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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar inicia a terça em queda,
cotado ao redor de R$5,04
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio reflete intervenção do Banco Central e
expectativa de aumento de juros no Brasil e nos Estados Unidos

O par real/dólar operava em tendência de baixa nas primeiras negociações desta terça-feira (03). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 5,04, recuo de 0,6% em relação ao término de segunda-feira. Já o dollar index operava em leve queda, sendo cotado ao redor de 103,4 pontos, variação de -0,4% ante à véspera. O mercado de divisas repercute o ambiente de cautela diante da perspectiva das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos a serem anunciadas amanhã. Há quase consenso de que o Federal Reserve deverá aumentar suas taxas de juros em 0,50 ponto percentual pela primeira vez em 22 anos e indicar que deve permanecer agressivo em seu aperto monetário ao longo de 2022 a fim de conter a aceleração de preços no país. No Brasil, as apostas majoritárias apontam para uma alta de um ponto percentual, de 11,75% para 12,75% ao ano, na taxa básica de juros (Selic), porém a maior dúvida é sobre a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre um possível reajuste na reunião de junho. Além disso, o real reflete o anúncio de um leilão extraordinário de swap cambial pelo Banco Central no valor de US$ 1,0 bilhão (20 mil contratos) às 09h30min, a fim de intervir no movimento de desvalorização recente do câmbio. É digno de nota, também, que o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e um grupo de senadores se reunirão nesta terça com os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Edson Fachin, após nova crise institucional entre os Poderes da República. Na agenda do dia, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publica a produção industrial de março, às 9h30min e o Departamento de Estatísticas de Trabalho (BLS) dos Estados Unidos publica a pesquisa de abertura de vagas e turnovers do mês de março, às 11h00min.

O dólar negociado no mercado interbancário operava em queda na manhã desta terça-feira, refletindo o anúncio antecipado de intervenção pelo Banco Central no mercado futuro de câmbio. Ontem, às 18h00min, a autarquia informou que compraria até US$ 1,0 bilhão de dólares (20 mil contratos) entre as 09h30min e 09h40min de hoje em novos contratos de swap cambial com vencimentos para 01 de dezembro de 2022 ou 03 de abril de 2023. A taxa de câmbio já “precificou” essa informação desde o começo do pregão, e a queda durante esses dez minutos de intervenção efetiva foi de apenas um centavo (de aproximadamente R$ 5,04 para aproximadamente R$ 5,03).

Hoje, também, se iniciam as reuniões dos comitês decisores de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, a saber, Comitê de Política Monetária (Copom), aqui, e Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), lá. Tanto o Brasil como os EUA enfrentam aceleração em seus índices inflacionários, cujo impulso principal é resultado dos aumentos dos preços internacionais de commodities alimentícias, metálicas e energéticas decorrentes da guerra russo-ucraniana. Contudo, cada banco central se encontra em um estágio distinto de enfrentamento à aceleração de preços. De um lado, o Copom vem elevando sua taxa básica de juros (Selic) desde março de 2021, quando se encontrava em 2,00% ao ano, e o presidente do Banco Central já sinalizou que pretende encerrar logo o ciclo de contração monetária – a mediana das apostas aponta para o nível de 13,25% a.a. em junho. Por outro, o FOMC iniciou sua trajetória de reajustes de juros na última reunião, e há uma expectativa majoritária de que o Federal Reserve deve ser incomumente agressivo em seu aperto monetário em 2022. Ao passo que a taxa referencial de juros americana se encontrava entre 0,00% e 0,25% ao ano em janeiro, a mediana das estimativas aposta para um intervalo entre 3,00 e 3,25% em dezembro.

É importante destacar, também, que a agenda de autoridades brasileiras revela um encontro programado para hoje entre o presidente do Senado Federal, o presidente do STF, o presidente do TSE e um grupo de senadores. A reunião ocorre após o presidente da República, Jair Bolsonaro, afrontar a Suprema Corte com um indulto ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) apenas um dia após sua condenação pelo colegiado do STF, retomar seus ataques ao processo eleitoral, tornar a solicitar a mediação de militares na contagem de votos no pleito de outubro, convocar e comparecer em atos contra a suprema corte do país, neste domingo. Em reportagens de imprensa, Rodrigo Pacheco afirma buscar uma mediação para ajudar a abrandar a crise e “magistrar” este conflito.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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