
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar apresentava tendência de elevação nas primeiras operações desta sexta-feira (03). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 4,81, ganho de 0,5% em relação ao término de quinta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 101,9 pontos, variação de +0,1% ante à véspera. O mercado de divisas repercute a divulgação do Relatório da Situação do Emprego do mês de maio dos Estados Unidos, que revelou a criação de 390 mil postos de trabalho no mês passado, acima da expectativa de analistas, cuja mediana apontava para a criação de 325 mil vagas. Já a taxa de desemprego no país se manteve constante, em 3,6% da força de trabalho. No Brasil, a produção industrial se manteve estável no mês de abril (+0,1%) e ainda se mantém 16,9% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, pré-pandemia de Covid-19. Os investidores devem repercutir, ainda, a entrevista de ontem do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, de que o governo pode vir a decretar um estado de calamidade pública por conta dos preços de combustíveis, evitando, assim, limitações impostas pelo teto de gastos e pela lei eleitoral. Na agenda do dia, a S&P Global divulga o Índice Gerente de Compras (PMI) de serviços e o consolidado para o mês de maio para o Brasil, às 10h00min, o instituto ISM publica o PMI de serviços de maio para os Estados Unidos, às 11h00min, e a vice-presidenta do Federal Reserve, Lael Brainard, palestras às 11h30min.
O dólar negociado no mercado interbancário operava em alta na manhã desta sexta-feira (03), oscilando acima do patamar de R$ 4,80. O ambiente de negócios era de maiores expectativas de um aperto monetário rígido pelo Federal Reserve, o que, por sua vez, contribuía para o fortalecimento da moeda americana perante outras divisas. Substanciava essa dinâmica a divulgação do Relatório da Situação do Emprego do mês de maio, que mostrou que a criação de postos de trabalho nos Estados Unidos permanece bastante aquecida, com um saldo líquido de 390 novos empregos, acima da expectativa de analistas, cuja mediana apontava para a criação de 325 mil novas vagas. Assim, o documento sinaliza que o mercado de trabalho está vigoroso e é capaz de sustentar a política de contração das condições financeiras em curso pelo Federal Reserve por algum tempo. A remuneração média da hora trabalhada subiu 0,2% no mês e acumula ganho de 5,2% em 12 meses, discretamente abaixo da mediana das expectativas. Já a taxa de desemprego se manteve estável em 3,6% da força de trabalho.
No Brasil, contribui para a desvalorização do real, também, as percepções de maior risco fiscal no país por conta das constantes manobras do governo Bolsonaro na tentativa de buscar melhorar seu desempenho eleitoral. Ontem, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, afirmou que o governo federal pode vir a decretar estado de calamidade pública a “depender da situação do país” em função dos preços de combustíveis. O estado de calamidade pública autorizaria o Executivo a evadir as proibições impostas pela legislação eleitoral e pelo “teto” de gastos (limite constitucional de despesas) para poder, por exemplo, oferecer subsídios aos combustíveis e energia elétrica ou aumentar o valor dos benefícios do Auxílio Brasil. Entretanto, a Lei de Responsabilidade Fiscal impede reajuste salariais ou a contratação de novos funcionários durante a vigência de um estado de calamidade. Nesta manhã, reportagens davam conta de que a equipe econômica do Palácio do Planalto estudava a possibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permita ao governo ultrapassar o teto de gastos com medidas de redução sobre os preços dos combustíveis, aos moldes da PEC emergencial da Covid-19, que permitiu o financiamento do auxílio emergencial durante a pandemia. As constantes alterações no Orçamento de 2022 que representam aumento de gastos ou redução de arrecadação fiscal podem elevar a percepção de risco fiscal associado ao Brasil, elevando a exigência de prêmio de risco por parte dos investidores, o que, por sua vez, poderia reduzir o fluxo de capital estrangeiro ao país e enfraquecer o real.
Por fim, é digno de nota que a produção industrial se manteve praticamente estável em abril, com variação de +0,1%, acumulando uma queda de 3,4% em 2022. Apesar de ter apresentado uma recuperação após o fim das medidas de restrições sanitárias ao combate à pandemia de Covid-19, esse setor sofre com a alta dos custos produtivos e a escassez de matérias-primas, provocadas pelos gargalos nas cadeias de suprimento global. Assim, a atividade industrial permanece 1,5% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, pré-pandemia. Segundo André Macedo, gerente da pesquisa, “o ganho acumulado de 1,4% [no] período de fevereiro a abril não elimina nem a queda de 1,9% registrada em janeiro. Mesmo que nos últimos 6 meses a indústria tenha mostrado 5 taxas no campo positivo, ainda assim está 1,5% abaixo de fevereiro de 2020 e 18% abaixo do ponto mais alto da série, em maio de 2011”.

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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


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