
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar apresenta tendência de queda nas primeiras negociações desta segunda-feira (14). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 5,045, ligeiro recuo de 0,2% em relação ao fechamento de sexta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 98,9 pontos, variação de -0,2% ante à véspera. O mercado de divisas repercute o maior otimismo no exterior com o início da quarta rodada de negociações entre russos e ucranianos em busca de um cessar-fogo, com ambos se mostrando cautelosamente abertos para as conversas. Enquanto isso, as tropas russas prosseguem lentamente pelo território ucraniano, utilizando-se largamente de bombardeios aéreos e reduzindo o país vizinho a destroços. Na China, ondas de Covid-19 forçaram as autoridades a decretarem quarentena para o importante polo tecnológico de Shenzen, cidade com 17 milhões de habitantes, e para Jilin, cidade com 24 milhões de habitantes, o que pode agravar desequilíbrios produtivos e reduzir o potencial de crescimento do país. O foco da semana deve permanecer sobre as decisões de política monetária dos bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil, particularmente sobre como eles buscarão enfrentar o desafio inflacionário no contexto de choques de oferta causados pela Guerra entre Rússia e Ucrânia sem desacelerar excessivamente a atividade econômica de seus países. Por fim, é digno de nota que o presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou integralmente, na sexta-feira, o Projeto de Lei Complementar 11, que altera a cobrança do ICMS sobre os combustíveis.
Nesta manhã, o Banco Central divulgou o boletim Focus coletado na última sexta-feira (11), compilando as estimativas de analistas de instituições financeiras para os próximos anos e revelando um quadro, em geral, negativo. A mediana das 140 instituições respondentes aponta para uma piora da inflação em 2022 (de 5,65% na semana passada, para 6,45% nesta semana), 2023 (de 3,51% para 3,70%) e 2024 (de 3,10% para 3,15%), com estabilidade em 2025 (3,00%). Para o Produto Interno Bruto, elevou-se a estimativa de 2022 (de 0,42% para 0,49%), reduziu-se a de 2023 (de 1,50% para 1,43%) e mantiveram-se os valores previstos para 2024 e 2025 (2,00% em ambos os casos). Já para a taxa de câmbio em fins de dezembro, reduziram-se os valores previstos para todos os anos, a saber, 2022 (de R$ 5,40 para R$ 5,30), 2023 (R$ 5,30 para 5,21), 2024 (R$ 5,30 para 5,20) e 2025 (R$ 5,29 para R$ 5,20). As previsões para a taxa básica de juros ao ano (Selic), por sua vez, foram aumentadas em 2022 (de 12,25% para 12,75%), 2023 (de 8,25% para 8,75%) e 2024 (de 7,38% para 7,50%), e não se alterou em 2025 (7,00%).
De uma forma geral, pode-se comentar que os agentes de mercado apostam que a guerra entre Rússia e Ucrânia terá um efeito dilatador da inflação em 2022 e 2023, o que exigirá um ciclo longo e mais alto da taxa básica de juros (Selic), que, por sua vez, se refletirá em baixas taxas de crescimento econômico nos próximos dois anos. É importante notar, ainda, que as instituições financeiras preveem que o Banco Central falhará em trazer a aceleração de preços para dentro da meta inflacionária pelo segundo ano consecutivo – estima-se um IPCA de 6,45% em 2022, enquanto a margem máxima de tolerância é de 5,0% para o ano. As expectativas para a taxa de câmbio continuam a serem reduzidas, e deve operar em um intervalo entre R$ 5,20 e R$ 5,40, refletindo o elevado apetite estrangeiro por ativos brasileiros que contribuiu para a significativa valorização cambial no começo deste ano.
Segundo a B3, em 2022, os investidores estrangeiros já trouxeram um saldo de mais de R$ 70 bilhões em recursos para a bolsa de valores (Bovespa). Tanto o mês de janeiro como o mês de fevereiro apresentam ingresso líquido de recursos estrangeiros superior a qualquer mês de 2021, a saber, saldo de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro e de R$ 30,129 bilhões em fevereiro. O mês de março acumula superávit de R$ 8,444 bilhões até o dia 10.

No exterior, há um certo otimismo e apetite por riscos no mercado de divisas em função da realização de conversas diplomáticas entre a Rússia e a Ucrânia. Apesar de três rodadas anteriores terem obtido muito pouco resultado concreto – apenas o estabelecimento de corredores humanitários por poucas horas, e nem sempre respeitados –, a guerra prossegue em marcha lenta e com pesadas baixas para ambos os lados, o que dá esperanças, ainda que ínfimas, de que desta vez haja progresso. Nesse meio tempo, a Rússia detém a superioridade numérica e bombardeia intensamente as cidades ucranianas, que, por sua vez, demonstram bravura e preferem ser reduzidas ao pó do que se renderem – e ao pó são reduzidas. No fim de semana, um ataque aéreo de Moscou a uma base militar a apenas quilômetros da fronteira com a Polônia trouxe preocupações sobre a possibilidade de um ataque russo a um alvo pertencente à Organização do Tratado do Atlântico Norte, ainda que acidentalmente.
Por fim, é digo de nota que a China já registrou mais casos de transmissão local de Covid-19 neste ano do que em todo o ano de 2021, mostrando que a política de “Covid zero” do país se encontra sob tensão. Sofrendo para conter a altamente contagiante variante ômicron, a nação asiática impôs confinamento nas cidades de Shenzhen, conhecida como o vale do Silício chinês, Changchun e Lijin. Além disso, já estabeleceu algumas medidas de controle em Shanghai a fim de tentar debelar um foco da doença, porém anunciaram que seus moradores devem estar preparados para uma quarentena.

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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


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