
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar apresentava tendência de baixa nas primeiras negociações desta quarta-feira (02). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era cotado ao redor de R$5,26, variação de -0,3% em relação ao término de ontem. Já o dollar index continua em queda livre, cotado ao redor de 95,9 pontos, recuo de 0,5% ante à véspera. O mercado de divisas aguarda pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), às 18h30min, que deve elevar a taxa básica de juros (Selic) de 9,25% a.a. para 10,75% a.a. O aumento dos juros no Brasil amplia o diferencial de rendimentos comparativos do país e contribui para o fortalecimento da sua moeda, que acumula quatro sessões consecutivas de quedas. No exterior, o ambiente é de elevado otimismo e apetite por riscos, com a continuidade dos esforços diplomáticos para evitar o conflito armado na fronteira entre Rússia e Ucrânia e a percepção de que o Federal Reserve pode não ser tão agressivo quanto previsto por analistas na busca pela estabilidade de preços este ano. Na agenda do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a produção industrial se acelerou em 2,9% em dezembro, acima das estimativas de analistas. Às 10h15min, a ADP atualiza a criação de empregos privados de janeiro nos EUA, enquanto às 14h30min o BC divulga o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), também para janeiro.
Os investidores estrangeiros continuam demonstrando elevado apetite por ativos considerados arriscados e prolongaram seus fluxos de investimentos no Brasil, uma sequência que pode ser apontada como um dos principais fatores explicativos para a valorização da moeda brasileira desde o mês de janeiro. De acordo com a B3, durante o mês de janeiro, dado mais recente disponível, a entrada líquida de capital estrangeiro na Bolsa de Valores de São Paulo foi de R$ 32,491 bilhões (entrada de R$ 360,924 bilhões e saída de R$ 328,433 bilhões). Este valor é mais que o dobro ao de dezembro passado (R$ 14,547 bilhões) e superior ao de janeiro de 2020 (R$ 23,556 bilhões). Os setores que mais contribuíram com a alta recente da bolsa foram o de petróleo e gás, por conta da escalada recente de preços internacionais, o de mineração, por conta dos estímulos econômicos ao setor de construção na China, e o setor financeiro, por conta da perspectiva de aumentos na Selic.
Contribui com a valorização do real, também, a expectativa de analistas financeiros de que o Copom elevará a taxa Selic em 1,5 ponto percentual em sua decisão de política monetária de hoje, que será divulgada após o encerramento do pregão. Embora haja praticamente um consenso sobre a medida a ser adotada hoje pelo Comitê, o foco dos investidores seguramente estará na comunicação do colegiado sobre quais são os próximos passos antecipados acerca do aperto monetário neste ano, isto é, qual é o próximo aumento visualizado pelos integrantes do Copom dentro da atual conjuntura econômica. De acordo com a pesquisa Focus, coletada pelo BC junto às instituições financeiras, a mediana das estimativas mostra um reajuste de 10,75% a.a. para 11,75% a.a. na decisão de março e mais um pequeno acréscimo na decisão de maio, para 12,00% a.a.
Vale destacar, também, que, nesta manhã, o IBGE informou que a produção física industrial se expandiu em 2,9% em dezembro, consideravelmente acima das estimativas de analistas, cuja mediana apontava para um crescimento de 1,6% no período. O dado de novembro também foi levemente reajustado para cima, de retração de -0,2% para estabilidade (0,0%). Assim, o saldo acumulado em 2021 foi positivo em 3,9%, embora o setor se encontre 0,9% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, no quadro pré-pandemia, e 17,7% abaixo nível recorde da série histórica, registrado em maio de 2011. O gerente da pesquisa, André Macedo, destaca que o resultado do fechamento do ano reflete a perda de ritmo da indústria no decorrer de 2021. “É o primeiro resultado positivo depois de dois anos. Em 2019, o acumulado do ano foi de -1,1% e em 2020, de -4,5%. Em 2021, houve uma característica decrescente ao longo do ano, uma vez que houve ganho acumulado de 13,0% no primeiro semestre e, posteriormente, o setor industrial mostrou redução de fôlego. Os resultados positivos dos primeiros meses do ano tinham relação com uma base de comparação muito depreciada, já que em 2020 houve perdas bastante intensas para a indústria”, explica.
No cenário internacional, o dollar index continua em queda livre, acumulando desvalorização de 1,4% em três dias. Corrobora para esta perda o esforço coordenado de diversos integrantes do Federal Reserve para reduzir a dispersão de estimativas existentes entre analistas de mercados sobre como o Fed deve realizar seu aperto monetário neste ano. As expectativas vão de três aumentos de 0,25 ponto percentual na taxa de juros (por exemplo, Barclays) a sete aumentos de mesma magnitude (por exemplo, Bank of America) – a maioria dos analistas antecipam quatro. Ao mesmo tempo, estes representantes da autoridade monetária visam a assegurar a maior flexibilidade possível para o banco central americano, declarando que, embora o aumento de juros em março pareça certo, a trajetória após esse aumento depende dos dados a respeito da pandemia, emprego e inflação.
A presidenta do Federal Reserve de San Francisco, Mary Daly, afirmou que “estamos definitivamente posicionados para um aumento em março (...). Mas, depois disso, eu quero ver o que os dados nos trazem”. O presidente do Federal Reserve de Richmond, Thomas Barkin, declarou que “eu gostaria que estivéssemos mais bem posicionados (...), em algum lugar mais próximo à [taxa] neutra [de juros], certamente, do que estamos agora, e eu acredito que o ritmo de ajustes depende do ritmo da inflação”. O presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, disse que “nós precisamos pensar cuidadosamente como as coisas estão indo, como a economia irá responder aos nossos primeiros movimentos”. A presidenta do Federal Reserve de Kansas City, Esther George, declarou que “não é do interesse de ninguém perturbar a economia com reajustes inesperados (...). Eu creio que o Federal Reserve irá se mover calculadamente em suas decisões de remover as acomodações [monetárias]”. O presidente do Federal Reserve de Philadelphia, Patrick Harker, argumentou que “neste momento, eu penso que quatro elevações de 25 pontos-base neste ano parecem apropriadas. (...) Mas há muito risco aqui” de a inflação variar para cima, ou para baixo. E, por fim, o presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard afirmou que cinco aumentos de juros neste ano “não é uma aposta ruim” para o aperto monetário do Fed neste ano.

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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


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