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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar dispara nesta quinta e
encosta na barreira de R$ 5,20
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio acompanha movimento externo de aversão aos riscos

O par real/dólar operava em forte elevação nas primeiras negociações desta quinta-feira (12). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 5,19, variação de +0,9% ante à véspera. Já o dollar index prosseguia em sua valorização intensa e era cotado ao redor de 104,6 pontos, alta de 0,8% em relação ao término de ontem e seu maior valor desde dezembro de 2002. O mercado de divisas repercute o ambiente global de aversão aos riscos, motivado pela divulgação, ontem, de dados de preços ao consumidor nos Estados Unidos acima das expectativas de analistas. Há um receio cada vez maior de que o Federal Reserve (Fed) será obrigado a adotar um forte aumento de juros para conseguir conter as pressões inflacionárias disseminadas e persistentes, o que causaria, por sua vez, uma queda na atividade econômica do país e do mundo. A permanência dos choques de custos causados pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pelas medidas de tolerância zero contra a Covid-19 na China contribui para o prognóstico pessimista dos investidores. No Brasil, analistas devem repercutir o pronunciamento do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Saschida, de que solicitará estudos para alternativas de privatização da Petrobras.

O dólar negociado no mercado interbancário abriu a manhã desta quinta-feira em forte alta, ultrapassando inicialmente a barreira de R$ 5,20 para, então, começar um movimento de recuo e estabilização. O movimento da taxa de câmbio brasileira se alinha ao do fortalecimento da moeda americana no cenário internacional, o que pode ser visualizado, por exemplo, na escalada do Dollar Index, uma cesta que pondera a cotação do dólar diante de seis moedas de economias avançadas, e que, nesta manhã, atingiu 104,7 pontos pela primeira vez em quase vinte anos. A trajetória de fortalecimento da divisa americana se sustenta dentro de um cenário pessimista dos investidores, na qual o dólar se destaca dentre os ativos de segurança que podem oferecer um porto seguro durante tempos difíceis.

O principal fator que impulsiona a moeda estadunidense é a expectativa de que o Fed precisará utilizar aumentos significativos de juros para conseguir desacelerar as preções inflacionárias na economia estadunidense, sob o risco de perder controle da aceleração de preços. Se, por um lado, a elevação de juros aumenta o rendimento dos Treasuries (títulos do Tesouro americano), por outro, é provável que um aperto rígido das condições financeiras provoque uma desaceleração econômica. Esse cenário aumenta as probabilidades de uma estagflação, isto é, a coexistência de crescimento baixo (ou até mesmo negativo) e de inflação alta. Além disso, o dólar tem se fortalecido de maneira isolada perante seu pares em função da resistência de outros bancos centrais relevantes, como o europeu e o japonês, de acompanharem este movimento de altas de juros, o que redireciona os fluxos de investimentos para o mercado americano.

As taxas de aceleração de preço, por sua vez, continuam sendo pressionadas por choques de custo, o que dificulta uma queda mais rápida de seus valores. Por uma lado, a China continua firme em sua estratégia de adotar rígidos e custosos confinamentos de cidades inteiras na tentativa de extirpar o coronavírus de seu país – até o momento, sem sucesso. Como consequência, não apenas o consumo e a produção chinesa são retraídos, como se agrava os acúmulos e atrasos nas cadeias de suprimento globais e se elevam seus custos. Por outro lado, a guerra entre Rússia e Ucrânia continua a passos lentos, custos extremos, reações de países alinhados ao Ocidente e escalada da retórica de ameaças pelo Kremlin. O fornecimento de diversas commodities e produtos primários estão reduzidos e ameaçados, tanto em função da destruição de recursos produtivos ucranianos, como pelas dezenas de sanções impostas à Rússia, suas empresas e seus empresários.

No Brasil, os investidores devem acompanhar o anúncio do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Saschida, de que uma das primeiras medidas à frente do cargo será solicitar o “início dos estudos tendentes à proposição das alterações legislativas necessárias à desestatização da Petrobras”. O anúncio ocorre em meio a diversas críticas do presidente da República, Jair Bolsonaro, à política de preços de combustíveis da Petrobras. Bolsonaro já trocou o presidente da empresa duas vezes em seu mandato, e surpreendeu os analistas de mercado ao exonerar repentinamente o então ministro Bento de Albuquerque do Ministério de Minas e Energia.

Por fim, é digno de nota que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística publicou que o volume do setor de serviços avançou em 1,7% no mês de abril, significativamente acima das estimativas de analistas, cuja mediana apontava para um aumento de 0,7% no período. Com esse resultado, o setor recupera a perda de 1,8% de janeiro, alcança o maior nível desde maio de 2015 e fica 7,2% acima do patamar pré-pandemia. O resultado positivo foi disseminado por todas as cinco atividades investigadas pela pesquisa, com destaque para os transportes (2,7%), que avançam pelo quinto mês consecutivo. “Dentre os setores que mais influenciaram a alta dessa atividade está o rodoviário de cargas, especialmente o vinculado ao comércio eletrônico e ao agronegócio. É a principal modalidade de transporte de carga pelas cidades brasileiras e seu uso ficou ainda mais acentuado após os meses mais cruciais da pandemia”, explicou, em nota, o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
  • Moedas

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