas taxas de juros, Powell não descartou a possibilidade, porém afirmou que nenhuma decisão havia sido tomada e que cada reunião seria uma realidade distinta.

Contribui para a valorização do dólar, também, as tensões elevadas no leste europeu em função do acúmulo de tropas russas próximas à extensa fronteira ucraniana, em que pese as intensas negociações diplomáticas envolvendo não apenas Rússia e Ucrânia, como também os Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha. Hoje, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou que a nação eslava não deseja a guerra, porém que não permitiria que a Rússia fosse rudemente atropelada nos temas de segurança na Europa. Disse, ainda, que o Ocidente estava ignorando as demandas do país sobre o tema, mas que, pelo menos ainda havia um diálogo sobre o tema.

No Brasil, a FGV informou que o IGP-M subiu 1,82% em janeiro, acima das estimativas de analistas, cuja mediana apontava para um crescimento de 1,68%. Com este resultado o índice acumula alta de 16,91% em 12 meses. Segundo André Braz, coordenador da pesquisa, “a inflação ao produtor segue espalhada. Os preços dos bens de investimento subiram 2,07%, ante 0,78%, em dezembro de 2021. Já os preços de materiais e componentes para manufatura avançaram para 1,33%, depois de subirem 0,40% no mês passado. Por fim, o minério, embalado pela escalada do preço internacional, fechou janeiro com alta de 18,26% e respondeu por 52% do resultado do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA)”. Com peso de 60% no índice final, o IPA subiu 2,30% em janeiro, após alta de 0,95% em dezembro. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou 0,42% em janeiro.

É importante registrar, ainda, que a taxa de desemprego no país recuou de 12,1% no trimestre móvel de agosto a outubro para 11,6% no trimestre entre setembro e novembro, com incremento na taxa de participação de 62,1% da população em idade ativa para 62,3% no mesmo período. Contudo, ao se analisar as categorias da ocupação, observa-se a fraqueza do mercado de trabalho: Em relação ao mesmo período de 2020, as categorias com maiores crescimento foram, em ordem, trabalhadores domésticos (+22,5%), empregados sem carteira de trabalho assinada (+18,7%), trabalhadores por conta própria (+14,3%) e trabalhadores com carteira de trabalho assinada (+8,4%). Como o crescimento da ocupação se deu nas categorias de menor dinamismo e menores proteções à continuidade do trabalho, a renda média do trabalho recuou em 11,4% em um ano, para R$ 2.444.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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