
Fechamento de Câmbio
Real se enfraquece com extensão da percepção de riscos eleitorais

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar apresentava tendência de queda nas primeiras negociações desta quarta-feira (16). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era cotado ao redor de R$5,17, recuo de 0,2% em relação ao encerramento de terça-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 95,8 pontos, queda de 0,2% ante à véspera. O mercado de divisas repercute as possibilidades de redução nas tensões entre Rússia e Ucrânia após o país russo afirmar que iria retornar parte das tropas junto às fronteiras a suas bases de origem. A notícia foi encarada com ceticismo pelos líderes de países ocidentais, porém foi recebida com entusiasmo pelos agentes do mercado financeiro, ávidos pela conclusão pacífica para uma das mais graves crises geopolíticas em décadas. O apetite por ativos arriscados se mostra elevado, com a valorização de ações, commodities e moedas emergentes, acompanhada pela depreciação de ativos tradicionalmente associados à segurança. Assim, o foco do dia deve se voltar para a divulgação da ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve, às 16h00min, que deve revelar o grau de consenso entre seus membros para uma atuação mais agressiva no combate à inflação nos Estados Unidos. No cenário nacional, o presidente da República, Jair Bolsonaro, está em Moscou para visita ao presidente russo, Vladimir Putin, enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a primeira fase de estudos técnicos para a privatização da Eletrobrás, em que pese o relator apresentar um erro metodológico no cálculo dos contratos que imputaria perda ao Tesouro Nacional de R$ 34 bilhões apenas com o bônus da outorga. Na agenda do dia, o Departamento do Comércio dos EUA informa as vendas do varejo de janeiro, às 10h30min, e o índice de estoques empresariais, ao meio-dia, o Departamento do Trabalho americano publica os índices de preços de produtos exportados e importados, às 10h30min, o Federal Reserve atualiza a produção industrial americana de janeiro, às 11h15min e o Banco Central do Brasil informa o fluxo cambial semanal às 14h30min.
Hoje, os mercados de ativos transpiram maior otimismo e desmontam as posições defensivas dos últimos dias após agências de notícias estatais russas informarem que alguns exercícios militares na Bielorrússia estavam se encerrando e que parte das tropas estavam voltando às suas bases de origem, sem especificar o número exato de tropas nem quais bases seriam essas. Vídeos foram transmitidos mostrando veículos de guerra e tropas sendo transportados por trem e por caminhões, ilustrando esta retirada. Esta foi a primeira sinalização russa concreta de apaziguamento das tensões e ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmar, no domingo, que uma invasão da Ucrânia poderia ocorrer “a qualquer instante”.
A notícia, entretanto, foi recebida por cautela pelos países ocidentais envolvidos na gestão da crise. A embaixadora dos Estados Unidos junto às Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, afirmou que “se for legítimo, são notícias bem-vindas”, enquanto o presidente do país, Joe Biden, declarou que “isso seria bom, mas nós ainda não verificamos isso”, e afirmou que ainda há mais de 150 mil tropas acumuladas ao longo do lado russo da fronteira ucraniana. O secretário de Estado americano, Anthony Blinken, disse ao ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, em telefonema, que é necessário haver uma “de-escalada significativa, crível e verificável” por Moscou. Já a Ucrânia enfrentou um ataque cibernético ao seu Ministério da Defesa e dois bancos privados do país, que resultou em interrupção de serviços on-line e de acesso às páginas destas organizações. Em comunicado, o país culpou um “agressor”, dando a entender que culpava a Rússia pela invasão de hackers.
Os mercados financeiros, por outro lado reagiram com entusiasmo. Ontem, o dólar fechou em seu menor valor em cinco meses, encerrando abaixo do patamar psicológico de R$ 5,20, e a Bolsa de Valores de São Paulo também encerrou em seu maior valor em cinco meses. Após o ingresso líquido de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro, maior valor desde novembro de 2020, o saldo entre 01 e 11 de fevereiro já registra R$ 14,859 bilhões. Os setores mais beneficiados tem sido o de petróleo e gás, devido ao aumento do preço das commodities energéticas, o de mineração, devido à escalada do preço do minério de ferro, e o bancário e financeiro, devido ao aumento das taxas de juros.
Hoje, o presidente da República, Jair Bolsonaro, encontra-se em Moscou para visita ao seu par russo, Vladimir Putin, em meio às elevadas tensões diplomáticas entre Rússia, Ucrânia e os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Bolsonaro, porém, deve tratar de assuntos comerciais, como as exportações de fertilizantes para o Brasil, e evitar o tema, se possível. “Temos agora a viagem a Rússia, sabendo do momento difícil que existe naquela região. Temos negócios com eles, comerciais. Em grande em parte nosso agronegócio depende de fertilizantes deles, temos assuntos para tratar sobre defesa, sobre energia, muita coisa para tratar. Somos um país soberano”, afirmou Bolsonaro a apoiadores. O presidente brasileiro deve se encontrar com o seu par russo na manhã de quarta-feira, seguido de um almoço no Kremlin. À tarde, encontra-se com o presidente da Câmara Baixa do Legislativo russo, a Duma, para, então, participar de um encontro com empresários brasileiros e russos. No dia seguinte, parte para a Hungria encontrar o primeiro-ministro do país, Viktor Orbán.
Por fim, é digno de nota que o plenário do TCU aprovou ontem a primeira fase dos estudos técnicos para a privatização da Eletrobrás por seis votos a um. O ministro Vital do Rêgo, que votou de forma contrária, apresentou a seus pares o que seria um erro metodológico na modelagem econômico-financeira e na precificação dos preços de outorga, ao se desconsiderar a precificação da potência das 22 hidrelétricas da Eletrobrás nos cálculos oficiais. Segundo seus cálculos, o preço correto para a privatização passaria de R$ 23,2 bilhões para R$ 57,2 bilhões. “Estamos vendendo a Eletrobras pela metade do preço e o setor privado está em festa”, argumentou. Os demais ministros, entretanto, não se deram por convencidos, entendendo que não há um mercado estabelecido para a potência elétrica, apenas para a geração de energia, e decidiram aprovar as contas iniciais do governo.

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