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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre a terça em alta,
cotado ao redor de R$ 4,83
 
Leonel Oliveira Mattos
Leonardo Rossetti
Vitor Andrioli
Câmbio repercute intervenção do governo na Petrobras
e cautela dos investidores no exterior

O par real/dólar apresentava tendência de elevação nas primeiras operações desta terça-feira (24). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 4,83, variação de +0,6% ante à véspera. Já o dollar index era cotado ao redor de 102,0 pontos, praticamente estável em relação ao término de ontem. O mercado de divisas deve repercutir a mais uma troca de comando do Palácio do Planalto na Petrobras na tentativa de interferir na estratégia de preços de combustíveis da companhia. Somente neste ano, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), já trocou duas vezes a presidência executiva da empresa, uma vez a presidência do conselho de administradores e uma vez o ministro de Minas e Energia, responsável pela estatal. Vale ressaltar, também, que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de maio registrou alta de 0,59%, ligeiramente acima da mediana das expectativa de analistas. Dessa forma, o indicador acumula crescimento de 12,20% em 12 meses, acima dos 12,03% anotados em abril. É digno de nota, ainda, que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), pautou para hoje a votação de projeto de lei que busca limitar a 17% o imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) sobre combustíveis e energia elétrica. No exterior, os investidores se mostram mais cautelosos, diante de receios com a probabilidade de desaceleração econômica e inflação mais intensas que o anteriormente antecipado. Na agenda do dia, a S&P Global apresenta a prévia dos Índices Gerentes de Compra (PMI) da indústria, de serviços e composto dos Estados Unidos às 10h45min, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, discursa às 13h20min e a presidenta do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, discursa às 15h00min.

O dólar negociado no mercado interbancário alternava perdas e ganhos na manhã desta terça-feira, em um dia movimentado no mercado nacional. Na noite de ontem, o presidente Bolsonaro decidiu intervir mais uma vez na Petrobras e trocar o presidente da empresa, José Mauro Coelho, apenas 40 dias após o executivo ter tomado posse no cargo. A estatal é alvo constante de críticas por parte do presidente da República em função da sua política de paridade de preços com o exterior, que acompanha a cotação internacional do petróleo e a taxa de câmbio. Nos últimos dois anos, e em especial após a guerra entre Rússia e Ucrânia, os preços internacionais do óleo bruto dispararam, forçando um reajuste significativo de combustíveis no Brasil. A inflação, em geral, e os combustíveis, em particular, são fontes de insatisfação popular com o atual governo, de forma que Bolsonaro intervém constantemente para influenciar e coagir a Petrobras a mudar sua política de preços de combustíveis – somente neste ano, o Planalto já trocou duas vezes a presidência executiva da empresa, uma vez a presidência do conselho de administradores e uma vez o ministro de Minas e Energia, responsável pela estatal.

As constantes intervenções de Bolsonaro em empresas estatais podem elevar a percepção de risco político associado ao Brasil, elevando a exigência de prêmio de risco por parte dos investidores, o que, por sua vez, poderia reduzir o fluxo de capital estrangeiro ao país e enfraquecer o real.

Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação, se acelerou em 0,59% no mês de maio, ligeiramente acima das expectativas de analistas, cuja mediana apontava para crescimento de 0,45%. Dessa forma, o indicador acumula crescimento de 12,20% em 12 meses, acima dos 12,03% anotados em abril. A continuidade da aceleração dos preços no Brasil atraiu investidores para a moeda brasileira, que acreditam que exigirá uma atuação mais contundente do Banco Central (BC) para o nível de taxa básica de juros (Selic). Anteriormente, as autoridades do BC haviam indicado que desejavam encerrar o ciclo de reajustes na próxima decisão de política monetária, com uma possível alta de 0,50 ponto percentual.

Por fim, é digno de nota que o presidente da Câmara dos Deputados afirmou que vai colocar em votação nesta terça um projeto de lei projeto que tornaria “bens essenciais” combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e transportes, impondo um teto de 17% sobre o ICMS estadual desses produtos. O objetivo desta medida é buscar reduzir o preço desses bens e serviços e, assim, conter a pressão sobre os índices de inflação. Essa proposta deve contar com forte resistência dos Estados e seus governadores, cuja receita tributária seria reduzida com o projeto, além de possíveis questionamentos de constitucionalidade, visto que, em teoria, cabe aos Estados definir a atribuição de essencialidade na aplicação do ICMS.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
  • Moedas

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