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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio inicia a quarta em alta,
cotado logo acima de R$ 5,15
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Dólar reflete pressão inflacionária no Brasil e nos Estados Unidos

A taxa de câmbio operava em tendência de elevação nas primeiras operações desta quarta-feira (11). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era negociada ao redor de R$ 5,15, variação de +0,3% ante à véspera. Já o dollar index era cotado ao redor de 103,6 pontos, redução de 0,3% em relação ao encerramento de terça. O mercado de divisas deve repercutir a divulgação dos dados de preços aos consumidores do Brasil e dos Estados Unidos nesta manhã, dentro de um quadro mais amplo de receios sobre a possibilidade de estagflação na economia global. No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) se elevou em 1,06% no mês de abril, em linha com as expectativas de analistas. A alta acumulada em 12 meses ficou em 12,06%, oitavo mês seguido de aceleração de preços com dois dígitos. Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) se acelerou em 0,3% de março para abril e em 8,3% no acumulado em 12 meses, levemente acima das expectativas de analistas, cuja mediana apontava para crescimentos de, respectivamente, 0,2% e 8,1%. É importante destacar, também, que o presidente da República, Jair Bolsonaro, surpreendeu analistas e exonerou Bento de Albuquerque como o ministro de Minas e Energia em meio a uma sequência de críticas contra os aumentos dos preços de combustíveis da Petrobras, indicando em seu lugar Adolfo Saschida, chefe da assessoria especial de Assunto Estratégicos do Ministério da Economia. Na agenda do dia, o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, palestra às 11h00min.

O dólar negociado no mercado interbancário operava em alta nas primeiras operações da manhã desta quarta-feira, refletindo, particularmente, os dados acima do esperado para a inflação nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor se manteve em aceleração na passagem de março para abril com alta mensal de 0,3% e de 8,3% no acumulado em 12 meses, levemente acima das expectativas de analistas, cuja mediana apontava para crescimentos de 0,2% e 8,1%, respectivamente. Ao se observar o “núcleo” do indicador, isto é, sem as categorias mais voláteis de alimentação e energia, o CPI cresceu 0,6% no mês e 6,2% no ano, o que também superou as estimativas de analistas, respectivamente em 0,4% e 6,0%. Embora ambos os indicadores tenham apresentado leve recuo em relação ao mês passado – abril de 2021 foi um mês de forte alta –, a leitura dos índices foi majoritariamente pessimista, de que a aceleração dos preços ainda é bastante disseminada e persistente, particularmente no núcleo mais estável de preços. Tal cenário deve manter a pressão sobre o Federal Reserve elevada para uma atuação contundente contra a inflação, o que, por sua vez, eleva os riscos de uma desaceleração econômica no processo de aperto monetário pela instituição.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA de abril registrou aumento de 1,06%, maior aumento para um mês de abril desde 1996 (1,26%). Já o acumulado em 12 meses foi de 12,13%, oitavo mês seguido de alta em dois dígitos e maior taxa em 12 meses desde outubro de 2003 (13,98%). Tal como em meses anteriores, os maiores impactos vieram de alimentação e bebidas – maior variação (2,06%) e impacto (0,43 p.p.) – e de transportes – alta de 1,91% e 0,42 p.p. de impacto. Juntos, os dois grupos foram responsáveis por cerca de 80% do IPCA de abril. De acordo com André Almeida, analista da pesquisa, houve alta em diversos componentes importantes na cesta do consumidor, como o leite longa vida, a batata-inglesa, o tomate, o óleo de soja, o pão francês e as carnes. Em transportes, a alta foi puxada, novamente, por combustíveis, com alta em todos os componentes, isto é, em gasolina (2,48%), etanol (8,44%), óleo diesel (4,74%) e gás natural veicular (0,24%).

Por fim, é importante mencionar que o governo Bolsonaro exonerou Bento Albuquerque do cargo de ministro de Minas e Energia e nomeou Adolfo Sachsida para o cargo, em decreto publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira. Segundo reportagens de imprensa, Albuquerque teria sido surpreendido com a exoneração. A troca de posições ocorre após mais uma sequência de críticas do presidente da República à política de paridade de preços internacionais da Petrobras, estatal que também já sofreu duas trocas de presidentes sob o atual governo. Na segunda-feira, a Petrobras anunciou um reajuste de 8,87% do preço médio do diesel em suas refinarias, apesar de na semana passada Bolsonaro ter apelado diretamente a Albuquerque e ao presidente da estatal, José Mauro Coelho, para que não houvesse novos aumentos sob o risco de uma "convulsão" no país. Entretanto, a empresa se mantém fiel ao posicionamento de alinhar seus preços aos valores do petróleo internacionalmente, bem como às flutuações cambiais que possam afetar os custos dos combustíveis internamente.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
  • Moedas

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