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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre a quinta em alta,
cotado ao redor de R$ 4,96
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio reflete decisões de política monetária
e sinais de estagflação na Europa

O par real/dólar operava em tendência de alta nas primeiras negociações desta quinta-feira (05). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 4,96, variação de +1,2% ante à véspera. Já o dollar index operava em elevação, sendo cotado ao redor de 103,2 pontos, ganho de 0,6% em relação ao encerramento de quarta-feira. O mercado de divisas repercute as decisões de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos, de ontem, e da Inglaterra, desta manhã. Ontem, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) aumentou as taxa de juros em 0,50 ponto percentual pela primeira vez em 22 anos, bem como anunciou um programa de corte nos ativos do balanço patrimonial da instituição. Os mercados financeiros foram sacudidos por comentários feitos pelo presidente do Fed, Jerome Powell, afastando a possibilidade de reajustes mais agressivos no momento, em que pese os EUA passarem pela maior aceleração inflacionária em quatro décadas. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu a taxa básica de juros em 1,0 ponto percentual, de 11,75% para 12,75% ao ano, e sinalizou que deve elevar a Selic ao menos mais uma vez, porém em uma magnitude menor. E, nesta manhã, o Banco Central da Inglaterra (BoE) aumentou os juros básicos do país de 0,75% para 1,00% a.a., em uma decisão dividida em 6 votos a 3. Os três votos contrários desejavam um reajuste de 0,50 p.p. a fim de evitar que a inflação do país, que já se aproxima dos dois dígitos, se torne disseminada. Em seu comunicado, o BoE afirmou que prevê uma redução do crescimento econômico em 2023 em meio a uma inflação ainda elevada, porém em queda. Por isso, o caminho mais apropriado seria o de uma série de reajustes nos próximos meses. Na agenda do dia, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos (DOL) atualiza os pedidos semanais de seguro-desemprego no país e divulga os dados preliminares da produtividade do trabalhador do primeiro trimestre, ambos às 09h30min.

O dólar negociado no mercado interbancário operava em alta nesta manhã após uma sequência de decisões de políticas monetárias importantes impactarem o mercado financeiro. Ontem, em uma decisão em linha com as estimativas de mercado, o FOMC reajustou em 0,50 ponto percentual a taxa de juros de referência (federal funds rate) pela primeira vez desde maio de 2000, elevando-a do intervalo entre 0,25% e 0,75% paras a faixa entre 0,75% a.a. e 1,00% a.a. Além da alta de juros, o Comitê anunciou que deve iniciar sua redução em seu balanço patrimonial, primeiramente a um ritmo de US$ 47,5 bilhões pelos meses de julho, julho e agosto, e depois a um ritmo de US$ 95 bilhões, a partir do mês de setembro. Na coletiva de imprensa após a decisão, o presidente da autarquia afirmou que a trajetória provável para as próximas decisões de política monetária devem ser mais dois reajustes de 0,50 ponto percentual, dependendo dos dados e informações mais recentes disponíveis. Questionado diretamente sobre a possibilidade de um aumento de 0,75 p.p., Powell declarou que tal reajuste “não é algo que o Comitê está considerando ativamente neste momento”. Tal comentário dissipou as expectativas de um movimento ainda mais agressivo por parte do Federal Reserve e provocou fortes oscilações pelos mercados financeiros, com bolsas de ações disparando, mercados de juros despencando e a divisa americana desvalorizando frente a diversas moedas.

No Brasil, após o fechamento do pregão, o Copom subiu a taxa básica de juros (Selic) de 11,75% para 12,75% ao ano, em outro movimento largamente antecipado. Diante de um cenário internacional mais desafiador, que incluem as medidas de tolerância zero contra a Covid-19 na China, a continuidade da guerra russo-ucraniana e a “reprecificação da política monetária nos países avançados”, o Banco Central decidiu que “é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”. Segundo explicou, em comunicado, o Comitê “nota que a elevada incerteza da atual conjuntura, além do estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demandam cautela adicional em sua atuação”. Por fim, o BC indicou que “antevê como provável uma extensão do ciclo com um ajuste de menor magnitude” para a próxima reunião, sinalizando mais um aumento – no singular – para a Selic.

E, nesta manhã, o Banco Central da Inglaterra chamou a atenção dos mercados financeiros ao prever um ambiente recessivo em 2023 para o país. O BoE elevou pela quarta reunião consecutiva sua taxa de juros em 0,25 p.p., agora em 1,0% ao ano, em uma decisão dividida em 6 votos a 3. Os três votos contrários desejavam um reajuste de 0,50 p.p. a fim de evitar que a inflação do país, que já se aproxima dos dois dígitos, se torne disseminada. O dissenso surpreendeu analistas de mercado. Em comunicado e entrevista após a decisão, o governador da autarquia, Andrew Bailey, afirmou que o banco central enfrenta uma “passagem estreita” para operar uma política monetária contracionista a fim de reduzir as pressões inflacionárias sem provocar uma recessão na atividade econômica. O BoE manteve a previsão de expansão do Produto Interno Bruto em 2022 em 3,75%, porém reviu a estimativa de 2023 para uma contração de 0,25%. Além disso, o banco central elevou a previsão da inflação em fins de 2022 para 10%, e para 6,6% em 2023. Estas expectativas alarmaram o mercado financeiro, que receiam a possibilidade de uma estagflação na Inglaterra – e, também, na Europa e nos Estados Unidos.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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