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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio começa a semana em disparada,
cotado ao redor de R$ 5,13
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Real reflete forte valorização da moeda americana no exterior

A taxa de câmbio operava em tendência de alta nas primeiras negociações desta segunda-feira (06). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era negociada ao redor de R$ 5,13, aumento de 1,1% em relação ao término de sexta-feira. Já o dollar index recuava após atingir seu maior valor em duas décadas, e era cotado ao redor de 103,5 pontos, variação de -0,1% ante à véspera. O mercado de divisas repercute o ambiente internacional de cautela e pessimismo, com as expectativas de elevação de juros nos Estados Unidos e receios sobre a situação de Covid-19 na China impulsionando a valorização do dólar no mercado internacional. No Brasil, destacou-se a ausência da publicação do boletim Focus, pelo Banco Central, em função da greve dos servidores da instituição. Na agenda do dia,, às 09h30min, o ministro da Economia, Paulo Guedes, participa do evento de lançamento da “Plataforma Monitor de Investimentos”, do próprio Ministério e o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, discursa às 09h45min.

O dólar negociado no mercado interbancário abriu a semana em forte elevação, acompanhando os movimentos gerais do exterior de preocupação com cenários mais prováveis de estagflação em âmbito global. As pressões de custo sobre os índices inflacionários permanecem ativas, aumentando a perspectiva de um cenário de aceleração de preços disseminada e persistente. Por exemplo, a tendência de alta dos preços das commodities alimentícias, metálicas e energéticas se mantém, visto que a guerra entre Rússia e Ucrânia adentra seu 75º dia sem um final possível em vista e com os países do G7 comprometendo-se a expandir suas sanções à importação de todo petróleo russo e seus derivados. Além disso, a União Europeia discute, desde quarta passada, adotar medidas semelhantes à do G7, embora ela deva ser aplicada em etapas.

Outra fonte de pressão inflacionária são os desequilíbrios entre a elevada demanda de consumo e as dificuldades de oferta nas cadeias globais de produção, o que levou a estoques reduzidos, escassez de matérias-primas, cadeias logísticas extenuadas e encarecimento do processo produtivo como um todo. A persistência das autoridades chinesas na aplicação de uma estratégia de tolerância zero contra a Covid-19 face às novas variantes altamente infecciosas do coronavírus resultou em longos e custosos confinamentos de dezenas de cidades e centenas de milhões de pessoas, agravando estes desequilíbrios e aprofundando os choques de custos sobre os preços. Uma análise feita pelo banco Nomura em 03 de maio estimou que 43 cidades chinesas se encontravam em confinamento parcial ou total, afetando um total de 327 milhões de pessoas, incluindo Xangai e Pequim. As autoridades de Xangai, principal centro financeiro do país e residência de cerca de 25 milhões de pessoas, estenderam até o final de maio as medidas de confinamento impostas sobre a cidade a fim de zerar o número de novos casos da doença. A capital, Pequim, também tem mantido seus cidadãos em confinamento, suspendendo os serviços de alimentação, academias e entretenimento, assim como rotas de ônibus e parte da malha metroviária.

Para conter essa aceleração de preços, as autoridades monetárias começam a adotar políticas econômicas contracionistas a fim de reestabelecer a estabilidade de preços. Liderando esse processo dentre os maiores mercados financeiros está o Federal Reserve (Fed), que já reajustou sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual neste ano e estabeleceu um programa de redução no total de ativos em seu balanço de pagamentos, auxiliando na redução da liquidez de seu sistema financeiro. Embora alguns bancos centrais de economias avançadas também tenham iniciado seu processo de aperto monetário, como Inglaterra, Canadá e Austrália, o Fed se destaca em comparação ao Banco Central Europeu e ao Banco Central do Japão, o que tem atraído fluxos de investimento para os Estados Unidos e impulsionado o valor do dólar no mercado internacional.

O Brasil está no final do processo de elevação da sua taxa básica de juros (Selic). Se, por um tempo, o Banco Central (BC) do país estava isolado no movimento de aumentar suas taxas básicas e, com isso, atraía importante movimento de câmbio para o país, ajudando na valorização do real perante outras divisas, agora o BC indica que deve encerrar este reajuste em breve e em um momento em que outras autoridades monetárias, de economias emergentes e avançadas, sobem seus juros, o que pode desviar fluxos de capitais estrangeiros para esses países e pressionar uma desvalorização da taxa de câmbio brasileira.

Por fim, é digno de nota que o BC deixará de publicar relatórios e informações estatísticas em função da retomada da greve dos servidores da instituição. A greve dos servidores da autoridade monetária estava suspensa desde o dia 19 de abril, quando os funcionários resolveram dar um voto de confiança a Roberto Campos Neto, presidente do BC, na busca “por uma proposta ainda melhor para os analistas e técnicos”. Contudo, estes decidiram retomar seu movimento de greve após a autarquia não apresentar contraproposta aos funcionários da instituição e afirmar que sequer o aumento de 5% a todas as carreiras do funcionalismo foi “oficializado” pelo presidente Bolsonaro, ainda dependendo de aprovação.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
  • Moedas

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