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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio abre segunda em alta,
cotado ao redor de R$ 4,775
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Após oito quedas seguidas, dólar reflete pessimismo
externo com recrudescimento da Covid na China

A taxa de câmbio apresentava tendência de elevação nas primeiras negociações desta segunda-feira (28). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era negociada ao redor de R$ 4,775, alta de 0,6% frente ao término de sexta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 99,2 pontos, variação de +0,4% em relação ao fechamento anterior. O mercado de divisas nacional se mantém atento às perspectivas positivas dos fluxos cambiais no curto prazo, mesmo diante de um cenário mais cauteloso e pessimista no exterior. Na semana passada, o Banco Central (BC) elevou suas estimativas para o saldo positivo nas contas externas brasileiras, aumentando o superávit previsto para a balança comercial de US$ 52 para US$ 83 bilhões, e mantendo para a previsão para os investimentos estrangeiros em US$ 66 bilhões. No exterior, o anúncio de um confinamento em Shanghai de duas semanas, dividido em duas partes, renovou preocupações de que a Covid-19 possa afetar a economia e a produção chinesa de forma mais dura que o antecipado, reduzindo sua demanda e agravando os problemas nas cadeias de produção globais. Por fim, é digno de nota que o BC não divulgará nesta semana as Notas de Estatísticas do Setor Externo, de Estatísticas Monetárias e de Crédito e de Estatísticas Fiscais em função da mobilização de funcionários da autarquia, que promovem paralisações diárias de meio período desde semana passada em busca de reajuste salarial. Na agenda do dia, o Departamento do Comércio dos EUA divulga os dados da balança comercial de fevereiro, às 09h30min, e a Receita Federal atualiza os dados da arrecadação federal para o mês de fevereiro às 14h30min.

Nesta manhã, os mercados financeiros apresentavam maior cautela e menor apetite por riscos após a China decretar confinamento em Shangai, no que será o maior lockdown no país em dois anos. A cidade é um epicentro industrial e financeiro, além do maior terminal portuário em volume de embarcações do mundo. No plano divulgado pelas autoridades, a princípio, o confinamento será aplicado em duas etapas: inicialmente, a área leste da cidade permanece sob bloqueio rígido e testagem obrigatória de hoje até sexta (01); e, na sequência, a área oeste da cidade será confinada sob os mesmos termos de sexta até terça (05). Segundo as informações divulgadas, nem a bolsa de valores e nem o porto da cidade serão afetados pelo confinamento, porém as demais indústrias e empresas que não forem de atividades essenciais devem adotar o teletrabalho ou cessar temporariamente as atividades. Estas medidas mostram uma pequena adaptação do governo de Pequim ao tentar estratégias mais direcionadas no combate à transmissão da Covid-19 (e da variante altamente transmissível ômicron) sem abandonar totalmente a custosa tática de zerar os casos de coronavírus e extirpar a doença de seu país. Há grande preocupação de que esta abordagem das autoridades chinesas contra o coronavírus vá prejudicar a produção e a demanda agregada no país, resultando em crescimento econômico menor que o projetado.

Contribui para o pessimismo dos agentes financeiros, também, o prolongamento da guerra entre Rússia e Ucrânia, que avança para seu 33º dia sem alterações significativas no front de batalha, com impasse no controle territorial, bombardeamento aéreo e por artilharia das cidades ucranianas sitiadas pelo exército russo e resistência aguerrida pelos ucranianos. Kremlin e Kyiv definiram que iniciarão mais uma rodada de negociações presenciais em Ankara, na Turquia, após a intermediação do presidente do país, Recep Tayyip Erdoğan, a fim de se buscar, uma vez mais, um cessar-fogo entre as partes. Contudo, as autoridades de ambos os países procuraram reduzir as possibilidades de sucesso antes mesmo do início das conversas, o que traz pessimismo aos observadores externos. As negociações devem iniciar hoje ou amanhã, dependendo de quando os negociadores cheguem à Ankara.

