
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
A taxa de câmbio apresentava tendência de baixa nas primeiras negociações desta quinta-feira (24). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era negociada ao redor de R$ 4,81, recuo de 0,7% frente ao término de quarta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 98,8 pontos, variação de +0,2% ante à véspera. O mercado de divisas deve repercutir a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, que aprofunda os cenários de referência e as projeções econômicas utilizadas pela instituição em suas decisões de política monetária. Deve receber particular atenção o tratamento dado aos choques de oferta em um ambiente de volatilidade provocados pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que entra em seu segundo mês em aparente impasse e com desfecho totalmente em aberto. Na agenda do dia, o Departamento do Trabalho (DOL) atualiza as solicitações semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, às 09h30min, o membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed), Cristopher Waller, profere palestra às 10h10min, o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, discursa às 10h50min, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, concede discurso às 12h00min, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, participa de evento às 10h00min.
O dólar negociado no mercado interbancário caminha para a sua sétima queda consecutiva em meio a um forte apetite estrangeiro por ativos brasileiros. Por um lado, o impasse na guerra entre Rússia e Ucrânia mantém o impulso para a valorização dos preços das commodities nos mercados internacionais. Há uma possibilidade de redução na oferta global de produtos alimentícios, metálicos e energéticos devido à infraestrutura prejudicada pela guerra, à emigração em massa ocorrida na Ucrânia, um importante fornecedor de commodities europeu, às sanções que foram impostas contra a Rússia e, em menor medida, a Belarus e a um desestímulo geral em realizar comércio com Moscou por medo de danos reputacionais, de futuras sanções ou mesmo de dificuldade de recebimento. Vale lembrar, também, que as cadeias logísticas globais ainda se encontram sobrecarregadas como consequência da pandemia de Covid-19, o que dificulta um rearranjo mais ágil da distribuição global destes produtos.
Neste contexto, países exportadores de produtos primários, como Colômbia, Austrália e Brasil, têm recebido um fluxo de investimentos relacionados a commodities que ajuda a apreciar sua moeda em relação ao dólar. Além disso, a baixa exposição brasileira ao risco que o conflito oferece, em termos relativos, e o baixo preço de seus ativos em termos de moeda estrangeira contribuem para reforçar este fluxo de investimentos estrangeiros. Assim, o real é a divisa que apresenta melhor desempenho frente ao dólar em 2022, com valorização de 13,0% até a data de ontem. No mercado à vista de ações da B3, a entrada líquida de recursos estrangeiros já ultrapassa R$ 81 bilhões em 2022, maior valor em três meses desde 1994, início da série histórica. O saldo de investimentos é R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro, de R$ 30,129 bilhões em fevereiro e de R$ 20,973 bilhões até o dia 22 de março.

Contribui para a entrada de capitais externos, também, o largo diferencial de juros brasileiro frente às taxas de juros dos países desenvolvidos. Enfrentando uma aceleração inflacionária, o Banco Central do Brasil (BC) realiza um intenso processo de aperto monetário que reajustou a taxa básica de juros (Selic) de 2,0% a.a. para 11,75% a.a. em um intervalo de doze meses apenas. A autoridade monetária ainda pretende subir os juros, pelo menos, uma vez mais. Hoje, a taxa real de juros – diferença entre a taxa nominal de juros menos a inflação – no Brasil só é menor que a da Rússia, país que enfrenta dificuldades de atrair investidores estrangeiros. A perspectiva de ampliação para a já elevada taxa Selic também contribui para ampliar o diferencial de juros brasileiro e atrair investidores que buscam estratégias de “carry trade” – tomar financiamento em um país de juro baixo para aplicar em um país de juro elevado.
E, de acordo com o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta manhã pelo Banco Central (BC), a previsão é de que os fluxos positivos se mantenham ao longo do ano e se transmitam à conta comercial. Em sua nova projeção, a autoridade monetária passou a prever o primeiro superávit em Conta Corrente para o país desde 2007, no valor de US$ 5 bilhões, devido ao impacto que os preços internacionais de commodities devem apresentar na balança comercial, ampliando seu superávit de US$ 52 bilhões para US$ 83 bilhões. Para os fluxos financeiros, o BC prevê um saldo positivo de US% 66 bilhões, sendo US$ 55 bilhões em investimentos diretos produtivos e US$ 11 bilhões em investimentos em carteira.

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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


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