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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar começa a terça em alta,
cotado ao redor de R$ 4,93
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio reflete ambiente de pessimismo externo e interno

O par real/dólar emendava sua tendência de alta do dia anterior nas primeiras operações desta terça-feira (26). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 4,93, ganho de 1,1% em relação ao fechamento de segunda-feira. Já o dollar index se mantém em firme valorização, cotado ao redor de 101,9 pontos, variação de +0,2% ante à véspera e seu maior valor desde 24 de março de 2020. O mercado de divisas repercute o ambiente de forte aversão aos riscos tanto externamente como internamente. No exterior, há preocupações crescentes com a possibilidade de uma estagnação econômica global mais intensa do que o anteriormente antecipada, em função da expectativa de uma rápida contração monetária pelo Federal Reserve e pelo recrudescimento das medidas de contenção à disseminação da Covid-19 na China. Ambas devem desacelerar a demanda agregada nos atuais polos dinâmicos de crescimento da economia global, com impactos que transcendem suas fronteiras. No Brasil, a grave crise institucional entre os Poderes da República contribui para afastar investidores estrangeiros. Veículos de imprensa reportam que o Supremo Tribunal Federal (STF) pretende adiar, ainda que por alguns dias, o julgamento da graça constitucional concedida pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, ao deputado Federal Daniel Silveira (PTB-RJ), para permitir que a crise se amenize. Ao mesmo tempo, a Polícia Federal informou ao STF que o deputado desrespeitou, novamente, sua medida cautelar e está com a tornozeleira eletrônica desligada desde 17 de abril. Na agenda do dia, o Banco Central (BC) tornou a publicar todos os boletins Focus do mês de abril, e o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, palestra às 11h30min.

O dólar negociado no mercado interbancário operava novamente em elevação na manhã desta terça-feira, superando a barreira psicológica de R$ 4,95, em reação ao ambiente de pessimismo e reduzido apetite por riscos no mercado de divisas. Após semanas de valorização frente à moeda americana, o real inverteu sua trajetória após o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, na última quinta-feira, em que se consolidaram as apostas de um aperto monetário veloz e contundente pelo Banco Central estadunidense a fim de conter a aceleração de preços no país, ainda que isso possa reduzir o ritmo de expansão econômica no país. De acordo com a ferramenta CME FedWatch, o mercado de juros aposta em uma sequência de seis aumentos consecutivos na taxa primária de juros no país, o que já é incomum, com o predomínio de apostas indicando um reajuste de 0,50 p.p. em maio, seguido por um de 0,75 p.p. em junho, e por outro de 0,50 p.p. em julho. Isso seria ainda mais raro, visto que o último acréscimo de 0,50 p.p. pelo Fed foi em 2002 e o último de 0,75 p.p., em 1994. A elevação das taxas de juros nos Estados Unidos torna os títulos denominados em dólar mais atraentes, vistos que rendem mais juros na principal moeda do sistema financeiro internacional, e redireciona os fluxos de investimentos de economias mais frágeis para os EUA.

Contribui para o ambiente de pessimismo, também, a disseminação da variante ômicron do coronavírus pela China mesmo diante do recrudescimento das medidas de isolamento pelas autoridades do país. Hoje, o governo central decidiu testar praticamente toda a cidade de Pequim a fim de debelar na fase inicial um surto na cidade. 75% dos bairros serão obrigados a participar da testagem em massa obrigatória, e eles cobrem 20 dos 22 milhões de habitantes da capital. Enquanto isso, o confinamento em Xangai prossegue em sua quinta semana, com relatos de carência de alimentos e outros suprimentos básicos em função de manter a logística e as atividades essenciais da cidade em funcionamento durante um “lockdown” tão longo. O governo chinês está mantendo as apostas em sua política de “Covid zero” mesmo frente uma variante altamente contagiosa e acumulando custos econômicos, humanos, sociais e políticos cada vez mais elevados para benefícios cada vez menores. Agentes dos mercados financeiros se preocupam com os impactos dessa postura rígida nas cadeias produtivas e de suprimentos globais, bem como na desaceleração econômica da maior nação industrial do planeta.

Por fim, os ruídos causados por mais uma crise institucional no Brasil entre os Poderes da República também afastam investidores da moeda brasileira. Hoje, a ministra Rosa Weber, do STF, deu prazo de dez dias para que a Presidência da República se manifeste sobre as ações de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) ingressadas por três partidos de oposição (Rede Sustentabilidade, PDT e Cidadania) na suprema corte. O prazo dilatado para resposta força um adiamento do julgamento pelo STF e é uma forma de permitir o apaziguamento da crise. Na quinta-feira, um dia após o STF condenar, por dez votos a um, Silveira pelos crimes de coação no curso do processo e atentado ao Estado Democrático de Direito, o líder do Executivo decretou perdão ao parlamentar por meio de uma “graça constitucional” – medida inédita para a Constituição de 1988 e forma de indulto sem utilização desde dezembro de 1945. O deputado havia sido condenado a regime fechado, multa de R$ 200 mil, perda do mandato e dos direitos políticos. Em suas ADPF, os partidos alegam o desvio de finalidade do uso do perdão presidencial, além da violação dos princípios da impessoalidade e moralidade, ao afirmar que a graça concedida a Silveira não visa ao interesse público, mas ao interesse pessoal do presidente em proteger um aliado.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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