Hoje, também, o Banco Central divulgou o boletim Focus coletado na última sexta-feira (11), compilando as estimativas de analistas de instituições financeiras para os próximos anos e revelando um quadro, em geral, negativo. A mediana das 140 instituições respondentes aponta para uma piora da inflação em 2022 (de 5,65% na semana passada, para 6,45% nesta semana), 2023 (de 3,51% para 3,70%) e 2024 (de 3,10% para 3,15%), com estabilidade em 2025 (3,00%). Para o Produto Interno Bruto, elevou-se a estimativa de 2022 (de 0,42% para 0,49%), reduziu-se a de 2023 (de 1,50% para 1,43%) e mantiveram-se os valores previstos para 2024 e 2025 (2,00% em ambos os casos). Já para a taxa de câmbio em fins de dezembro, reduziram-se os valores previstos para todos os anos, a saber, 2022 (de R$ 5,40 para R$ 5,30), 2023 (R$ 5,30 para 5,21), 2024 (R$ 5,30 para 5,20) e 2025 (R$ 5,29 para R$ 5,20). As previsões para a taxa básica de juros ao ano (Selic), por sua vez, foram aumentadas em 2022 (de 12,25% para 12,75%), 2023 (de 8,25% para 8,75%) e 2024 (de 7,38% para 7,50%), e não se alterou em 2025 (7,00%).

De uma forma geral, pode-se comentar que os agentes de mercado apostam que a guerra entre Rússia e Ucrânia terá um efeito dilatador da inflação em 2022 e 2023, o que exigirá um ciclo longo e mais alto da taxa básica de juros (Selic), que, por sua vez, se refletirá em baixas taxas de crescimento econômico nos próximos dois anos. É importante notar, ainda, que as instituições financeiras preveem que o Banco Central falhará em trazer a aceleração de preços para dentro da meta inflacionária pelo segundo ano consecutivo – estima-se um IPCA de 6,45% em 2022, enquanto a margem máxima de tolerância é de 5,0% para o ano. As expectativas para a taxa de câmbio continuam a serem reduzidas, e deve operar em um intervalo entre R$ 5,20 e R$ 5,40, refletindo o elevado apetite estrangeiro por ativos brasileiros que contribuiu para a significativa valorização cambial no começo deste ano.

Nesta manhã, o Banco Central divulgou com atraso o boletim Focus coletado na última sexta-feira (25), compilando as estimativas de analistas de instituições financeiras para os próximos anos e revelando um quadro, em geral, negativo. A mediana das 137 instituições respondentes aponta para uma piora da inflação em 2022 (de 6,59% na semana passada, para 6,86% nesta semana), 2023 (de 3,75% para 3,80%) e 2024 (de 3,15% para 3,20%), com estabilidade em 2025 (3,00%). Para o Produto Interno Bruto, manteve-se as estimativas para todos os anos, isto é, 2022 (0,50%), 2023 (1,30%), 2024 (2,00%) e 2025 (2,00%). Já para a taxa de câmbio em fins de dezembro, reduziram-se os valores previstos para 2022 (de R$ 5,30 para R$ 5,25) e 2023 (R$ 5,22 para R$5,20), ao passo que não se alteraram as previsões de 2024 e 2025 (R$5,20 para ambos). Da mesma forma, as expectativas para a taxa básica de juros ao ano (Selic) ficaram iguais em todos os anos, a saber, 2022 (13,00%), 2023 (9,00%), 2024 (7,50%) e 2025 (7,00%).

De uma forma geral, pode-se comentar que os agentes de mercado apostam que a guerra entre Rússia e Ucrânia terá um efeito dilatador da inflação em 2022 e 2023, o que exigirá um ciclo mais longo e mais alto para a taxa básica de juros (Selic), que, por sua vez, se refletirá em taxas de crescimento econômico menores nos próximos dois anos. É importante notar, ainda, que as instituições financeiras preveem que o Banco Central falhará em trazer a aceleração de preços para dentro da meta inflacionária em 2022 pelo segundo ano consecutivo – estima-se um IPCA de 6,86% nesse ano, enquanto a margem máxima de tolerância é de 5,0% para o ano. As expectativas para a taxa de câmbio continuam a serem reduzidas, e deve operar em um intervalo entre R$ 5,20 e R$ 5,25, refletindo o elevado apetite estrangeiro por ativos brasileiros que contribuiu para a significativa valorização cambial no começo deste ano.

O mercado de divisas brasileiro tem se valorizado por uma forte entrada de capitais estrangeiros, que, por sua vez, são atraídos pelo amplo diferencial de juros que o Brasil oferece e pelos ativos beneficiados pela tendência de valorização dos preços internacionais de commodities após o conflito entre Rússia e Ucrânia. No mercado à vista de ações da B3, a entrada líquida de recursos estrangeiros já ultrapassa R$ 86 bilhões em 2022, maior valor em três meses desde 1994, início da série histórica. Tanto janeiro, como fevereiro e março apresentam ingresso líquido de recursos estrangeiros superior a qualquer mês de 2021, a saber, saldo de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro e de R$ 30,129 bilhões em fevereiro e R$ 23,853 bilhões em março (até o dia 24).

Saldo do fluxo de capitais estrangeiros na B3 – até 24/03 (R$ bilhões)
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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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