
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar apresentava tendência de leve alta nas primeiras negociações desta segunda-feira (14). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era cotado ao redor de R$5,25, variação de +0,2% em relação ao encerramento anterior. Já o dollar index era cotado ao redor de 96,3 pontos, ganho de 0,2% ante o fechamento de sexta-feira. O mercado de divisas deve repercutir o clima de tensão no leste europeu. Durante o fim de semana, os Estados Unidos alertaram que a Rússia pode invadir o país vizinho a qualquer momento e determinou que cidadãos americanos e quase a totalidade de sua embaixada abandonassem o país. Já a Rússia acusa o Ocidente de provocar uma histeria informacional e de inflamar a situação, buscando o conflito. De um modo geral, os mercados financeiros estão avessos ao risco e buscando ativos de segurança, prejudicando o desempenho de ações, commodities e moedas de países emergentes, além do euro, e está privilegiando ativos associados a segurança, como títulos de dívida governamentais e moedas tidas como portos-seguros. No Brasil, a situação coincide com uma viajem do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou. Além disso, os agentes monitoram a possibilidade de o reajuste às categorias de segurança federais ser cancelado, após Bolsonaro afirmar, na sexta-feira, que somente haveria aumento caso houvesse acordo com as demais categorias.
Os ativos brasileiros vão na contramão da tendência mundial nesta manhã, com o dólar negociado em mercado interbancário em queda e a Bolsa de Valores de São Paulo em alta. A entrada de investimentos estrangeiros é um dos fatores determinantes para o fortalecimento do real nas últimas semanas, e, aparentemente, este apetite se mantém elevado. Após o ingresso líquido de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro, maior valor desde novembro de 2020, o saldo entre 01 e 10 de fevereiro já registra R$ 9,799 bilhões. Os setores mais beneficiados tem sido o de petróleo e gás, devido ao aumento do preço das commodities energéticas, o de mineração, devido à escalada do preço do minério de ferro, e o bancário e financeiro, devido ao aumento das taxas de juros.
Nesta manhã, também, o Banco Central divulgou o boletim Focus coletado na última sexta-feira (11), compilando as estimativas de analistas de instituições financeiras para os próximos anos e revelando um quadro, em geral, negativo. A mediana das 142 instituições respondentes aponta para uma ligeira piora da inflação em 2022 (de 5,44% na semana passada, para 5,50% nesta semana) e 2024 (de 3,00% para 3,04%), com estabilidade em 2023 e 2025 (3,50%, e 3,00%, respectivamente). Para o Produto Interno Bruto, houve revisão para baixo em 2023 (de 1,53% para 1,50%), permanecendo inalteradas as estimativas de 2022, 2024 e 2025 (em ordem, 0,30%, 2,00% e 2,00%). Já para a taxa de câmbio em fins de dezembro, reduziram-se os valores previstos para 2022 (de R$ 5,60 para R$ 5,58), 2023 (R$ 5,50 para 5,45) e 2024 (R$ 5,39 para 5,32), mantendo-se a previsão para 2025 (R$ 5,35).
A previsão para a taxa básica de juros (Selic) também foi elevada, após os comentários da semana passada pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, demonstrando preocupação com a aceleração de preços ao afirmar, repetidamente, que a inflação esperada pelo Comitê de Política Monetária supera o centro da meta do Banco Central em 2023, e, por isso, a ação da autarquia será além do que o mercado espera – mais juros, tempo mais longo, ou ambos. As estimativas para a Selic em 2022 foram ajustadas de 11,75% a.a. para 12,25%, ao passo que a de 2024 foi majorada de 7,00% a.a. para 7,25%a.a. Já as previsões de 2023 e 2024 ficaram inalteradas, respectivamente, em 8,00% a.a. e 7,0% a.a.
De uma forma geral, pode-se comentar que os agentes de mercado apostam em um ciclo longo de elevação da taxa básica de juros (Selic), que reduzirá significativamente o crescimento econômico em 2022, e, em menor medida, em 2023, mas que não terá sucesso em reduzir a taxa de inflação de imediato e falhará em trazer o índice IPCA para dentro da meta em 2022 – a margem máxima de tolerância é de 5,0% para o ano. A taxa de câmbio também deve operar em patamar acima de R$ 5,50 em 2022, por conta das incertezas políticas e da falta de credibilidade fiscal que o ano eleitoral pode trazer.
Por fim, é necessário comentar sobre o agravamento da possibilidade de conflito entre a Rússia e Ucrânia. Ontem, o governo americano afirmou que uma invasão russa pode ocorrer “a qualquer momento” e que a nação eslava busca um pretexto para iniciar os ataques. A intensa blitz diplomática do Ocidente com Moscou não logrou, até o momento, em atitudes concretas de restrição de hostilidades e redução das tropas e armamentos próximos da fronteira em nenhum dos lados. Pelo contrário, ao passo que os russos acumulam um batalhão estimado em torno de 120 mil pessoas e realiza exercícios militares até o dia 20 de fevereiro em território bielorrusso, em conjunto com esse país, a Organização do Tratado do Atlântico Norte reforça suas tropas na Lituânia e o exército ucraniano se concentra próximo à zona desmilitarizada de Donbass, onde vivem os separatistas pró-kremlin em Lugansk e Donetsk. Enquanto o desfecho deste impasse é incerto, a ocorrência de um conflito armado certamente impactaria com intensidade os mercados financeiros.

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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.

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