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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio abre a sexta em baixa,
cotado ao redor de R$ 4,72
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Dólar repercute IPCA mais alto desde 1995 e
expectativas de aperto monetário pelo Federal Reserve

O par real/dólar apresentava tendência de queda nas primeiras negociações desta sexta-feira (08). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 4,72, recuo de 0,4% em relação ao fechamento de quinta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 99,9 pontos, seu sétimo pregão consecutivo de alta, com variação de +0,2% ante à véspera e o maior valor para o DXY desde 15 de maio de 2020. O mercado de divisas repercute a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o mês de março em 1,62%, acima das estimativas de analistas, cuja mediana apontava para um crescimento de 1,30%. Este foi a maior alta mensal para o indicador desde dezembro de 2002, e reflete os impactos do reajuste de combustíveis e da alta dos custos de alimentos e bebidas. No exterior, o ambiente é de maior pessimismo e menor apetite por riscos após a União Europeia ter aprovado um pacote de sanções que inclui a proibição da importação de carvão mineral da Rússia e os Estados Unidos terem efetivado a proibição das importações de petróleo, gás natural e carvão mineral russos, bem como a exclusão de Moscou do status de parceiro econômico preferencial. Além disso, consolidaram-se as perspectivas de um aperto monetário agressivo pelo Federal Reserve (Fed) nos próximos meses, contribuindo para o fortalecimento do dólar no cenário internacional.

Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA do mês de março atingiu 1,62%, acima das estimativas de analistas, cuja mediana apontava para um crescimento de 1,30%. O indicador acumula alta de 11,30% em doze meses. Este foi a maior alta mensal para o indicador desde dezembro de 2002, e o maior valor acumulado em doze meses desde setembro de 2003. Em março, os principais impactos ao indicador vieram das categorias de transportes (que subiu em 3,02% no mês) e de alimentação e bebidas (+2,42%). “Tivemos um reajuste de 18,77% no preço médio da gasolina vendida pela Petrobras para as distribuidoras, no dia 11 de março. Houve também altas nos preços do gás veicular (5,29%), do etanol (3,02%) e do óleo diesel (13,65%). Além dos combustíveis, outros componentes ajudam a explicar a alta nesse grupo, como o transporte por aplicativo (7,98%) e o conserto de automóvel (1,47%). Nos transportes públicos, tivemos também reajustes nas passagens dos ônibus urbanos em Curitiba, São Luís, Recife e Belém”, afirmou, em nota, o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

No mercado de divisas, o fortalecimento do dólar frente a outras divisas ao longo de sete pregões seguidos chama a atenção. Nesta manhã, o dollar index, um índice composto pela cotação do dólar em relação a seis moedas de economias avançadas, atingiu a marca de 100 pontos após quase dois anos sem atingir essa marca. Contribui para o fortalecimento da divisa americana a consolidação das expectativas de mercado em relação a um aperto monetário mais rígido pelo Federal Reserve para controlar a inflação nos Estados Unidos. Nesta semana, diversas autoridades da instituição fizeram declarações em defesa de reajustes de 0,50 ponto percentual nos juros do país nas próximas decisões de política monetária, algo incomum em sua história recente. Além disso, na quarta-feira foi publicada a ata da decisão de política monetária de março do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) e, no documento, seus integrantes “concord[aram] de forma geral” que uma redução máxima de US$ 95 bilhões ao mês, por um período de três meses, em ativos de seu balanço patrimonial “seria apropriado”, dividido em US$ 60 bilhões mensais em títulos do Tesouro americano e US$ 35 bilhões mensais em títulos atrelados a hipotecas. Atualmente o banco central do país possui quase US$ 9 trilhões em ativos, e a sua redução é um instrumento de restrição de liquidez ao sistema financeiro para auxiliar no combate à rápida inflação. Esta redução teria início em maio, e seria feita de forma passiva, isto é, não haveria reinvestimento no título após ele atingir seu vencimento. Em adição aos cortes no balaço patrimonial, o documento também revelou que “vários” dos seus membros já “preferiam” ter aumentado os juros em 0,50 p.p. em março, porém que julgaram apropriado adotar uma postura mais cautelosa na ocasião em função das incertezas associadas à guerra entre Rússia e Ucrânia.

Por fim, os investidores ainda acompanham a situação do conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se arrasta para sua sexta semana provocando volatilidade e aumentos nos preços de commodities alimentícias, metálicas e energéticas. Ontem, a União Europeia aprovou a proibição de importação de carvão mineral de Moscou, na primeira sanção do bloco que atinge um insumo energético e que deve ser implantado em quatro meses. Nos Estados Unidos, o Congresso americano ratificou a proibição das importações de petróleo, gás natural e carvão mineral russos, bem como a exclusão de Rússia e Belarus do status de parceiro econômico preferencial, tornando a sanção uma lei. Com a exclusão desse status, os Estados Unidos podem aplicar tarifas econômicas diferenciadas sobre esses países.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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