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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio abre a quinta em queda,
cotado ao redor de R$ 5,09
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Guerra entre Rússia e Ucrânia provoca aumento
dos preços de commodities e beneficia moeda brasileira

A taxa de câmbio apresenta tendência de baixa nas primeiras negociações desta quinta-feira (03). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$ 5,09, variação de -0,3% ante à véspera. Já o dollar index era cotado ao redor de 97,6 pontos, avanço de 0,2% frente ao encerramento de quarta-feira. O mercado de divisas repercute preocupações sobre o crescimento econômico e a inflação em âmbito global em meio ao aumento generalizado dos preços de commodities alimentícias, metálicas e, sobretudo, energéticas. O grave conflito militar entre Rússia e Ucrânia acentua a percepção de contratempos produtivos e de logística de diversos insumos importantes, o que deve impulsionar os custos produtivos, que, por sua vez, pode provocar preços maiores. As autoridades econômicas serão desafiadas a conter a aceleração de preços com políticas monetárias e fiscais restritivas, o que deve retrair o nível de atividade econômica. No cenário interno, o presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), cobrou urgência do Congresso na adoção de medidas legislativas para conter a alta dos preços de combustíveis após os preços internacionais de petróleo atingirem o maior patamar em uma década. Em dia de agenda cheia, destacam-se a publicação da ata da última reunião de política monetária do Banco Central Europeu, às 09h30min, a divulgação pelo IHS Markit do índice PMI industrial para o Brasil em fevereiro, às 10h00min, a atualização dos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos pelo Departamento de Trabalho (DOL), às 10h30min, a divulgação do Índice de Commodities Brasil (IC-Br) e do Fluxo Cambial, ambos pelo Banco Central (BC) às 14h30min, e o depoimento do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Comitê de Assuntos Bancários do Senado americano, às 12h00min.

A guerra russa contra a Ucrânia entra em sua segunda semana em um ritmo mais lento que o esperado, com as forças armadas russas tendo dominado apenas uma cidade ao sul da Ucrânia, Kherson. Os intensos bombardeios prosseguem em cidades estratégicas, especialmente na capital Kyiv, porém, por hora, as tropas ucranianas conseguem repelir o avanço russo. Negociações diplomáticas entre as partes também estão ocorrendo na fronteira com a Bielorrússia, mas não há grandes expectativas de progresso. O barril de petróleo Brent se aproximou de US$ 120 no pregão de hoje, à medida que importadores e transportadores buscam evitar fazer comércio com a Rússia por medo de futuras sanções, danos reputacionais ou falta de pagamento.

Leia no Diário de Petróleo de hoje“As preocupações com o fornecimento global de petróleo provocaram um aumento acentuado nos preços de óleo bruto, principalmente pelos rumores de que as empresas russas estão com dificuldades de achar compradores”

O mesmo pode ser dito para a economia russa como um todo, visto que sua economia parece cada vez mais isolada no contexto internacional. Desde o início da guerra, os Estados Unidos, União Europeia, Inglaterra e Canadá retaliaram às agressões do Kremlin com uma sequência de sanções econômicas destinadas a prejudicar severamente a economia russa, mantendo uma ínfima esperança de tentar convencer o presidente do país, Vladimir Putin, a negociar um cessar-fogo ou outra alternativa à crise geopolítica. As agências de riscos Moody’s e Fitch classificaram os títulos de dívidas governamentais da Rússia como “lixo” (junk), e as instituições Morgan Stanley – MSCI – e FTSE Russell removeram todos os ativos russos de seus índices de ações e moedas emergentes.

O mês de fevereiro foi marcado pela forte entrada de capitais estrangeiros no país, e será muito importante observar como os investimentos externos vão se comportar durante o conflito. Usualmente, conflitos militares estimulam a cautela e a aversão ao risco, o que poderia, em tese, prejudicar ativos arriscados e moedas emergentes, como é o caso do Brasil. Contudo, o prolongamento do conflito entre Rússia e Ucrânia traz diversas preocupações sobre produção e logística ao campo das commodities, incentivando um rali dos preços que, por sua vez, atrai investimentos aos países exportadores dessas mercadorias, como é o caso brasileiro. Os recursos estrangeiros têm sustentado a valorização da taxa de câmbio e do mercado acionário do país. Segundo a B3, em 2022, tanto o mês de janeiro como o mês de fevereiro apresentam ingresso líquido de recursos estrangeiros superior a qualquer mês de 2021, a saber, saldo de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro e de R$ 30,129 bilhões entre 01 e 25 de fevereiro.

Por fim, vale ressaltar que, ontem, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, defendeu que “mais do que nunca, diante do aumento do valor do barril de petróleo, precisamos tomar medidas que impeçam a elevação do preço dos combustíveis” nos postos de gasolina. Antes do carnaval, dois projetos de lei que buscam conter a alta recente dos combustíveis no país foram adiados para o dia 08 de março. Ambos os projetos estão sob relatoria do senador Jean Paul Prates (PT-RN). O primeiro projeto (PL 1472/2021) propõe a criação de um Fundo de Estabilização dos preços dos combustíveis, que seria financiado por um novo imposto de exportação do petróleo, além de alterar a política de preços da Petrobras para seus custos nacionais, ao invés da paridade internacional. A medida é criticada pelos Ministérios da Economia e de Minas e Energia, que temem uma fuga de investimentos externos. O segundo projeto (PLP 11/2020) altera o formato da tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – tributo estadual – sobre os combustíveis. Ele propõe a existência de uma alíquota monofásica (isto é, um único contribuinte tem responsabilidade de recolhimento sobre toda a cadeia) do ICMS para os combustíveis. Neste caso, a medida conta com resistência de governadores e prefeitos, que temem perder autonomia tributária.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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